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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Panos de prato

Fiéis panos de prato
vivem entre secos e molhados
ora estão leves, ora pesados
ouvindo verdades ou boatos.

Vão secando copos, panelas
mãos novas recém casadas
mãos maduras já cansadas
lágrimas de anciãs ou donzelas.

Vez é levado ao peito
na hora da surpresa
ou arremessado à mesa
na pressa de um feito.

Permanente companheiro
da cozinha ou da copa
do varal quando ensopa
da distração no sonho ligeiro...

sábado, 5 de abril de 2014

O voo 

E eu que penso e penso
em voar feito um passarinho
assisto o prazer imenso
de pardais em redemoinho
disputando no mais baixo chão
umas perdidas migalhas de pão.
E tanto que se esquecem de voar
e iguais os humanos ficam a andar
buscando o pão nosso de cada dia
entre piados que fazem sinfonia.
Essa visão me levou alto
num tamanho estado de amor
e apesar de pousado no asfalto
me sinto num azul cobalto
planando feito o rei condor.

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Dia






foto de O.Heinze












O dia só começou a existir 
quando o ar encheu de pássaros
o sol perdeu a vergonha de sair
o sereno fugiu dos telhados

as estrelas sumiram no lume
as flores passaram perfume
o céu tirou o pijama amarelo
pos terno do azul mais belo
e levou as nuvens para passear
junto com a oração do meu olhar.

O dia só foi plenamente dia
quando eu não quis existir só em mim
e fui viver na paisagem que via
desfazendo a saudade de mim nela
e também a saudade dela em mim

então livres sinos badalaram
os de bronze e os de bonança
as coisas comigo juntaram
e o dia nasceu da esperança...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Universo inverso

Fico imaginando se acaso
o universo cansado de viver
resolvesse desistir de si
e fosse se desfazendo...

Primeiramente apagando
o céu por detrás do sol,
depois apagando o sol
por detrás do mar
e aí o mar, as gaivotas,
o chão, o ar e o tempo;
deixando no vazio somente eu...

Então, havendo mais nada fora,
eu buscaria dentro de mim
no meu universo,
aquilo que possuísse por lá
para viver...

quinta-feira, 6 de março de 2014

O Circo / por O.Heinze

No centro da cidade,
na rua bulevar,
tem tanta gente,
tantas caras, disfarces,
tipos e modismo,
coisas e esquisitices,
acessórios e bugigangas,
que cheguei a dar risadas!
Eu lá naquele meio
desviando, esgueirando,

um verdadeiro malabarismo
para chegar aonde eu queria.
Só então me dei conta;
aquilo tudo é um circo!
Sim... Ele ainda existe!
Não tem mais a lona,
mastros e carroças.
Tudo está ao ar livre,
todos os integrantes;
mestre-de-cerimônias,
ilusionistas, pombas,
“leões”, mulher-barbada,
anão, gigante,
pipoqueiros, “cavalos” etc.
E eu também estava lá:
o palhaço!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Se vento eu fosse / por O.Heinze

Se vento eu fosse
me vestiria de outono
e enquanto você estivesses
na paz do teu quintal
remexeria eu nas folhas
do caderno de tua vida...
Com teus olhos fechados
lembrarias de ternos dias idos
enquanto teu rosto e cabelos
sentiriam da aragem perfumada
como que minhas mãos
e teu corpo relaxado
meu abraço com carícias de brisa...
Seria tanto calor na tua alma
e tão alegre teu coração
que ao som de sinos de vento
despertarias de teu breve sono
e da rede entre as árvores
terias alguns segundos ainda
para assistir minha imagem etérea
desfazendo-se dos ares daqui
para ares de outros lugares...





 fotografia de O.Heinze

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Um único beijo / por O.Heinze

Um único beijo teu
roubou todo meu eu.

Esqueci o mundo pesado
tornei-me todo flutuante
feito um cavalo alado
feito nuvem mutante.

Vestindo todas as cores
voando sem ter noção
sentindo o melhor dos sabores
e o rufar do coração.

Perdi o rumo de casa
razão do dia, fuso horário
andei em trilha de brasas
feito louco, visionário.

Ao findar do nosso beijar
não sabia quem eu era
e nosso terno abraçar
me pousou na primavera.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Oração para bons anjos daqui / por O.Heinze

Oh nobre e sóbria borboleta
empresta-me bem tuas asas pretas
para eu voar na madrugada
sob luz da lua enluarada.

Rica borboleta colorida
dona das flores soltas na vida
empresta-me tuas asas de cores
para eu encontrar meus amores.

Rara borboleta sorridente
de asas secretas, transparentes
enquanto sorvemos poesia
empresta-me tuas pernas roliças
para fazer minha fantasia
andar com tuas desnudas preguiças.

Empresta-me teus bondosos seios
para eu pousar meus devaneios
e sonhar que estou transmutado
no mais sublimado ser alado...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A Dama

Noite azul, calma,
morna no corpo,na alma.
Sinto-me embalado
nos braços da ternura,
Sonhador apaixonado
enlevado nas alturas.
Tudo pela presença
de uma doce dama
que sem pedir licença
me envolve, me ama.
Como não querê-la
dentro e fora de mim?
Respira-la e tê-la
Quase uma flor de jasmim?
Oh dama-da-noite, do ar,
por que não sais da planta
e pedes para Deus te encarnar?
E feita mulher te levantas,
para me namorar, seduzir
e fazer meu mundo florir?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Nada? Nada! / por O.Heinze

Achavas que eu era nada
mas eu sou ar
e entro em ti feito aroma
fragrância encantada
feitiço do amar.

Achavas que eu não estava
mas eu sou lembrança
que teimosamente
em tua mente lhe amava
no querer que não cansa.

Achavas que eu não existia
mas eu sou miragem
tremulando no calor do dia
confundido nas outras pessoas
enquanto segues viajem.

Achavas que me esquecera
mas eu sou fantasia
diurna, vespertina, noturna
na mordida na pera
na saudosa alegria.

Talvez eu seja nada
neste vazio presente
mas sou absoluto
nessa falta danada
na esperança à frente.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Folhas secas


Quando com o vento
as folhas secas
correm sobre o calçamento
não sei se elas cantam
ou resmungam um lamento.
Queria mesmo sabê-las
trocar entendimentos...

Mas deste plano
até mesmo dos humanos
muito pouco conheço
que dirá dessas folhas
que viveram no ar
com o espaço a lhes embalar
e receberam seivas do chão
com idade de mais de milhão
de experimentação?!

Ainda preciso frequentar
muitas escolas da vida
para poder conversar
com uma folha caída...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Simples assim / por O.Heinze

Eis que em certo dia
sopra um vento de poesia
voam folhas, borboletas
saltam rolhas, correm letras
tudo é apenas alegria.

Formam sonhos, planam pipas
corpos soltos dançam fitas
fantasias também vão soltas
e as nuvens já são outras
a paixão e a vida agita.

Eis que certa feita
a natureza se enfeita
e tudo, tudo fica amor
e seja lá quem for
nessa coisa se deleita.

E o homem mais sem esperança
volta a ser a doce criança
o chão se enche de flores
o céu se cobre de cores
dos ouros da nova bonança.

Então me redescubro gente
também te encontro todo contente
cantamos com muita euforia
desejando que a doce poesia
volte sempre, volte sempre...