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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Antes que a morte separe


Antes que a morte separe 
por O.Heinze 

Uma roseira maravilhosa
criava sua poesia através 
de suas inúmeras rosas
em cada ramo umas dez.

Um dia, com muita ousadia 
uma pessoa levou dela
um galho com uma poesia
e na floreira da sua janela
o plantou com euforia.

Então a poesia despetalou 
sem o amor da mãe roseira
mas o pequeno galho vingou
para alegrar a triste floreira.

Na primeira primavera
a pequena roseira floriu
uma única poesia que era
a mais bela que já se viu.

A pessoa que a plantou
sentiu tamanha alegria
e em suas mãos a tomou
aspirando a doce poesia
da fragrância que formou.

Na segunda primavera
a roseira deu outra flor
com uma poesia quimera
e um aroma de pura dor.

Pois a pessoa da janela
não demonstrava atenção 
não falava mais com ela
nem lhe dava a benção.

Na primavera terceira
surgiu um poema sem cor
pois o botão da roseira
não abriu por falta de amor.

Que a vida seja assim:
uma paixão que não pare
um amor que viva sem fim
antes que a morte separe. 

Santo André SP Brasil. 
20 e 21 de junho de 2026.

Fotos de IA.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O santo e o opróbrio

O santo e o opróbrio 
por O.Heinze 

Solidão é faltar consigo mesmo
por isso eu me divido em dois:
um fala para fora, não a esmo
e o outro ouve para dentro, pois

preciso amar o próximo 
como amo a mim próprio 
então carrego este paradoxo
sou o santo do meu opróbrio.

Às vezes dentro de um lar
mora tanta gente separada
cada um está em um lugar
menos na união desejada.

Eu moro comigo e com Deus
é uma união que deu certo.
Pior seria viver sem meu eu
e sem sentir Deus por perto.

Pior ainda é olhar no espelho
e não reconhecer seu reflexo 
ficar envergonhado, vermelho
em um sentimento desconexo. 

Se me ouvirem falando sozinho 
podem achar que estou variando
mas estou falando com o vizinho
este meu outro eu me escutando. 

Santo André SP Brasil. 
18/06/2026.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Eu encontrei a Felicidade

Eu encontrei a Felicidade 

por O.Heinze 


Eu encontrei a Felicidade.

Ela estava deitada de manhã

em um gramado cor de hortelã

toda tomada de luminosidade

embaixo de um pé de romã. 


O orvalho estava brilhando

sobre as flores do campo.

Recolheram-se os pirilampos

cansados de ficar piscando

e porque o sol estava raiando.


A Felicidade então acordou 

e as aves cantavam tanto

uma cascata jorrava encanto 

e toda minh’alma purificou 

meu coração sentiu acalanto.


Só que esqueci de agradecer

o que a Felicidade fez em mim

e nuvens negras puseram fim

na harmonia do amanhecer

com a tormenta cor nanquim. 


A Felicidade sumiu no temporal. 

Eu chorava mais que o céu. 

Meio que perdido saí ao léu 

buscando dela qualquer sinal 

talvez uma parte do seu véu. 


Passei toda noite em claro

sem encontrar a Felicidade. 

Já era grande minha saudade 

quando aconteceu algo raro:

a achei no centro da cidade.


Ela estava dançando na praça 

junto a uma moça tão feliz

foi quando o povo pediu bis

e a moça veio com tanta graça 

e me puxou para ser aprendiz. 


Começamos os três a dançar

a moça, eu e a Felicidade

mas o povo só via na realidade 

a moça e eu formando um par

a Felicidade só eu sabia notar. 


Santo André SP Brasil 

07 de junho de 2026.