por O.Heinze
Eu encontrei a Felicidade.
Ela estava deitada de manhã
em um gramado cor de hortelã
toda tomada de luminosidade
embaixo de um pé de romã.
O orvalho estava brilhando
sobre as flores do campo.
Recolheram-se os pirilampos
cansados de ficar piscando
e porque o sol estava raiando.
A Felicidade então acordou
e as aves cantavam tanto
uma cascata jorrava encanto
e toda minh’alma purificou
meu coração sentiu acalanto.
Só que esqueci de agradecer
o que a Felicidade fez em mim
e nuvens negras puseram fim
na harmonia do amanhecer
com a tormenta cor nanquim.
A Felicidade sumiu no temporal.
Eu chorava mais que o céu.
Meio que perdido saí ao léu
buscando dela qualquer sinal
talvez uma parte do seu véu.
Passei toda noite em claro
sem encontrar a Felicidade.
Já era grande minha saudade
quando aconteceu algo raro:
a achei no centro da cidade.
Ela estava dançando na praça
junto a uma moça tão feliz
foi quando o povo pediu bis
e a moça veio com tanta graça
e me puxou para ser aprendiz.
Começamos os três a dançar
a moça, eu e a Felicidade
mas o povo só via na realidade
a moça e eu formando um par
a Felicidade só eu sabia notar.
Santo André SP Brasil
07 de junho de 2026.