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sábado, 16 de maio de 2026

Gengigres azuis

Gengibres azuis

Conto

por O.Heinze 


Despertei e estava deitado 

em um jardim de gengibres-azuis.

Um céu de cor pêssego

e um ar de temperatura amena

cobriam um campo de paz.

Notei que não trazia o celular

nem documento, óculos, dinheiro

sequer uma roupa eu tinha.

Não sentia frio, fome, sede.

Não lembrava do ontem.

Eu era ninguém, em um lugar

sem nome, sem placa ou rua.

Eram tão somente eu

e os gengibres-azuis.

Aos poucos, meio que

lembrei meu nome

uma família, e outras coisas…

Uma pessoa surgiu ao longe 

trazendo uma túnica branca.

Então, me vestiu, me abraçou 

e deu boas vindas.

Perguntou se minha passagem

havia sido agradável?

Eu disse que nem lembrava.

Ele sorriu amavelmente 

e falou ser natural não lembrar.

Entramos num túnel de luz

e acredito ter recebido

uma segunda vida, pois

acordei rodeado de pessoas

perguntando se eu estava bem?

Havia desmaiado no banco

de um parque da cidade.


Santo André SP Brasil 24/02/2023.


domingo, 10 de maio de 2026

Minhas Mães Antepassadas

Minhas Mães Antepassadas 
por O.Heinze 

Minha gratidão a todas minhas mães antepassadas, sim, minhas mães, 
pois estão aqui em meu corpo
na forma de descendência.
Pergunto-me quantas delas somariam
nesses milênios que antecederam
até a mãe que tive nesta vida.
Quanto lutaram, sofreram, choraram,
amamentaram, educaram e amaram?
Se dedicaram ao futuro, ao amor?
Quanto oraram, calaram, morreram?
Se escravizaram, doeram, adoeceram,
atravessaram noites e noites em claro,
suportaram dias de sol abrasador, 
venceram tempestades e secas,
resistiram ao ódio, injustiça, inferiorização,
incompreensão, desamor, violência, 
preconceito, machismo, racismo, 
subordinação, desumanização, 
subjugação, agressão, enclausuração,
exclusão, depreciação, maculação, medo.
São tantas violências misturadas
aqui dentro do meu ser, que foram 
usadas contra mães e não mães,
que nem consigo mensurar e alistar. 
Posso sentir nas minhas carnes e alma, 
todas as cicatrizes marcadas nelas.
Tantas torturas físicas e psicológicas
vividas pelas mães na eternidade dos tempos, 
vão aqui registradas em mim.
Todas as luzes que deram ou não, 
por não poderem realizar, ou proibidas,
sinto eu aqui, apesar de não ter o ventre,
mas posso pressenti-lo glorioso e rico,
graças às vossas lutas e vitórias. 
Assim, também, da grandeza de amor
que vossos corações carregaram e
da angelitude de vossas santas almas
pela missão de terem sido engravidadas. 
Minha gratidão é ínfima perante vossos
Louros, mas que meu abraço infinito
vos enlace com todo meu amor de filho.

Santo André SP Brasil 
10/05/2026.