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sábado, 16 de maio de 2026

Gengigres azuis

Gengibres azuis

Conto

por O.Heinze 


Despertei e estava deitado 

em um jardim de gengibres-azuis.

Um céu de cor pêssego

e um ar de temperatura amena

cobriam um campo de paz.

Notei que não trazia o celular

nem documento, óculos, dinheiro

sequer uma roupa eu tinha.

Não sentia frio, fome, sede.

Não lembrava do ontem.

Eu era ninguém, em um lugar

sem nome, sem placa ou rua.

Eram tão somente eu

e os gengibres-azuis.

Aos poucos, meio que

lembrei meu nome

uma família, e outras coisas…

Uma pessoa surgiu ao longe 

trazendo uma túnica branca.

Então, me vestiu, me abraçou 

e deu boas vindas.

Perguntou se minha passagem

havia sido agradável?

Eu disse que nem lembrava.

Ele sorriu amavelmente 

e falou ser natural não lembrar.

Entramos num túnel de luz

e acredito ter recebido

uma segunda vida, pois

acordei rodeado de pessoas

perguntando se eu estava bem?

Havia desmaiado no banco

de um parque da cidade.


Santo André SP Brasil 24/02/2023.


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