por O.Heinze
Ao terminar de me vestir
olhei no espelho a minha aparência.
Ouvi uma voz em minha mente:
-Você não vai me olhar nos olhos?
De pronto eu não entendi de onde
a voz havia surgido, até eu associar
com a imagem no espelho.
Ela não havia movido os lábios,
se comunicou telepaticamente.
Então lhe respondi que eu não
costumava olhar naqueles olhos,
porque isso parecia coisa
de narcisista, que vive se afogando
na própria aparência: da soberba,
vaidade, arrogância e ego.
Já eu sou um simples humano,
sei bem da minha insignificância
perante a grandeza do universo.
Ela entendeu e disse com candura:
-Não se preocupe, pois a imagem
que você vê não é a sua verdadeira,
ela é distorcida, por ação do reflexo.
Você ainda não pode ver a si mesmo,
afinal, imagens, espelhos, vidros,
espelhos d'água, nada disso
revelará a sua real aparência.
Milhares de pessoas verão você
como você realmente é por fora,
menos você mesmo.
Narciso morreu por uma ilusão,
de um reflexo que não era ele.
Diariamente, no mundo, milhares
de pessoas morrem de tristeza,
ou se iludem de alegria,
ao se olharem no reflexo ou imagem
que não são elas realmente.
O que você precisa buscar sempre
é a identidade da sua alma, afinal,
tudo um dia passará: o corpo,
o reflexo, o espelho, o mundo…
O único reflexo a ser evoluído
é o da alma, essência individual,
que pessoas comuns não enxergam.
É onde a aparência nada importa,
mas, sim, a capacidade dela:
de amor, virtuosismo e elevação,
fazendo a alma refletir iluminação,
que é a sua aparência incontestável.
Santo André SP Brasil
16 de agosto de 2026.
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