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sábado, 25 de agosto de 2012

Flor da Areia - letra e música de O.Heinze


Tão somente por nada
















Fotografia de O.Heinze


Tão somente por nada / por O.Heinze

Enquanto crianças e jovens
saltitam pela vida iguais sementes
fugidas da explosão de vagens,
velhos varrem as folhas das calçadas.
Nós das outras idades por nossa vez
buscamos algo que ainda não sabemos,
talvez a fonte da juventude;
a terra dos prazeres sem fim;
ou ainda mais que isso, o paraíso!?
Por outro lado os cães felizes
se contentam em comer e latir;
os gatos em comer e miar;
as plantas em comer e florir;
o sol em queimar e brilhar;
a lua por ter quatro roupas;
o mar por ter duas marés;
o barco por ter um casco;
a tartaruga por ter casa própria;
o colibri de uma asa por andar
e poder beijar flores do chão;
o passarinho cuco por ter relógio;
e eu por seguir na mesma toada,
rindo da minha risada.

domingo, 19 de agosto de 2012



Antes dos limões / por O.Heinze

Ontem fui conversar
com as flores do limoeiro,
talvez, pois, me sentia tão solteiro.
As flores me confortaram
e seus perfumes me falaram,
de que a vida faz adoçar,
basta experimentar.

foto de O.Heinze

sábado, 18 de agosto de 2012

Contando felicidade / por O.Heinze

Num dia muito amarelo
deitei sob a sombra das lembranças
e comecei a contar nos dedos
quantas vezes havia sido feliz.
E contei tanta felicidade
que perdi até as contas...
Relembrei a primeira vez
que equilibrei na bicicleta;
fui para a escola desacompanhado;
ganhei a medalha de campeão;
troquei o primeiro beijo (não técnico);
me apaixonei perdidamente;
uni mundos com outrem;
recebi cada filho meu nascido...
Pois é... Toda primeira vez é única
e de uma felicidade inigualável...

sábado, 11 de agosto de 2012

Brinquedos

 
foto por O.Heinze - 08/2012.


Brinquedos / por O.Heinze

Acho que você me foi
o melhor presente na vida,
o que causou maior surpresa.
Fui lhe desembrulhando com calma,
pois para mim cada segundo com você
era tudo o que eu mais queria.
Sentia que você igualmente
gostava muito de ser de mim
e tudo entre nos nós foi sendo
a melhor brincadeira do mundo.
Mas o lúdico também envelhece
e nossas risadas foram rareando.
Chegaram os dias em que parecíamos
aqueles brinquedos esquecidos no sótão,
de repente lembrados com saudosa alegria,
se ainda existiriam guardados e empoeirados.
E realmente estávamos lá esperando
para sermos sacudidos e limpados do desuso
na tentativa de reaver os risos de outrora.
Mas parecia que nada, absolutamente nada,
energizava a velhice nos brinquedos.

sábado, 4 de agosto de 2012

Tintas mortas







 fotografia de O.Heinze













Tintas mortas / por O.Heinze

Certo dia meu corpo carnal morrerá
e de mim aqui sobrará apenas tintas:
nas letras que formei poesia;
nas cores que pintei minhas artes;
nas fotografias em que aparecerei;
nas sensações que minhas músicas provocarão;
no sangue que doei vida afora;
no luto que talvez farei sentir.
Mas tudo isso também passará,
virará pó, menos que pó, nada!
Então me chamarão de: “quem foi esse?”.
E quando eu for esse jaz esquecido,
farei parte da real importância:
ser parte da composição silenciosa do mundo,
sem, contudo, levar mérito de nada.

domingo, 29 de julho de 2012

Para sempre / por O.Heinze

Vou vivendo para sempre
eternamente vivendo.
E nesta eternidade minha
senti uma terna idade.
E ter na idade assim
tanto tudo e tanto nada
fez querer saber mais de mim.
Fui lá para frente
num futuro, e ter na mente
todas as respostas do que serei.
E a cada tempo em que me acho
estou menos pedra e arrogância
e mais luz e fragrância.
Descubro que dentro do futuro
existe um futuro mais futuro
onde nem tenho mais forma.
Sou apenas clarão emanando vida
para quem ainda é pedra distraída.
Quando me busco mais além
já estou uma explosão Big Bang
nascendo em outros trilhares de pontos
desses universos intermináveis.
Percebo nesta fração de existência
que a criação ri de mim
que meu eu também ri de mim
pela minha pressa em viver
algo que ainda tanto precisa morrer...

sábado, 21 de julho de 2012

Espelhos e vidraças / por O.Heinze

Quando meu casamento era jovem
sentia feliz que cônjuge e filhos
olhavam para mim igual feito num espelho.
Em mim se encontravam nitidamente
e como que para se acharem me procuravam.
Ao passar dos anos essa busca diminuía
parecendo ser mais difícil se acharem em mim
e mais e mais fácil se encontrarem nelas.
Notava que a tinta prata do espelho
pouco a pouco se desfazia do vidro
até eu me tornar apenas uma vidraça
com fraco reflexo e a embaçar com o tempo.
Hoje me sinto tão pouco olhado e então lembro
dos meus pais enquanto eram meus espelhos
enquanto eram minhas vidraças embaçadas
e quando voltaram a ser meus espelhos novamente.
Um dia todos seremos vidraças
e de uma transparência muito limpa
que até poderão ver através de nós todo céu
enquanto lembranças dos espelhos
ficarão refletindo nos corações saudosos.

domingo, 15 de julho de 2012

Entre a terceira e a quarta dimensões / por O.Heinze

No alto de uma montanha intocável
que somente por pensamento se pode ir
ovelhas e nuvens brancas andam juntas
ora parecendo voar, ora parecendo no chão.
Numa lousa azul feita de puro céu
a paz é escrita por borboletas
e flores sempre-vivas jamais adormecem
sobre o esmeraldino tapete de relva.
O ar é o alimento dos que aqui existem
tempo é algo que não se conta
e campainha nem há, mas toca
a campainha toca pela segunda vez
fazendo-me descer da montanha alta
para minha sala a quase nível do mar.
Abro a porta e alguém muito sorridente
quer me vender coisas pesadas
dessas que se usam nas grandes cidades
igual a que vejo por detrás do vendedor.
Agradeço, fecho a porta e me sento
entre a terceira e a quarta dimensões
tentando lembrar que dia é hoje mesmo?!

domingo, 8 de julho de 2012

Fábrica de Borboletas

Minha tela a óleo finalizada em Julho de 2012.




















Título: Fábrica de Borboletas.
Dia blue / por O.Heinze

O dia era blue, beautiful.
Então os sóbrios pardais
vestiram do mais puro azul
enaltecendo os quintais.
Os céticos, pobres de alegria
disseram ser pássaros sanhaços.
Que culpa temos eu e poesia
se estávamos aos abraços?!
Por dentro do meu ser
tudo era magnifique, wumderbar
num amor que chegava a doer
de uma sensação sem par.
Bicos-de-lacres em lindo tom
eram para mim coleirinhas
com lábios de coral batom
soando doces campainhas.
Enfim, nesse dia wonderful
os sérios viviam da razão
enquanto minha loucura azul
era tão somente emoção.

domingo, 1 de julho de 2012

Porque metade de mim é noite








 fotografia de O.Heinze












Porque metade de mim é noite / por O.Heinze

A noite me é mais
muito mais que isso:
esse azul profundo;
essas estrelas perdidas;
perfume doutro mundo;
quatro luas distraídas;
contraste de pirilampos;
cantares de insetos;
silhuetas dos campos;
das mariposas o teto;
espaço de fantasias;
sinônimo de madrugada;
inspiração de melodias;
paixão desenfreada.
A noite é meu poder;
metade do meu rosto;
meia alma de meu ser;
templo de rir e desgosto.
A noite me é muito mais:
é o silêncio que comunica;
o vazio que completa;
o infinito que ilumina.