Aqui você encontra quase toda minha vida que é a própria ARTE. Sou poeta escritor / artista plástico / músico violonista / compositor / cantor / marceneiro / adoro fotografar / Fã da natureza (ambientalista). Ajudem-me a fazer um mundo melhor...
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sábado, 26 de novembro de 2011
Toda vez que olho no espelho
alguém dentro dele está a minha espera
alguém muito parecido comigo
mas que não conheço profundamente.
E ele também me olha fundo
tentando enxergar-me por dentro
ou além do que me há por fora.
Sempre é deste jeito
quando nos deparamos no espelho.
Às vezes falamos juntos ao mesmo tempo
e quebramos a solidão entre nós.
De certa forma nos damos bem.
Rimos e choramos das mesmas coisas
mas percebo que nunca nos mostramos inteiros
algo falta saber, sentimos que há mais...
Como se as lembranças houvessem apagado.
Pensei até em quebrar o espelho certa vez
para tentar ficar somente comigo
mas notei que seria inútil, ele sempre volta
seja lá no espelho que eu me olhar...
Penso que se ele não mais surgisse
no espelho da parede, ou da água
ou ainda das vitrines ou vidraças pelo mundo
quem sabe não o encontraria mais
na importância lá dentro de mim...
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
Existe toda cor de gente
expostas na loja Brasil.
Cada cor com seu valor
segundo avaliação própria
ou de pessoas do ramo.
Umas são consideradas caríssimas;
outras valem dentro da normalidade;
e há até classes menosprezadas.
Conheci uma pessoa simples
da qual guardo ótima lembrança.
Sua melanina tinha cor de açúcar,
não do açúcar refinado, branco,
açúcar mascavo, escuro.
O que mais recordo nela
é o branco do globo ocular
e os fortes dentes sorridentes,
parecidos com torrões de açúcar.
Éramos do mesmo colégio
e vivíamos fazendo esporte e música.
Eu às vezes doce, às vezes salgado,
mas ela... Sempre doce mascavo...
(Comemorando a Consciência Negra)
sábado, 12 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Itanhaém / foto de O.Heinze 2011
Oh barco / por O.Heinze
Ancorado solitário
na beira do lago
o barco espera por alguém...
Dias e dias se passam.
O barco boiando pacientemente
acariciando a água fria,
ora mansa, ora bravia...
Faz manhã, faz tarde, faz noite.
Faz sol, faz frio, açoite.
E o barco ali amarrado.
Passa longe um vulto penado...
Neste fim de mundo, no silêncio,
chora já o barco por dentro,
enchendo de água o fundo...
Grilos lhe cantam alegrias.
Voam fadas e pousam cotovias,
mas o barco não vê, tampouco ouve,
ele apenas antevê o submerso podre...
Gostaria tanto de lhe soltar...
Mas que jeito? Sou feito ar...
Porque esse barco preso sou eu
a um passo do mar todo meu...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
DUAS ÉPOCAS DE UMA MESMA FEIRA / por O.Heinze
Hoje é sábado, dia de ir à feira. Pego meu carrinho-de-feira velho e barulhento e saio para a rua. O dia é ensolarado, daqueles de céu totalmente azul. Vou subindo a ladeira de mais ou menos duzentos metros onde, há estacionados caminhões dos feirantes e carros dos fregueses. Um olhador de carros faz de conta que cuida deles enquanto suga profundamente seu cigarro e olha para o nada. Já estamos em 2011! Nos anos 1960 essa rua era de terra, não existiam olhadores e muito menos ladrões de carros. Depois a revestiram de paralelepípedos e chegaram os ladrões de automóveis e hoje ela está com asfalto novinho e sempre tem olhadores. São poucos caminhões e muitos carros. Quando eu era criança quase não havia carros, muito menos casas com garagens. Dezenas de caminhões da feira disputavam vagas por aqui lotando as ruas. Lembro que eu e meus amigos subíamos sobre as carrocerias deles para brincar, enquanto seus donos estavam lá na lida.
Estou a cinquenta metros da feira e o cheiro de fritura toma conta da atmosfera. Meu coração já está acelerado, o pulmão buscando mais ar por causa da subida forte. Ah que saudade daquele ar de antigamente. Pronto, cheguei! Eis a feira! Um circo a céu aberto. Lugar que adoro vir e interagir com os feirantes e todos os outros atores desse teatro fantástico. Nos dias de hoje essa feira tem dois quarteirões de comprimento, mas a quarenta e cinco anos atrás ou mais ela tinha seis. Aqui se vendia até animais vivos do tipo: galinhas, porcos, coelhos, cabritos, perus, etc. Hoje, tudo já está abatido e pronto para consumo. Naquela época havia três fileiras de barracas que vendiam de tudo e mais um pouco e elas eram enormes. Hoje são apenas duas fileiras e ainda rareadas. Com a modernização e aparição dos supermercados as feiras estão extinguindo, infelizmente. Logo aqui de cara, com seus odores marcantes, temos as bancas de peixes, frangos e miúdos de boi. Do outro lado ovos, cebolas e batatas. Vou cumprimentando em voz alta os conhecidos feirantes e também os que eu não tenho amizade, esses que chamam a atenção para a barraca deles, tentando me ganhar como novo freguês, A feira está cheia e é preciso ser malabarista para não trombar com ninguém, afinal, muita gente está no mundo da lua procurando o que precisa comprar. Há também cachorro de rua, feirante puxando carrinho de caixas, criança pequena escapando da mão da mãe. Um pedinte sentado no chão faz um gracejo e me estica a mão. O vendedor de frutas fala para a moça bonita que ela não paga nada se pegar de sua mercadoria. Passo pela banca de limões e freio! Duas comadres com seus carrinhos atravancam a passagem do povo, paradas no meio do fluxo em conversa alta e animada que de repente vira mexericos. Faço a volta e continuo dentro da massa de gente. O vozerio é alto e misturado com outros sons diversos. Eu desvio da vendedora ambulante de cafezinhos e coxinhas que tem uma só perna. Animada ele segue com a muleta que substitui a perna que lhe falta puxando seu carrinho cheio de isopores com produtos. Ufa! Cheguei à banca de laranjas, maças, entre outras frutas. Enquanto escolho as laranjas, troco conversas e brincadeiras com temas de futebol e samba com os ajudantes e o dono da banca, pago e vou para a próxima barraca. Cada feirante canta mais alto sobre seus produtos para chamar a atenção dos transeuntes, parecem tenores em plena ópera. O calor do sol é de rachar coquinho e fritar ovo no asfalto. Os cheiros se confundem: ora de frutas, ora de verduras, ora de frituras. Agora um perfume forte toma o ambiente todo e uma madame com seu cachorrinho a tira colo passa cheia de pose e queixo erguido. Seguindo a ela um moleque franzino ganhando para carregar pacientemente suas compras. Compro as bananas, depois a massa de pastel dos japoneses e agradeço enquanto levemente me curvo para frente e me despeço na língua deles. Parto. Pego uma propaganda política e compro uma raspadinha para tentar a sorte. Olho para o fim da feira as bancas de flores, cereais, condimentos, utensílios e bugigangas, mas hoje não vou levar nada dali. Paro na banca de verduras onde mais japonesas me atendem sempre sorridentes. Compro alface, chicória, salsinha, e mais um monte de coisas verdes e pago. Desejamo-nos boa semana e sorte. Sigo para a banca de legumes e no caminho encontro um conhecido. Falamos da política atual, opinamos, rimos e ou nos frustramos com assuntos do ontem, damos as mãos despedindo. Estaciono na banca de brinquedos de onde escapam bolhas de sabão e sons de apito que imita canário e adquiro uma lembrancinha para levar para uma criancinha muito querida. Alguns balões de gás tentam o tempo todo fugir para o céu aberto enquanto olhos perdidos de um menino de colo fixam neles. Vou em frente. Compro os legumes, depois os ovos e o carrinho lota. Ainda passo olhando a banca de roupas e depois a de sapatos. Penso em voltar para tomar um caldo-de-cana, mas já estou em cima da hora e pego de volta a rua de casa. Sinto-me feliz e vivo! Fazer parte deste espetáculo chamado feira-livre é mágico e divertidíssimo. Pena estar morrendo pouco a pouco.
domingo, 25 de setembro de 2011
O.Heinze em seu jardim

Cada batida de meu coração / por O.Heinze
Cada batida de meu coração
é uma afirmação de amor
de uma emoção sem causa
feito nascer do sol, da flor
se dando à torto e à direito
pois não se cabe em si.
E o universo, meu peito
se torna gratuito e pleno
do que importa: vida solta
durante o dia todo sereno
enquanto me escolta
um não sei quê de esperança
como se uma doce criança
aparecesse para mim sorrindo.
Fazendo meu coração renovado
leve, mais que abençoado
entre o acordando e dormindo...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
É quase setembro
vivo por fora e por dentro
dessas coisas tidas por banais:
pássaros procurando amores
cantando cada vez mais
estufando suas cores;
insetos mergulhados no pólen
tocando gaitas de fole;
borboletas um tanto distraídas
pousando nas flores da vida;
enquanto um quê de amplidão
traz paz do céu para o chão...
É quase setembro
vivo no agora e no que lembro
dessas coisas tidas por banais:
árvores frutíferas em flores
enchendo de perfumes os quintais
e o coração de doces calores.
E dentro desse aberto templo
fico eu com o que contemplo,
sinto, aspiro e percebo;
mais o que nem percebo
dessa dádiva do bem
minha, de mais ninguém...
Santo André, 30/08/2011.
domingo, 24 de julho de 2011
Foto que fiz do parque onde caminho e corro.
wwwdeus@combr / por O.Heinze
Nós seres humanos
apesar dos muitos idiomas
e tantos dialetos usuais
não nos entendemos.
E Deus? Será que nos entende?
Não sei! Mas certamente
ele decifra o cantar do rio;
a comunicação silenciosa da flor;
a sensação de dor no animal;
o assovio do vendaval;
o farfalhar alegre das folhas;
o grito rouco das ondas;
a vociferação do vulcão.
E a nós, será que Ele decifra?
Pelos assovios de balas perdidas?
Pelo silêncio da radiação atômica?
Pela corrupção que promove a dor?
Pelas igrejas com entendimentos opostos?
Pela nossa satisfação nos vícios?
Pelo cantar que não cantamos?
Pela coisa que gritamos ser amor?...
domingo, 3 de julho de 2011
Minirosas - foto de O.Heinze
Até que a morte vos separe / por O.Heinze
...Na saúde e na doença
na alegria e na tristeza
amando-se e respeitando-se
até que a morte vos separe...
E eis que a morte chega!
Não a do corpo
mas a da paixão
quando a carne não se deseja
e do amor
quando o coração não vibra mais.
Essa é a tal morte
que aniquila o casamento.
Quanto ao corpo e a alma?
Precisam continuar vivendo
a infinita busca ilusória
da alma gêmea;
da relação eterna...
domingo, 26 de junho de 2011
Sabiás adoram mamões
bem-te-vis, bananas
sanhaços, laranjas
e eu maçãs.
Essas maduras do teu rosto
formando água no meu gosto
mas que eu não posso beliscar
tampouco experimentar.
Não posso estar não
voando em teu coração.
Sou extinto passarinho;
apenas um teu vizinho.
Não de quintal ou de rua;
de fitar a mesma lua;
nem sequer de quarteirão.
Sou vizinho de dimensão...