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quinta-feira, 13 de junho de 2013

2° Mostra de Arte do Grande ABC




Caro(a ) amigo(a)  leitor(a),
Gostaria de compartilhar que nestes dias 22 e 23 de junho agora, sábado das 12 as 18h e domingo das 8 as 18h, estarei na mostra de arte e literatura na Tenda Central do Parque Central de Santo André – SP. Mostrarei um trabalho de pintura e dois de escultura conforme as fotos postadas acima. Ficarei imensamente agraciado com vossa presença.

PARQUE CENTRAL

O festival será realizado no Parque Central em Santo André. O parque possui pista de caminhada, ciclovia, praças de convivência, playground, lagos, palco em forma de concha, campo de futebol, 4 quadras poliespostivas, praças com equipamento de alongamento e ginástica, bicicletário, 10.500 árvores, sendo 170 transplantadas de outros locais, 40.000m2 de gramado, 8.000m2 de canteiros de herbáceas e marquise de aproximadamente 300m2.

R. José Bonifácio - Vila Assunção - Santo André - São Paulo.

COMO CHEGAR

Estação Terminal de SBC (Ônibus)

EMTU 287PIR no terminal ao lado do Paço Municipal de São Bernardo do Campo, descer no ponto Santa Tereza (em frente ao Hospital Brasil). Clique aqui para conferir o trajeto

Av. Goiás - São Caetano do Sul

EMTU 064 em direção a Mauá (Vila Mercedes), descer na R. Cel. Alfredo Fláquer (na altura do nº800) , caminhe até R. José Bonifácio.
Clique aqui para conferir o trajeto

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Apenas os lábios / por O.Heinze

De ti quero apenas os lábios.
E que mal pode haver no beijar?
Beijar é viajar a melhor viagem,
é navegar em águas mansas e doces.
Gostaria que te mostrasses outra,
doida, pecaminosa, mutante,
com vários lábios pelo corpo,
sob esvoaçantes tules transparentes.
Lábios sedentos de tudo,
tudo que rega a sede tanta.
E que quisessem todo meu eu,
este pobre ser, mas sábio,
ao sorver o segredo dos teus lábios.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Para sempre adolescente / por O.Heinze

Após quase quarenta anos
apesar de ser verídica
essa história parece fantasia.
Fomos rumo às represas,
para as bandas da serra,
com ônibus cata caipira.
Descemos na estrada
próximo ao clube de campo
e seguimos por estradinha
coberta por grossa névoa.
Enganamos o porteiro do clube
ao entrar por uma picada
no matagal ao lado da guarita.
Não demorou muito
para estarmos lá dentro,
mas também não demorou
para cair a chuva forte.
Passamos a manhã toda
entre bolachas, sucos e jogos.
No almoço roubamos sim
uns goles de caipirinha da mesa.
À tarde resolveram inventar
um baile de música lenta
e até hoje não sei explicar
da pessoa que apareceu do nada,
que nunca havia visto antes.
Me tirou para dançar,
me beijou a boca com todo amor,
toda doçura, toda magia
e sumiu para sempre após a música...
Mas também para sempre
me faz sentir adolescente...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Para dizer que falei das flores










Foto de O.Heinze







Para dizer que falei das flores / por O.Heinze

E tudo começa nas sementes
umas fêmeas outras machos.
Crescem e viram arbustos
outras chegam a ser árvores
umas de frutas, outras de gentes.
Mas as árvores gentes
também dão flores e frutas
que se encontram e se unificam
e flor e fruto dão sementes...
E se comemoram com flores
a semente que germinou.
E se lastimam com flores
a flor que despetalou.
Mas o mundo há de seguir
pois bilhões de flores prosseguem
nos campos e cidades
nos campos santos e maternidades
nas poucas e muitas idades
presas ou em liberdades...
Diga que falei das flores
sempre falei e sempre falarei.
Não porque gosto de poetizar.
Não porque vivo a amar.
Mas porque nasci de flores
me uni com flores
gerei incontáveis flores
e morrerei igual flores.
O mundo sem flores é nada!

quinta-feira, 16 de maio de 2013





















Saudade dos cantares / por O.Heinze

Saudade do mar doce
e o cantar das brancas ondas;
do céu de ar salgado
e o cantar das tantas aves;
da paz nas grandes pedras
e o cantar e frescor do vento;
do abraçar puro do sol
e o cantar dos coqueirais.

Saudade da bela praia
e o cantar da livre moça;
do barco perto e lento
e o cantar do pescador;
da areia morna e fofa
e o cantar do coração;
do tempo sem ter pressa
e o cantar da alma aberta.

Saudade vai saudade
buscar a felicidade.
Mas onde de verdade?
Tudo isso é só vontade.
A praia transformou,
não tem mais àquela idade,
e os cantos, quem cantou,
vivem só nessa saudade.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Na melhor solidão



















Osvaldo Heinze




Na melhor solidão / por O.Heinze

Acabei de roubar
deste canto da serra
flores de manacá
Ah... e quem não erra?
Mas as nuvens brancas
não me denunciarão,
pois carregam tanta paz;
nem os pássaros no chão,
pois felizes cantam mais;
nem a brisa, que, então,
silencia aos matagais;
nem o sol e o céu que são
velhos amigos leais.
Roubei só por paixão,
por amá-las demais.
Flores do meu coração,
puras irmãs fraternais,
na vida, na morte,
na alegria, na tristeza.
Tenho tanta sorte
por achar essas belezas...
Mas pensando no existir
não posso assim roubar
essas flores a me sorrir.
Devo a vida restaurar...
Toma querida planta
cole tuas flores de volta
perdoe minha paixão tanta
adeus, meu sonho te solta...
e de volta na lida
nos meus extensos varais
de roupas coloridas
bem longe dos mananciais,
me conforto nos prendedores
dependurados nos arames,
parecendo lindas flores;
insetos em enxames;
casulos de borboletas;
frutos das alegrias;
pássaros de ponta-cabeça;
células de fantasias...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Renascer








Fotografia de O.Heinze












Renascer / por O.Heinze

Chores tuas más águas
para poderes renasceres
o sol dentro de ti.
Pois que o passado
é revista velha, relida
e o presente na lida
é o que tens de real.
Os sonhos também o são
desde que te entres neles
mas para tanto é preciso
fazeres amizade com o futuro.
Chores tuas más águas
faças uma cascata delas
e depois um calmo rio
onde navegarás teu inteiro
ser doce, puro, verdadeiro
enquanto rasgas revistas
fotos, bilhetes, cartas
e todas essas histórias fartas
relembradas no teu livro vida.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Carinho / por O.Heinze

Carinho!
Sabe carinho?
Não precisa nem ser
um monte de beijos
ou uma montanha de abraços,
apenas um gesto.
Carinho!
Gato gosta,
cachorro,
passarinho,
hamster,
gente gosta.
Gente gosta!?
Gosta mesmo?
Carinho!
Alimento maior,
doação gratuita,
que custa tanto distribuir.
Somos gente ou máquinas?
Sinto-me envergonhado ao dar
e receber carinho.
Me de um empurrão.
quem sabe eu consiga
ofertar desse afeto,
que vale mais que tudo.
Me de um puxão.
Quem sabe eu permita
receber desse afeto,
que vale mais que tudo...
antes que seja tarde
e para sempre covardes
sejamos robôs frios e mudos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

E por falar em existir...






















E por falar em existir... / por O.Heinze

Se eu não existisse
não haveria mundo
pois sem mim, o mundo
se chamaria ausência
e sem mim, o universo
se chamaria saudade.
E ausência e saudade
seriam uma coisa só
chamada carência
e nada seria igual
do que se mostra hoje.
As flores não seriam todas
as datas não fariam bodas
a poesia quase que viria
o amor não seria pleno
a história não faria sentido
o Todo não seria inteiro.
Sequer viveríamos nós
nessas mesmas letras.
Igualmente tua presença
é imprescindível
para haver eternidade.
Há quem se diga ninguém
e até parece mesmo ser isso
perante a existencialidade.
Mas tire um de nós dela
e não haveria mais mundo
pois sem você, o mundo
se chamaria ausência
e sem você, o universo
se chamaria saudade.
E ausência e saudade
seriam uma coisa só...

sábado, 13 de abril de 2013

Com a pulga atrás da orelha / por O.Heinze

Sabe seu moço...
eu não tenho sequer sessenta,
mas lembro bem, muito bem,
das manadas, nuvens,
dos cardumes, bandos...
Era tanto bicho livre,
que dava gosto olhar o mundo.

Neste mísero meio século,
danamos com quase tudo.
Essa nossa raça humana
dita tão assim “racional”,
cresceu mais que erva daninha,
consumindo tudo a sua frente.
Do reino animal ”irracional”
o que restou é figurativo.
Triste homenagem besta
usar da sua imagem
para palavreado popular
dando nome as coisas:
tartarugas separando vias;
borboletas enfeitando pescoços;
macacos erguendo veículos;
zebras marcando asfaltos;
piranhas prendendo cabelos;
papagaios nos hospitais;
galos nas cabeças;
percevejos nos papeis;
cavalos nos motores;
mouses nos computadores;
onças nas pesagens;
cucos nos relógios;
pulgas atrás das orelhas;
araras nas roupas, enfim...
Ou só parte deles:
pé-de-cabra;
olho-de-gato;
rabo-de-tatu;
pata-de-vaca;
olho-de-peixe;
unha-de-gato
dente-de-leão...
Um dia, possivelmente,
nós humanos insaciáveis,
faremos parte dessa lista.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Jardim de sol / por O.Heinze

Borboleta no chão
asas já desfazendo
é hora da partida.
Para onde voarás agora
depois de ter passeado
por toda minha poesia?
Haverá lugar além
desta atmosfera de amor
com igual ou maior vida?
Desejo que sim!
Que possas renovar tuas cores
em flores a perder de vista.
Que tua liberdade
seja ainda mais leve
e a tua doçura de alma
a própria eternidade.
Mas se te sentires só
voltes para meus sonhos
naquele sempre jardim de sol.



Foto de O.Heinze

sexta-feira, 29 de março de 2013

Louco varrido










O.Heinze 










Louco varrido / por O.Heinze

Olho-me no espelho
minha imagem invertida
rio até ficar vermelho
triste vida divertida.

Sinto-me rico por abrir
um sabonete barato.
Rio apenas por rir
neste circo/mundo ingrato.

Então já que é normal
aceitar às avessas
vou achar que bem é mal
o amor nem se mereça
a vida da vida esqueça.

Vesti os pés com sapatos
ambos do lado esquerdo
e saí andando em curva
no lugar, pensando... pensando...

Bons tempos àqueles lá longe
onde era comum se viver pelado
pois como incomoda usar
a roupa do lado errado.

Como é difícil ser louco
vivendo de um jeito forçado

afinal, para o mundo, louco é louco
e o mundo todo para o louco
é infinitamente tão pouco!