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sexta-feira, 29 de março de 2013

Louco varrido










O.Heinze 










Louco varrido / por O.Heinze

Olho-me no espelho
minha imagem invertida
rio até ficar vermelho
triste vida divertida.

Sinto-me rico por abrir
um sabonete barato.
Rio apenas por rir
neste circo/mundo ingrato.

Então já que é normal
aceitar às avessas
vou achar que bem é mal
o amor nem se mereça
a vida da vida esqueça.

Vesti os pés com sapatos
ambos do lado esquerdo
e saí andando em curva
no lugar, pensando... pensando...

Bons tempos àqueles lá longe
onde era comum se viver pelado
pois como incomoda usar
a roupa do lado errado.

Como é difícil ser louco
vivendo de um jeito forçado

afinal, para o mundo, louco é louco
e o mundo todo para o louco
é infinitamente tão pouco!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Faz de conta










 guardiões do céu / foto e quadro de O.Heinze










Faz de conta / por O.Heinze

Já pensou 
se pudéssemos 
alugar um cavalo
branco e alado
por um dia?
Subir até as nuvens
recheadas de paz
e lá comprar 
um ingresso especial
para atravessar 
um portal de luz?
E ao atravessá-lo
descobrir que ali
não existe tempo
nem volta
nem lembranças
nem cavalo alado?
Que cavalo alado???



sexta-feira, 15 de março de 2013

Amigos para sempre








 Foto e arte em marcenaria de O.Heinze








Amigos para sempre / por O.Heinze

Estava aqui lembrando
de alguns amigos meus:

o engraçado marionete
surgindo detrás das cortinas
todo desengonçado e magrela;
o joão-bobo, cheio de nada,
que eu vivia empurrando fora,
mas ele voltava e voltava;
a fantoche que me animava,
falando tudo que eu queria,
gostando de tudo que eu falava;
o fiel e destemido cavalo de pau
me levando a todos os lugares;
havia ainda o amigo invisível,
ouvindo minhas lamentações
enquanto eu chorava nos meus castigos;
a amiga bola de meia
que volta e meia corríamos juntos;
o judas reaparecendo na rua
todos os sábados de aleluia,
que apesar de bem comportado
era sentenciado a pauladas e fogo;
o coringa que do nada
surgia no meio do meu jogo
trazendo no sorriso toda sorte.
Em comum todos eles continham
um recheio de não carne
e por isso provavelmente
se me tornaram amigos para sempre...


sexta-feira, 8 de março de 2013

História sem cor / por O.Heinze

Tenho visto aos bandos
seres que não gostam de cores
conversando em branco e preto
caminhando em preto e branco
cantando em branco e preto
sorrindo em preto e branco.

Até mesmo os palhaços atuais
fazem graças em branco e preto.
Crianças brincam em preto e branco.
Velhos olham em branco e preto.
Cachorros uivam em preto e branco.
Aves presas cantam em cinza.

Cadê o que dá o colorido???

Pois até nós os loucos
antes tão cheios de cores, agora,
enlouquecemos em branco e preto
blasfemamos em preto e branco
depois dançamos em branco e preto
e terminamos chorando sem cor.

Fico a me perguntar:
As pontas dos lápis de cores
não se deixam mais apontar?
As caixolas deram pau
e não sabem mais pintar?

Os arco-íris estão à solta
é preciso sentir o céu!
Ser feliz é gratuito
façamos chãos de flores!

Cada qual é o criador
da sua história de cor!...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Onde / por O.Heinze

Diga-me para onde vão
os beijos interrompidos
os olhares desviados
os bilhetes de amor rasgados
as borboletas sem flores
e as flores que não vingaram
os perdões que mal perdoaram
as poesias depois de lidas
as já curadas feridas
os corações partidos
os amores perdidos
as balas perdidas achadas
as pequenas e grandes mentiras
e as tantas lágrimas contidas...
Diga-me para onde vai
o que não é bom nem mau
o silêncio do funeral
o breve sorriso doce
o “seria bom se fosse”
o desencontro no encontro
o aceno não enxergado
o suor que não foi suado
àquele dia pulado
a dor de um aborto
o espaço do natimorto
a vontade do vento
o aleatório pensamento
e o esquecimento?...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Osvaldo Heinze na praia de Itanhaém com as mãos atrás das costas contemplando de pé o lado sul da praia numa tarde de céu de tempo bom e maré calma. 















De dentro para fora / por O.Heinze

Esta pessoa
que me mostro por fora
não sou eu.
É apenas uma capa velha
que suporta inteira
chuva, sol, vento, poeira
e preconceitos e enganos
de outras capas de humanos.

Agora, lá dentro de mim
no mais fundo dos confins
eu cresço e vivo.
E é tão longe onde estou
que me privo
e raramente lá vou.

Acho que é por isto
que eu não me acho.
Acho que é por isto
que uso apenas o capacho
este eu lá fora ateu
que tanto esculacho
pois está longe de ser eu...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cinzas mais cinzas

















Cinzas mais cinzas / por O.Heinze

As cinzas mais cinzas
são as da quarta-feira
depois que abaixa a poeira
dantes tão colorida.

E na pobre avenida
ficam apenas despojos
e foliões corajosos
mortos pela bebida.

Confetes e serpentinas
emboladas, derretidas
e meninos e meninas
voltando à velha vida.

Cinzas tão pesada
só a alma sente
demora ser soprada
do fundo lá da mente.

Os colares havaianos
parecem ter murchado
a expectativa de ano
passou num olho piscado.

Agora a rotina sem cor
aos poucos vai colorindo
pela esperança em flor
de outro carnaval vindo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Onde está Deus?

Passando aqui por esta praça
pareço ter voltado no tempo.
Apesar das mudanças no piso
e as árvores terem agigantado,
a igreja ainda é a mesma
e a atmosfera parece ter estacionado.
As pessoas continuam entrando
no templo de vitrais e estátuas,
talvez buscando falar com Deus,
mas Deus poderia se disfarçar aqui fora.
Seria Ele aquele morador de rua?
Ou quem sabe aquele arbusto ali?
Uma ou todas essas pombas juntas?
Passar-se-ia por aquela anciã?

Por essa criança sozinha?
As pessoas ao saírem da igreja
olham para o céu antes de seguir.
Será que não acharam Deus lá dentro?
Parece que não, pois assim como entraram,
voltaram para prosseguir suas vidas...
Teriam procurado por Ele direito?
E se Deus não estiver aqui fora,
não for aquele pássaro, aquela flor,
o cachorro sem dono, ou eu aqui,
o pregador da bíblia, a borboleta,
a moça de saia justa, o sino?
Se Deus não for o chão, o céu,
máquina de inventar coisas?
Seria Ele somente uma invenção,
ilusão, fantasia, lenda???
Poderia ser ainda só a fé.
Ou mesmo nem a fé humana,
pois que os outros seres
sobrevivem muito bem sem ela.
Deus pode ser medo e coragem,
amor e ódio, vida e morte?
Eu não vejo o vento, o perfume,
Deus é uma brisa perfumada?
Deus é uma energia desconhecida?
Incrível essa presença de Deus
que não vemos, cremos ou até tememos.
Deus seria apenas um expectador,
que em tudo está dentro e fora,
sem no entanto interferir?
É uma fonte inspiradora
para que a vida seja mais vida,
mesmo que para tanto a morte fria
atue em diferentes sentidos?
Enquanto isso Deus assiste a tudo,
mais perto e longe que podemos crer
e pode ser que por isso ainda
não conseguimos enxergá-Lo?

Passatempo

Título: Passatempo
Autor: O.Heinze 
Conclusão: Fevereiro de 2013
Dimensões: 50x70
Técnica: Óleo sobre tela
Tempo de trabalho: 2 meses

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Fantoche

Desenho de O.Heinze de um fantoche de cor preta movido pelas linhas... 




























O fantoche / por O.Heinze

Fantoche sem panos
meu recheio é carne
e desenganos
um herói covarde.



Ah linhas da vida
que me manipulam
me desvinculam
do bom da vida.



Fantoche sem planos
danço e ando só
procurando humanos
com alma pão-de-ló...

sábado, 26 de janeiro de 2013

Céus de meu quintal



Esse é um dos quadros que fotografei desse grande artista chamado Universo. Diariamente e a todo instante ele retrata continuamente o que lhe vai à alma.  Sou fã incontestável da sua arte magnânima que me remete ao sonho e ao prazer de tamanha beleza. Muito do que uso em minhas obras são inspirações obtidas graças à observação na criatividade desses fabulosos céus.








Entre tanto “entretanto” / por O.Heinze

Entre tanto “entretanto”
vive a minha emoção
ora dor, ora encanto
disputam o meu coração.

E entre duas vírgulas
me vou reticenciando...
Apenas duas vírgulas
separando com cuidado
o sonho do não sonhado.

Entre tanto “entretanto”
pode passar toda vida
e sem sequer no entanto
achar a tal da saída.

“Entretanto” é só ficção
poderia nem existir
mas a inflexível razão
por medo vive do porvir.

De repente comecei rir
tanto, tanto, tanto, tanto
na alegria de seguir
sem vírgula, ponto, nada!
Pulei todo “entretanto”
parei de fazer rima contada
minha vida proseou
e livre e leve escapou...