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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Minha propriedade / por O.Heinze







Resedá em meu quintal
foto de O.Heinze









 

Minha propriedade é caríssima;
tem silêncio e paz de santa missa.

Surgem flores das trincas nas calçadas
das árvores no quintal nascem passaradas.

E nas cortinas de chita vivem borboletas;
brancas e rosas com pintas pretas.

Meu varal dá roupas cheirando a sol.
Meu jardim com cerquinha é meu hall.

Nem sei quê fazer com tamanha riqueza?...
Mas também... quem quereria minha pobreza?!


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ser ou não Ser. com / por O.Heinze







 fotografia/O.Heinze













Talvez o tempo presente esteja desinteressante
e mergulhamos nas lembranças boas da vida,
mas as lembranças que jaz tão fortes
feitas o melhor filme de ação e aventura,
vão perdendo quadros atrás de quadros,
até virar uma fotografia estagnada
e depois nem isso, desbotada, jornal velho,
que mal serve para acender uma fogueira,
que ascenderia ao calor nossa alma.

Talvez o tempo presente esteja desinteressante
e voamos para um futuro incrível,
que elaboramos com carinho e gosto.
A vida no amanhã tem obrigação de ser melhor
do que esse agora que nos metemos,
mas o que planejamos para amanhã não chegou
e lembramos que hoje ainda não foi o grande dia.
Só que a esperança é a última que morre
e continuamos acreditando que o universo
atrasou um pouco àquilo que queríamos,
e os dias passam... Passam... E passam tanto
que até esquecemos o que estávamos aguardando
para um futuro melhor.

Talvez o tempo presente esteja desinteressante,
e para ficar mais colorido inventamos um vício
que nos remete para um mundo paralelo,
onde as coisas são incríveis nos primeiros dias
e achamos ter encontrado a solução para a vida.
Carregamos até outras pessoas conosco
e são tantas fazendo a mesma coisa
que acreditamos que a sociedade vai se unificar,
ser feliz, viver no paraíso, transcender de gozo!
De repente nos vemos quase numa overdose
e voltamos para a realidade do cotidiano presente.
Mas muitos não voltam, preferem outra dimensão,
creem de pés juntos que lá é melhor, mais fácil.

Talvez o tempo presente esteja desinteressante,
mas por quê, afinal? Haverá receita para mudá-lo?
Há sim! Muitas duram um tempo, até enjoar.
Será que um dia, já anjos, idolatraremos o presente,
pois o presente não será mais um tipo de tempo,
mas um estado de plenitude de vida?
Mas, e em estando nós plenos de tudo,
não sentiremos uma saudade danada do presente cruel,
que nos enclausura no passado morto
ou no futuro incógnito desta vida absurda?

Talvez o tempo presente esteja desinteressante.
Em verdade nunca estaremos inteiros em tempo algum.
Uma parte de nós não pode viver onde estamos,
e claro, não nos sentimos completos,
não nos entendemos como sendo nós mesmos.
Essa é nossa sina, tentarmos unificar nosso todo individual
e coletivo consequentemente, porém,
sem jamais realizarmos isso, pois alcançaríamos o final,
e isso seria um contrassenso, afinal,
cada um de nós nasceu para eternizar...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Melhor nu / por O.Heinze

O mundo volta e meia me é uma roupa errada,
ou no número, ou por estar do avesso.
A outra meia volta do mundo
até que parece confortável,
apenas parece, engana,
não me envolve com gosto.
Pois essa vestimenta que por fora
recobre todo meu corpo,
sufoca meu nu interior,
que vive querendo se teleportar
para um mundo de outra moda,
de outra muda... Talvez Bermudas.

domingo, 26 de julho de 2015

Adeus maledeta / por O.Heinze



fotografia de O.Heinze








Peguei carona com uma borboleta
precisava descolar do concreto,
só então deixei de olhar reto,
de acreditar na vida maledeta.

Borboletas não têm caminhos
fixos, predestinados, de espinhos,
elas somente caçam flores,
não para matá-las, roubar cores,
mas para saber de seus sabores.

Enquanto voava com ela
sobre aromas de florais e canela,
esqueci-me que eu era gente,
mas, gente e borboletas são diferentes?
Descobri que não, são iguais!
Vivem de doces sonhos imortais,
os mesmos que sempre as mantém
querendo acordar amanhã também.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gentes floridas / por O.Heinze

Quando a morte chega
levando o que de mais caro há,
a vida de um ente querido,
faz sentir-me impotente, furtado.
Sensação de terem-me arrancadas e sopradas
parte das folhas escritas
do diário de minha vida,
para um lugar que não sei...
Mas, incompreendida,
a morte deve ser, talvez,
só a porta para uma outra vida.
Prefiro pensar que a dona da foice
ceifa minhas flores preferidas
para enfeitar uma outra dimensão,
pois que aqui já fizeram o que deveriam:
florido,  formando coloridas primaveras;
amado,  gerando frutos maravilhosos;
sofrido,  para espalhar sementes de alegrias;
errado, para lembrar de que somos humanos,
e tudo para um único propósito:
festejar com lágrimas de gratidão a existência.
Após a morte passar, fica somente a história
repassando na mente e no coração, e,
por mais que possa parecer irracional,
ela faz mais viva e amada a pessoa que se foi,
muito mais que durante a vida.
Por isso agora eu desejo viver intensamente,
antes que a morte me leve para outra existência,
pois infelizmente sempre deixava para fazer amanhã
o que deveria ter feito hoje para quem eu amava.
E no amanhã a pessoa já não estava mais
enfeitando a vida deste planeta,
pois seu florescer não era mais daqui.

sábado, 11 de julho de 2015

Eu máquina do tempo / por O.Heinze

Hoje eu senti uma saudade
tão grande de mim
e sem perda de tempo
saí a me procurar...


E onde encontrar
alguém feito eu
que vivo a vagar
por tantos momentos?...


Me reencontrei no passado
nas mais diversas lembranças...
Me achei no futuro
em ilusões, fantasias, sonhos...


Mas aqui e agora
mal consigo me deter
e assim continuo solitário
pela falta de mim no presente...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Gente Humilde / Música de Vinícius de Moraes

 


Apresentação de Osvaldo Heinze na "APM de Santo André" 
com a música Gente Humilde, no encontro de escritores e músicos do grande ABC.

domingo, 31 de maio de 2015

Flor temporã / por O.Heinze

Em uma árvore, flores,
de se perder a conta.
Tantas e tantas,
que nem se percebia
de que faltava uma.
Agora que todas elas
viraram vagens e sementes,
vinga a última flor,
destacando a sua cor
da mãe tomada de verde.
A flor sente feito espinho
a incompreensão desde o ventre,
só por desejar um outro caminho,

de ser solitária e diferente.


fotografia de O.Heinze

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A vida está passando / por O.Heinze

Deixa-me amar-te
pois a vida está passando.
Ao invés de uma existência
inteira só de ilusão
guarda-me na lembrança
por toda tua vida.
Seja em um único beijo;
em um abraço caloroso;
em um olhar amoroso;
ou um sorriso de gratidão.
Mas não percas esta vida
pelo medo, por tolice,
quem foi que disse
que amar é morrer?
Deixa-te morrer de paixão,
de amor, da loucura,
que só o amor cura,
pois vida é coração.
E em amando assim,
quando mortos de verdade,
haverá tanta felicidade,
que no doce firmamento
seremos novas estrelas.
E os mortais sem amor
em vendo-nos radiantes,
desejarão ser amantes
também e com todo fulgor.

sábado, 25 de abril de 2015

Bobo da corte











foto de O.Heinze











Bobo da corte / por O.Heinze

Por minha janela simples
passam flores infinitas;
pássaros, insetos incansáveis;
nuvens e fragrâncias sonhadoras.
Tudo tem doçura intensa,
mas nunca chega a saturar.
Como fundo desse cenário
o silêncio da nova manhã,
ressaltando o zunir de asas;
o contato do vento nas folhas;
os múltiplos cantos ao léu.
Quase me esqueço do céu,
onde se acredita haver paraíso.
No chão um tapete de pétalas
para eu passar minha realeza,
sim, pois sou riquíssimo,
sem sequer me valer de moeda.
Minha coroa é um sol aberto;
meu castelo um amor incontido;
e meu reino não é deste mundo.


domingo, 19 de abril de 2015

Anjo sem asas / por O.Heinze







foto de O.Heinze















Quando no céu
retiraram minhas asas
abriu-se um véu
e eu vislumbrei casas.

Outra vida e dimensão
meia triste e alegre, contudo
aquela era a missão!

Não sabia se chorava
pelo amor que ficava
ou se sorria
pelo amor que viria.

Ao pisar no solo baixo
tremi na minha fé
mas, rapidamente um facho
de luz me pôs em pé.

Desde então vivo assim...
Meio homem, meio Serafim
fazendo valer a pena
mesmo quando o bem me condena.

Provando que o melhor alimento
ainda é o amor fora e dentro.

Voo dirigível / por O.Heinze

Voando alto no meu dirigível
é divertido; incrível!
O que era longe está perto:
as nuvens, o.v.n.is, teco-tecos;
a “turma” de gansos ou marrecos;
as pontas dos arranha-céus;
as renas do Papai Noel???
O que era perto ficou longe,
mas ainda dá para ver as formigas:
têm umas de gravatas, chiques;
outras parecendo ter chiliques;
várias andando de bicicletas,
skates ou pernas-de-pau.
São tantas formigas... Uau!!!
De todos tamanhos e cores;
até passando protetores...
Agora já sobrevoo o fim do oceano
e... Surpresa!!! Estou abismado...
Não é que o mundo é quadrado???