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domingo, 19 de abril de 2015

Anjo sem asas / por O.Heinze







foto de O.Heinze















Quando no céu
retiraram minhas asas
abriu-se um véu
e eu vislumbrei casas.

Outra vida e dimensão
meia triste e alegre, contudo
aquela era a missão!

Não sabia se chorava
pelo amor que ficava
ou se sorria
pelo amor que viria.

Ao pisar no solo baixo
tremi na minha fé
mas, rapidamente um facho
de luz me pôs em pé.

Desde então vivo assim...
Meio homem, meio Serafim
fazendo valer a pena
mesmo quando o bem me condena.

Provando que o melhor alimento
ainda é o amor fora e dentro.

Voo dirigível / por O.Heinze

Voando alto no meu dirigível
é divertido; incrível!
O que era longe está perto:
as nuvens, o.v.n.is, teco-tecos;
a “turma” de gansos ou marrecos;
as pontas dos arranha-céus;
as renas do Papai Noel???
O que era perto ficou longe,
mas ainda dá para ver as formigas:
têm umas de gravatas, chiques;
outras parecendo ter chiliques;
várias andando de bicicletas,
skates ou pernas-de-pau.
São tantas formigas... Uau!!!
De todos tamanhos e cores;
até passando protetores...
Agora já sobrevoo o fim do oceano
e... Surpresa!!! Estou abismado...
Não é que o mundo é quadrado???

domingo, 12 de abril de 2015

Moon River




Apresentação por Osvaldo Heinze na Associação Paulista de medicina de Santo André (grande ABC paulista) no encontro do café literário com escritores da região a música Moon River (composta por Henry Mancini com letra de Johnny Mercer em 1961. Foi interpretada no filme Breakfast at Tiffany's por Audrey Hepburn).

domingo, 5 de abril de 2015

Da humanidade / por O.Heinze



 





 Fotografia: O.Heinze










Talvez o erro seja desejar
todas as rosas da vida
e consequentemente seus espinhos,
que sangram fundo na alma,
fazendo verter sangue invisível,
que me remete a funerais
onde só há cravos de defunto.

Há vezes que penso em amar
tão somente o concreto,
ter um coração de pedra.
Mas uma vida sem flores,
sem poesia é bobagem!
É um existir mais frio
que o funeral vazio.

Insisto em ser masoquista.
Tantas flores sem espinhos
e vivo entre as roseiras.

Pobre humano a me enganar.
Quanto contrassenso,
tanto amor para se trocar,
mas vivo no espinheiro denso.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sanhaço azul








foto de Raquel A. Heinze









Este belo exemplar de Sanhaço azul errou o caminho e acabou por adentrar a cozinha de casa, pois sempre espalho pelas árvores do quintal frutas e dezenas de pássaros vivem nos visitando. Posso garantir que é uma emoção única, poder por alguns segundos, ter um pássaro nativo dentro da mão. É como se um tanto da natureza indomável permitisse brevemente uma relação mais próxima com um ser humano da cidade. A Criação é magnífica e precisamos achar rapidamente uma fórmula mágica para o mundo todo viver em harmonia.





Janela da manhã / por O.Heinze











foto de O.Heinze





Manhã de bom tempo.
Escancaro a janela
e um céu muito azul
mergulha na minha alma.
Um pássaro bem educado grita:
-Bem... Te vi!
O sol nem pede licença
e adentra minha casa.
Que bom! Não estou mais só.
Mas, queria ter namoradas,
feito aquele beija-flor ali.
Ah as namoradas...
O dia pode ter tudo de bom:
festa, música, confeito,
mas, sem elas, as namoradas,
o dia não é perfeito!


domingo, 29 de março de 2015

Essas areias tão sós / por O.Heinze

Na vastidão da praia
olho para o chão
onde milhões de partículas
vem e vão com a água
com o vento, com o tempo...

Essas areias tão sós
não guardam ninguém
nem mesmo as lembranças
de nossos risos e cantos
roubados pelas ventanias
nem nossas lágrimas
que lhes infiltraram, evaporando
nem nossas pegadas
lavadas pelas marés...

Na praia somos todos iguais
temos os mesmos castelos
as mesmas estrelas
o igual abraço das ondas
o mesmo universo
e a melhor liberdade
ao olhar o barco, o horizonte
e ainda mais longe... tão longe...
que esquecemos do eu adulto
e reencontramos o eu criança...

domingo, 22 de março de 2015

O cravo e a rosa / por O.Heinze





Só porque você nasceu
feita uma rosa negra
e eu um cravo branco,
não somos quistos
vivendo no mesmo jardim.
Mas se nossa seiva é igual
nossa essência, princípios,
qual poderia ser o mal?
Entre nós... Precipícios!
E saber que tens perfume,
enquanto eu, nada!
Teus espinhos sequer ferem.






Mas há plantas idolatradas
com espinhos enrustidos
Malditas, ervas daninhas,
que vivem a sufocar
as plantas de amor puro!


Sonho em podermos morar
numa jardineira só,
com vista para a liberdade,
num solo de igualdade,
sem medo e sem dó.


sexta-feira, 20 de março de 2015

O namoro

...E lá estava ela
me esperando tranquila
no gramado do parque.
Em pé e totalmente desnuda,
sob um céu inteiro azul
e um sol de onze horas.

Emocionado me aproximei
e sem perder tempo
abracei-a com força,
com todo meu amor
e assim ficamos
por um longo tempo...

Depois a beijei com carinho
e me afastei lentamente
olhando-a de baixo ao alto
enquanto tentava, talvez saber,
o que ela sentia por mim...

Disse-lhe então que voltaria
para vê-la com folhas
no auge da primavera...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Balas perdidas de açúcares / por O.Heinze

Onde se perderam as balas
de açúcares em lindas embalagens,
que docemente deveriam alcançar
as crianças carregadas de amor,
nas escolas, parques em flor,
lares, ruas, santuários e morros?
Neste meu grito de socorro
clamo aos corações de anjos:
espalhem balas doces aos jorros
onde houver ainda crianças.
Crianças de meses ou ainda,
crianças de dez, vinte ou trinta
anos e mais anos sem açúcares.
Crianças de oitenta ou cem,
que esperam de qualquer alguém,
mais doçura de coração e alma.
Mais abraços de palma com palma,
das mãos puras e inocentes,
que jamais apertariam gatilhos
que não fossem de bondade,
desencadeando velozmente
uma nova humanidade,
feita toda de docilidade.

Só podemos lamentar mesmo,
esses que disparam balas de metal
a esmo, esquecendo que, afinal,
poderia atingir um seu filho, mãe ou pai,
pois não importa quem lá adiante vai,
deveria ser tratado como criança sua,
igual ele criança que brincava na rua
e nem pensava de uma arma usar,
só pensava em brincar... brincar...



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Um amor de Borboleta / por O.Heinze

Ao redor de mim
voa uma borboleta,
às vezes mais perto,
e tanto, que pousa.

De repente afasta,
mas nunca o bastante.
Voa, voa e esparsa
suas cores no  tempo.

Está dia após dia
ganhando transparência,
ficando essência,
perfume, ar,
que tomo a respirar
para eterniza-la em mim.

Agora ela vive voando
dentro do meu eu,
ora no coração amando,
ora no estômago aflito,
ou ainda na mente,
leve e docemente.

Depois volta ao coração,
ao estômago e a mente,
pois fez meu todo assim:
sua morada, seu jardim.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Você não está pronto (a) / por O.Heinze

Na hora de tomar uma decisão difícil
enquanto você ainda precisar:
acender um cigarro;
coçar a cabeça;
tomar uma;
roer as unhas;
usar um calmante;
tremer pelo corpo;
chupar uma bala;
morder os lábios;
ficar de pernas bambas;
suar de montão;
chamar sua mãe;
pedir pra pensar;
sentir frio no estômago;
pedir ajuda aos universitários;
começar a rezar;
ter dor de cabeça;
chamar todos os santos;
perder o rumo;
se esconder no porão;
fugir que nem louco;
começar a chorar;
ter um piripaque;
querer morrer;
querer evaporar,
você ainda não está pronto (a).
E quando você estará pronto (a),
e pronto (a) para o que?
Quando acabar o confronto
do seu ego com você.