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domingo, 12 de abril de 2015

Moon River




Apresentação por Osvaldo Heinze na Associação Paulista de medicina de Santo André (grande ABC paulista) no encontro do café literário com escritores da região a música Moon River (composta por Henry Mancini com letra de Johnny Mercer em 1961. Foi interpretada no filme Breakfast at Tiffany's por Audrey Hepburn).

domingo, 5 de abril de 2015

Da humanidade / por O.Heinze



 





 Fotografia: O.Heinze










Talvez o erro seja desejar
todas as rosas da vida
e consequentemente seus espinhos,
que sangram fundo na alma,
fazendo verter sangue invisível,
que me remete a funerais
onde só há cravos de defunto.

Há vezes que penso em amar
tão somente o concreto,
ter um coração de pedra.
Mas uma vida sem flores,
sem poesia é bobagem!
É um existir mais frio
que o funeral vazio.

Insisto em ser masoquista.
Tantas flores sem espinhos
e vivo entre as roseiras.

Pobre humano a me enganar.
Quanto contrassenso,
tanto amor para se trocar,
mas vivo no espinheiro denso.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sanhaço azul








foto de Raquel A. Heinze









Este belo exemplar de Sanhaço azul errou o caminho e acabou por adentrar a cozinha de casa, pois sempre espalho pelas árvores do quintal frutas e dezenas de pássaros vivem nos visitando. Posso garantir que é uma emoção única, poder por alguns segundos, ter um pássaro nativo dentro da mão. É como se um tanto da natureza indomável permitisse brevemente uma relação mais próxima com um ser humano da cidade. A Criação é magnífica e precisamos achar rapidamente uma fórmula mágica para o mundo todo viver em harmonia.





Janela da manhã / por O.Heinze











foto de O.Heinze





Manhã de bom tempo.
Escancaro a janela
e um céu muito azul
mergulha na minha alma.
Um pássaro bem educado grita:
-Bem... Te vi!
O sol nem pede licença
e adentra minha casa.
Que bom! Não estou mais só.
Mas, queria ter namoradas,
feito aquele beija-flor ali.
Ah as namoradas...
O dia pode ter tudo de bom:
festa, música, confeito,
mas, sem elas, as namoradas,
o dia não é perfeito!


domingo, 29 de março de 2015

Essas areias tão sós / por O.Heinze

Na vastidão da praia
olho para o chão
onde milhões de partículas
vem e vão com a água
com o vento, com o tempo...

Essas areias tão sós
não guardam ninguém
nem mesmo as lembranças
de nossos risos e cantos
roubados pelas ventanias
nem nossas lágrimas
que lhes infiltraram, evaporando
nem nossas pegadas
lavadas pelas marés...

Na praia somos todos iguais
temos os mesmos castelos
as mesmas estrelas
o igual abraço das ondas
o mesmo universo
e a melhor liberdade
ao olhar o barco, o horizonte
e ainda mais longe... tão longe...
que esquecemos do eu adulto
e reencontramos o eu criança...

domingo, 22 de março de 2015

O cravo e a rosa / por O.Heinze





Só porque você nasceu
feita uma rosa negra
e eu um cravo branco,
não somos quistos
vivendo no mesmo jardim.
Mas se nossa seiva é igual
nossa essência, princípios,
qual poderia ser o mal?
Entre nós... Precipícios!
E saber que tens perfume,
enquanto eu, nada!
Teus espinhos sequer ferem.






Mas há plantas idolatradas
com espinhos enrustidos
Malditas, ervas daninhas,
que vivem a sufocar
as plantas de amor puro!


Sonho em podermos morar
numa jardineira só,
com vista para a liberdade,
num solo de igualdade,
sem medo e sem dó.


sexta-feira, 20 de março de 2015

O namoro

...E lá estava ela
me esperando tranquila
no gramado do parque.
Em pé e totalmente desnuda,
sob um céu inteiro azul
e um sol de onze horas.

Emocionado me aproximei
e sem perder tempo
abracei-a com força,
com todo meu amor
e assim ficamos
por um longo tempo...

Depois a beijei com carinho
e me afastei lentamente
olhando-a de baixo ao alto
enquanto tentava, talvez saber,
o que ela sentia por mim...

Disse-lhe então que voltaria
para vê-la com folhas
no auge da primavera...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Balas perdidas de açúcares / por O.Heinze

Onde se perderam as balas
de açúcares em lindas embalagens,
que docemente deveriam alcançar
as crianças carregadas de amor,
nas escolas, parques em flor,
lares, ruas, santuários e morros?
Neste meu grito de socorro
clamo aos corações de anjos:
espalhem balas doces aos jorros
onde houver ainda crianças.
Crianças de meses ou ainda,
crianças de dez, vinte ou trinta
anos e mais anos sem açúcares.
Crianças de oitenta ou cem,
que esperam de qualquer alguém,
mais doçura de coração e alma.
Mais abraços de palma com palma,
das mãos puras e inocentes,
que jamais apertariam gatilhos
que não fossem de bondade,
desencadeando velozmente
uma nova humanidade,
feita toda de docilidade.

Só podemos lamentar mesmo,
esses que disparam balas de metal
a esmo, esquecendo que, afinal,
poderia atingir um seu filho, mãe ou pai,
pois não importa quem lá adiante vai,
deveria ser tratado como criança sua,
igual ele criança que brincava na rua
e nem pensava de uma arma usar,
só pensava em brincar... brincar...



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Um amor de Borboleta / por O.Heinze

Ao redor de mim
voa uma borboleta,
às vezes mais perto,
e tanto, que pousa.

De repente afasta,
mas nunca o bastante.
Voa, voa e esparsa
suas cores no  tempo.

Está dia após dia
ganhando transparência,
ficando essência,
perfume, ar,
que tomo a respirar
para eterniza-la em mim.

Agora ela vive voando
dentro do meu eu,
ora no coração amando,
ora no estômago aflito,
ou ainda na mente,
leve e docemente.

Depois volta ao coração,
ao estômago e a mente,
pois fez meu todo assim:
sua morada, seu jardim.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Você não está pronto (a) / por O.Heinze

Na hora de tomar uma decisão difícil
enquanto você ainda precisar:
acender um cigarro;
coçar a cabeça;
tomar uma;
roer as unhas;
usar um calmante;
tremer pelo corpo;
chupar uma bala;
morder os lábios;
ficar de pernas bambas;
suar de montão;
chamar sua mãe;
pedir pra pensar;
sentir frio no estômago;
pedir ajuda aos universitários;
começar a rezar;
ter dor de cabeça;
chamar todos os santos;
perder o rumo;
se esconder no porão;
fugir que nem louco;
começar a chorar;
ter um piripaque;
querer morrer;
querer evaporar,
você ainda não está pronto (a).
E quando você estará pronto (a),
e pronto (a) para o que?
Quando acabar o confronto
do seu ego com você.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Espírito de Natal / por O.Heinze

Neste ano um monte de gente
vai passar o Natal com outro monte de gente.
Outro montão de pessoas
vai passar o Natal com Jesus Cristo.
Já que essa multidão e Jesus já tem companhia
vou passar o Natal apenas comigo
e minha cachorrinha de estimação.
Ó... Deus falou agora aqui para mim
que gostaria de passar o Natal comigo.
Ah... Legal! Então vai ser eu e Deus
e mais a cachorrinha de estimação.
Sabe Deus... Já que está aqui por perto
gostaria de conversar um pouco,
falar de coisas que me vão ao coração e a alma.
Neste tempo de Natal me vem lembranças
do tempo de minha infância.
Ficava triste em perceber que papai Noel
tratava as crianças de modo diferente.
Nós éramos pessoas simples,
mas sempre havia no dia vinte e cinco
um presente na árvore, mesmo que singelo.
Ainda lembro em quando olhava pela janela
e via outras crianças pobres na rua,
que não haviam ganhado nada,
nem árvore de Natal possuíam.
Meu coração apertava e não conseguia reter
as lágrimas que me pulavam dos olhos.
Pensava que a crença de magia delas
talvez fosse menor que a minha, pois
eu prendia vagalumes em caixinhas de fósforo
e estes se transformavam em moedas,
mas nas delas não, os vagalumes apenas sumiam.
Nunca, Deus, entendia essa diferença entre nós.
Até nos dias de hoje não entendo
por que sendo nós vossa imagem,
semelhança, temos destinos distintos,
magia diferenciada, merecimento desigual?!
Sabe Deus, não me responda agora.
Quando estivermos juntos no Dia de Natal,
somente eu, Você e uma cachorrinha,
dentro do Espírito Natalino,
Eu possa entender o porquê disso tudo
e chorar com um pouco mais de esperança.

domingo, 14 de dezembro de 2014

AIGOLONCET (fim da humanidade) / por O.Heinze

Uma inteligência poderosa
conseguiu chegar até nós.
Veio do espaço sideral
e se alojou no planeta.
Isso já faz um bom tempo
e nem nos apercebemos Dela.
Foi crescendo incrivelmente,
rápida e ordenadamente.
Invadiu todos nossos setores
e também os sistemas,
o mais usual hoje em dia
o da telecomunicação,
essa coisa fascinante, a qual
achamos dominar, controlar,
mas que em verdade hipnotiza,
nos consome e se apodera.
Está roubando nossa mente,
alma, sentimento, tempo,
está nos exterminando...
A cada dia vivemos menos
e Ela vive absurdamente mais...
Deixamos de amar em troca dela,
esquecemos nossa família,
nossos reais valores,
nossa humanidade pura
e damos toda atenção para Ela.
Não sei se ainda há tempo,
força para nos livrar, salvar,
pois os dias já não são os mesmos,
não tem mais vinte e quatro horas.