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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Rua santa / por O.Heinze

Minha vida
são pingos pretos
em cubos brancos
que rolam felizes
ao lado de matizes
verde, amarelo
azul, vermelho
no Om do espelho.

No tabuleiro
durante o ludo
se joga paz
tanto, que iludo
adormeço, mas...

Sonho com coisas
mágicas tais
que ao despertar
não lembro mais.

Aí crio coragem
chamo meu cavalo-de-pau
fiel, no quintal
e saio na rua de terra
numa santa guerra
caçando siriris
peões coloridos
bolas de vidros
e restos do sonho...

sábado, 28 de março de 2009

Varal do verão / por O.Heinze

Quando a brisa fresca
for empurrando o verão
para outras bandas
dependurarei no varal
da minha mente
lembranças ensolaradas
cheias de cores
e aromas adocicados
e lá elas ficarão
a balançar num aceno
durante mais ou menos
duzentos e setenta dias
num misto de saudade
e de esperança do calor.
E como fundo do varal
a paisagem correrá
ora paixão, ora vazia
passando o filme cotidiano
da minha vida
até o verão regressar
da sua longa viagem...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mulher Fada / por O.Heinze

Vivo procurando tua imagem
a tua verdadeira
pois minha imaginação é nada
tentando te idealizar...

Vou, te busco nas flores
te chamando em eco...
mas não tenho resposta
talvez por não te chamares Fada.

Busco então tua alma
noutra dimensão
e te acho pela energia
te sentindo inteira:

todo perfume
toda cor e lume
todo encantamento
forte envolvimento

mas a forma do corpo
minha visão tenta, tenta
Ah a forma do corpo
segue atrás desta venda...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Chovia na sexta treze / por O.Heinze

Ah como chovia
seguidamente
enxaguando o dia
a alma, a mente...

Tão triste chovia
que na janela
da chuva escorria
o choro dela...

Minha atenção
passou a vidraça
e viu toda ação
que havia na praça...

Sob capas, num penar
pombos sem esperança
encharcados a pensar
talvez em bonança...

Abri as folhas transparentes
para ouvir a sinfônica
tocada por passos de gente
e nuvens harmônicas...

E conversando na chuva
num linguajar chuvanhol
ouvia-se dos guarda-chuvas
assuntos de dias de sol...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Compra-se amor / por O.Heinze

Tantas lojas e ruas
com todo tipo de gente
de corpos presentes
cabeças na lua
olhares ausentes.

Em roupas belas ou cruas
pelo lado de fora
e por dentro? Ora... ora...
Igualmente nuas.

Mais lojas e ruas
menos a que preciso.
Procuro onde venda
um largo sorriso
um abraço apertado
um olhos nos olhos
meio envergonhado.

E se por força do acaso
quem nessa loja atender
não quiser me vender
mas sim trocar isso tudo...
me deixarei flutuar
num beijo longo e carnudo
no grátis de se amar...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Amor entre estrelas / por O.Heinze

Que impiedosa sina
minha doce sereia
tu não podes ser menina.
E eu então?
Nunca me farei tritão
sou alguém das areias.

Mas enquanto de madrugada
as naus descansam seus mastros
nas areias ficam marcadas
o encontro de teus rastros
com minhas novas pegadas

e ali nos amamos tanto
sob um céu de puro encanto
que a noite parece eterna
mas ao ficarmos sozinhos
você sonha em ter pernas
e eu em ser golfinho.

E igual a gaivota que mergulha
desejosa de se tornar mar
e o mar que explode e borbulha
contra a pedra na ânsia de voar

também ousamos mergulhar
na carne um do outro
tentando nossas almas juntar
transformando nós... Noutro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Minha tristeza é mais triste / por O.Heinze

Minha tristeza é mais triste
que um sonho que desiste;
que uma roseira sem rosa;
que cor de borboleta idosa
toda largada no chão,
feita assim, chuva sem razão.
Um piado perdido de filhote;
o eco do uivo de coiote.

E não é uma tristeza
de fora para comigo,
e sim, de dentro para contigo,
esse eu fraco lá fora
que poderia tudo na hora,
numa realização de coisas novas
vinda do mundo de gozos e provas.

Mas que continua aqui,
feita fruta madura caqui,
insistindo em ficar... Ficar...
Querendo ser colhida, sem deixar...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Troquei os pés pelas mãos... / por O.Heinze

...e me pus a passear
“plantando bananeira”
tendo de chão o ar
e de céu: flores rasteiras

indo feliz nessa situação
enquanto na contra mão
todo mundo achava que não

e mergulhado assim de cabeça
numa realização atemporal
meu eu criança brincava:
sou um super herói
empurrando no espaço o mundo;

meu eu adolescente viajava:
sou um revolucionário divertido
o mais livre vagabundo;

meu eu adulto se orgulhava:
minha loucura não foi em vão
tenho o mundo na palma da mão;

meu eu extraterreno sonhava:
preciso empurrar o mundo
daqui da maldade do mundo
para vida de amor profundo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Palhaço Pinóquio / por O.Heinze

Ha! Ha! Ha! Que piada!
Rio de mim mesmo.
Na praia sou torresmo
com cor de goiabada.

Chamar a atenção é good!
Meu ego quase derrete.
Cansei de puxar charrete
de ser chamado de grude.

Quem dá as cartas sou eu.
Agora dou preferência.
Nem tenho mais carência
pois mando no que é meu.

Ha! Ha! Ha! Que vida boa!
Quê? Que nariz vermelho?
Ora, vá se olhar no espelho!
Tua inveja ri atoa.

Desarticulei de tudo.
Vou viver de ar.
Montem o bilhar
achem o jogo de ludo.

Uhu! Estou tão contente.
Viva a liberdade!
Esqueci minha idade.
Solidão sai da frente!
Loja de sonhos / por O.Heinze

Roubei num tempo distante
uma faixa de praia e de mar
e guardei numa concha grande
de onde escuto o cantar

encantador: das sereias
libertador: das gaivotas
namorador: das baleias
das ondas: contra ilhotas.

E enquanto a maré vai fluindo
na praia de minhas lembranças
sinto um calor me cobrindo
da brisa salgada que dança.

Revejo um pesqueiro moroso
empurrado pela calma do acaso
num mar bem preguiçoso
de azuis aonde vou raso...

Reparo na praia tão cheia
crianças brincando, vendedores cantando
assobios e risos na areia
e minha fantasia namorando...

Eis que voltando para a realidade
essa fantasia continua fantasia
meia mentira, meia verdade
guardada nessa concha vazia...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Abracem-me / por O.Heinze

Isso! Abracem-me...
Podem todas me abraçar
brandamente enlacem
meu corpo a se doar

Porque o abraçar é tudo
que há de encantador
num momento longo, mudo
na energia do amor...

Isso! Abracem-me...
ondas mornas do mar
ah se vocês falassem
porque vem me abraçar...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Borboletas e prostitutas / por O.Heinze

Vivem soltas no parque
borboletas e prostitutas
no eterno embarque
diário de suas labutas...


Vestem-se parecidas
com cores vibrantes
fazendo-se queridas
pelos seus amantes...


Sempre perfumadas
alegres pela vida
borboletas na florada
prostitutas na avenida...


Ambas são caçadas
por seres solitários
homens nas calçadas
e meninos visionários...

Borboletas e prostitutas
consolam os tristonhos
umas vendendo frutas
outras compondo sonhos...