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quinta-feira, 24 de abril de 2008

A praça / por O.Heinze

Passei hoje
pela “nossa“ praça
onde namorávamos
à 21 anos atrás...

Ela mudou tanto
na aparência...
Os bancos são outros;
as pedras nas calçadas;
os jardins...

Mas as árvores
e a energia na atmosfera...
Ah... essas são as mesmas
e sorriram para mim
me reconhecendo...

Talvez não por fora
mas por dentro
onde minha idade
e meu amor
em nada mudaram...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Céu e margaridas / por O.Heinze

À minha frente o céu azulado
e um mar de margaridas
e também atrás, dos lados...

Nem sei o que seria maior:
o céu ou o campo florido
que se perdem no horizonte?...

Para tentar sentir
deito-me entre as flores
e o céu fica infinito sobre mim
e as margaridas em toda volta
do tamanho da primavera...

Então descubro que o maior
dentre o campo de flores
e o céu azulado
é o espírito da poesia...

domingo, 20 de abril de 2008

As flores falam... / por O.Heinze

Uma planta
enquanto apaixonada
flori...
Mas eu aqui
cheio de amores
nem produzo flores
para externar minha paixão.
No máximo mantenho
este belo botão
chamado coração...
Posso tentar
com mil palavras
quase expressar o que sinto
mas estas plantas mudas
com suas flores
exprimem com exatidão
o que lhes vão
em seus botões...
Nem te vi / por O.Heinze

Pássaros das manhãs,
tardes e noites.
Para que lugares vão
após tuas existências?
Vejo-os em bandos
e todos os dias,
mas raramente encontro
um dos vossos
largado e sem vida.
Penso que sois
tão benditos
pela inocência
de vossa natureza
que jamais morram;
apenas somem daqui...
Os que são encontrados
talvez quisessem não partir...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Oi! / por O.Heinze

E lá vou eu
feliz da vida
andando por calçadas
de ruas e avenidas.

Passo por tanta gente
que só olha pra frente.
Nesse mundo moderno
ninguém se cumprimenta
ninguém se atenta
num aperto de mão;
num abraço; num: como vão?
Num olhar; num aceno;
num: oi! Apenas um...

Mas um besouro pequeno
passa e fala: -Zuummm!!!
O pássaro no alto ali
que mal me conhece grita:
-Bem te vi!!!
E os cães atrás dos portões
me latem a plenos pulmões...

Ai... Ai... Que contra-senso;
Paro no ponto e penso...
Quanto mais pessoas juntamos
mais distantes ficamos...
10X4 / por O.Heinze

Meu quintal mede
dez por quatro metros
e essa sede
entre concretos
é minha selva
com árvores altas
plantas e relva
e nada me falta...

E minha cidade
tem tanto cimento
muros com grades
mil pavimentos
postes, fumaça
congestionamento
gente em massa
som barulhento...

Mas milagrosamente
nesta minha mata
vêm seguidamente
de cor prata
vários sanhaços
caçar com seus bicos
as flores em maços
do meu pé-de-pito...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Flores e flores / por O.Heinze

Essas flores do mato
inebriam meu olfato.
E que coisa!
Não custam nada
nem pra mariposa
nem pra passarada
nem pra minha esposa
que encantada
nem ousa
pedir-me um punhado
pro ambiente de casa
ficar perfumado...
É... Lembrei de flores
no comércio vendidas
que não tem cheiro de flores
nem conseguem ser floridas...

terça-feira, 25 de março de 2008

Arte apolítica / Crônica / por O.Heinze

Jamais pensei que mencionaria este termo: arte apolítica.
Considero que a arte seja um estado materializado da alma. Sendo assim ela é divinal, pura, incapaz de misturar-se com padrões densos de idéias políticas e materialistas. A obra artística tem o propósito simples e ingênuo de fazer o seu observador ausentar-se desta dimensão “aliviando-se” daqui. Depois de alguns momentos em contato com uma forma artística o espectador volta para sua rotina, modificado em suas energias, graças a uma impressão nova na sua individualidade, um tipo de esperança que lhe sugere um outro conceito de viver...
Infelizmente na atual classificação de certas exposições de artes plásticas (para não dizer todas), o nome do artista tem mais arte e poder que sua própria obra. Isso causa um empecilho invisível, mas intransponível para autores pouco difundidos que não conseguem alcançar patamares mais altos, afinal, esses degraus sempre já estão previamente ocupados.
Que não se envergonhem os artistas humildes por não subirem um só degrau para sair do anonimato, pois a verdadeira arte, a arte sem donos e apolítica é desprovida de créditos na terra, mas é infinitamente gratificante na essência do seu artista.

sábado, 22 de março de 2008

Ah... Tua alma / por O.Heinze

Pensas que podes
esconder de mim tua alma?
Ora! Posso pressenti-la;
quando na tua alegria
esqueces do mundo a rodar...
rodar livremente a beira-mar;
e ainda posso pressenti-la
quando improvisas de repente
cantarolando contente
repertórios de teu âmago.
E quer saber?...
Já conheço tua alma a fundo
quando no teu olhar profundo
mergulho com minha inocência
saindo deste focado mundo
para tua transparência...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Latas / por O.Heinze

Já estamos dominados
pela espécie máquina.
Somos sardinhas em lata
nas lotações centrais.
Somos carros em lata
nos congestionamentos brutais...
Somos a própria lata
disputando uma prateleira.
Somos quem vive e mata
por controle remoto.
Somos lata que acata
de uma voz da foto
a ordem do celular
da lata do outro lugar...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Janela da manhã / por O.Heinze

Manhã de bom tempo.
Eu escancaro a janela
e um céu muito azul
mergulha na minha alma.
Um pássaro bem educado grita:
-Bem... Te vi!
O sol nem pede licença
e adentra minha casa.
Que bom! Não estou mais só.
Mas, queria ter namoradas,
feito aquele beija-flor ali.
Ah as namoradas...
O dia pode ter tudo de bom;
festa, música, confeito,
mas, sem elas, as namoradas,
o dia não é perfeito!
A borboleta / por O.Heinze

Quinta-feira de sol.
Eu aqui pelas calçadas
deste centro de bairro
e suas lojas socadas.
É um tal de vai e vem,
carros, ônibus, gente;
parece tudo inconseqüente
(mais fácil entrar num trem!)
E entre toda esta bagunça,
solta no meio do cinza,
uma borboleta pinta
o ar com quatro cores,
fazendo o mundo alegre,
surrealismo tal, parece-me febre,
ilusão da visão e sensores.
Fico pensando comigo;
teria ela um amigo?
E afinal quem está
no lugar errado?
Essa borboleta aí sozinha
ou a cidade todinha?