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sábado, 8 de fevereiro de 2025

Homens de pouca fé 

por O.Heinze 

Penso que Jesus Cristo não veio mudar as leis da vida humana, e em ele estando vestindo um corpo carnal igual ao nosso, talvez, deveríamos enxergá-lo, não como se fosse um super-humano, com faculdades além das dos homens comuns, mas, mais um ser de carne e osso igual outro qualquer, entretanto, com uma fé  real. Veja que ele mesmo disse: “podeis fazer tudo o que faço e ainda mais, pois sois deuses”.

Então, imagine Jesus Cristo sem esse poder todo que colocamos sobre os seus ombros. Sinta a ele na capacidade de uma pessoa comum, todavia, com uma fé inabalável, que nós humanos não  desenvolvemos, tão somente porque jogamos toda a responsabilidade das nossas vidas e das ações sobre este mundo para o “Salvador” resolver.

(Após mais de 2.000 anos da sua morte, ainda queremos que ele volte para dar sequência ao trabalho que ainda não nos propusemos realizar).

Se entendermos Jesus Cristo de um modo totalmente livre das idealizações que relacionamos ao seu nome, nivelando a ele assim, igualmente a nós, que não enxergamos Deus, não ouvimos Deus, e até não O pressentimos, mediremos o tamanho da sua fé. A diferença nele foi e é a de ser “sabedor” de Deus, e de uma tal intensidade que lhe levou a agir da forma que nos exemplificou um caminho de verdade e vida.

Creio que ao realizar os milagres, ele não tinha super poder algum, pois ele afirmou que nós poderíamos realizar também, só que ele acreditava enquanto todos duvidavam. 

Pelo visto ainda somos descrentes do nosso poder.

Acredito que nos falte purificação de alma; de mente, de corpo; do amar, e principalmente a certeza de viver Deus.

Jesus Cristo contém Deus em si. 

Quando estivermos em um estado divino permanente, nós e Deus seremos um. A Criação e nós seremos um. E sendo Deus o Criador, nós criaremos igualmente.

Santo André - SP - Brasil.

17/01/2025.


Um Estranho no Espelho

por O.Heinze 


□E por onde tu andavas

que eu nunca antes lhe vi?!


○Se não vistes a mim antes,

talvez seja porque há muita gente 

por aí afora, roubando-te de ti. 


□Sim, mas tu me és familiar, 

apesar de jamais conhecê-lo.


○Verdade, nunca me vistes aqui,

mas há outra localidade, oculta,

para ser enxergada e vivenciada.


□E é próxima de onde estamos?


○Sim, tão próxima que não notastes.

Mas de lá eu sempre sei sobre ti.

Presenciei cada momento teu:

sorrisos aprisionados,

lágrimas reprimidas,

gestos disfarçados, 

beijos mal colados,

amigos perdidos, 

abraços mal dados,

caridade nula, 

amor que macula,

palavras mentirosas,

olhares desviados,

sonhos não sonhados.


□Mas quem és tu, afinal?


○Sou teu eu esquecido, judiado,

colocado sempre de lado.

Sou o conselheiro da verdade,

mas geralmente trocado

por bugigangas, coisas fora de ti,

que não tem valor, falsidades,

que te iludem pela eternidade

dos tempos em que te vais aqui.


□Explica-me mais claramente!


○Pois sim! Tu estás inconsciente!

Não te enxergas por dentro,

nem te ouves, nem te calas,

melhor se fizestes as malas

e partistes para os confins!

Não te sirvo mais para um fim.

Não usas do amor que lhe oferto;

dos conselhos santos que sopro;

das boas ações que sugiro;

das alegrias que lhe envolvo;

dos sonhos que engendro;

dos remorsos que lhe acuso;

das compaixões que lhe induzo;

da consciência que lhe chamo…

Anulastes a mim, 

que sou tua personalidade. 


□Eu sou bom! Sei que sou!


○Gritaste isso por ora,

pois te imaginas bom

nisso que aos poucos te devora

e consome todo o teu dom.

Nesse mundo eu não estou “on” 

e por isso não me reconheces. 

Toda veracidade está agora

neste eu que tu entorpeces,

pois insistes só no teu eu de fora.


Santo André SP Brasil. 

29 de janeiro de 2025.

Ao pólen voltarás

Ao pólen voltarás. 

por O.Heinze 


A vida é uma metamorfose,

há quem creia ou não nisso.

Você pode passar 

por toda ela se arrastando 

e olhando somente para o chão. 

Mas pode acreditar que há algo 

mais encantador para se viver, 

e após dias sonhando com isso, 

do nada, você acorda 

com uma leveza de alma  

tão expandida, que pressente 

a possibilidade de voar.

Mas não basta ter apenas asas, 

para ser alado é preciso crer.

Crença em voar é um estado 

próprio dos seres puros, 

com um amor imensurável, 

doçura eterna 

e humildade para pousar.


Santo André SP Brasil 

07/02/2025.

domingo, 29 de dezembro de 2024

 Se eu pudesse perfumar 

por O.Heinze 


As flores sequer sabem

se é natal ou um novo ano,

se são quem são,

e o verão precisa ter nome.

O que é tristeza ou fome?!

Nem sabem que são floridas,

amadas ou esquecidas.

Perfumadas pela vida,

ou sobre as pessoas já idas.

Mas são fiéis, corajosas!

Crescem em meio às guerras,

nas menos férteis terras,

brotam coloridas e formosas.

E eu? Sou apenas um ser,

achando que sou imperioso

para a vida prosseguir.

Pobre de mim orgulhoso!

As flores nem precisam pedir

em um altar todo poderoso,

para continuar seu existir.


27/12/2024.

Realidade Natural.

por O.Heinze 


Amanhecendo... 

O mundo segue calado.

Acordo avoado 

e antes de cuidar de mim, 

irei para o jardim,

onde sabiás, sanhaços,

periquitos verdes, 

tomam os espaços,

esperando animados

as frutas que sirvo sempre.

A sábia sabiá sabia

que eu iria pousar,

quando surgi no quintal

ainda sonolento.

Sinto delas um vento

para lá e para cá, voando

a um metro, passando,

igual se eu fosse outra ave,

perto de mim pousando

e sem nenhum entrave.

Acho que não me veem

sendo um humano,

talvez, um tucano,

ou, mais um do bando?!

Com certeza, sim, quando

eu, então, ainda sonado,

fico todo encantado,

me sentindo meio alado. 

Após uma meia hora,

enquanto bebo meu chá, 

já na cozinha, sentado,

vejo pela vidraça ao lado,

uma vez ou outra, a sabiá,

que pousa no telhado,

me localiza, e de lá 

fica a me observar.

Parece estar a se indagar:

Será que um dia ele irá voar?


Santo André SP Brasil. 

28/12/2024.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Estações 

por O.Heinze 


Igualmente a este mundo,

faço quatro estações,

reações do clima oriundo

da atmosfera do meu ser:

calor; morrer; frio; nascer.


Ousei todas as variáveis  

em anos e anos de ciclos,

muitos deles bem instáveis,

alguns pobres, outros ricos.


Fiz péssimas escolhas

em plena época de cores, 

criei um outono de folhas

escritas por dissabores.


Suportei infernos asfixiantes,

congelei no frio intenso, 

preso aos dias degradantes

consumidores do meu senso.


Mas eu soube ser temporão,

meu sol nasceu nas brumas

da tempestade do coração;

ressurgi em um céu de luna  

e no arco-íris da redenção. 


O chão ressequido do meu eu

aguei com lágrimas de verão, 

e do sofrido espinheiro ateu

surgiram flores da razão. 


Por conta da minha estadia,

o planeta agora me copia:

natureza em perturbação;

estações em desarmonia;

sobrevida em consumição. 


Santo André SP Brasil.

10 de dezembro de 2024.

Humanos sem asas

por O.Heinze 


Nascemos dos casulos,

mas preferimos não voar,

talvez, seja mais cômodo 

ter os pés firmes no chão,

rastejar e não se arriscar. 

Afinal, o que há no céu 

além de ar, amplidão  

e nuvens perdidas?!

Se existe algo a mais,

as borboletas não falaram.

Sei que os pássaros 

cantam assim que pousam,

parecendo ter sentido algo

que os fez mais felizes,

de modo que lá acima

dá para perceber uma vida

que aqui abaixo não. 

As abelhas me disseram

que lá existem caminhos

feitos de doces perfumes.

As libélulas confessaram

ter visto a deusa da poesia

esvoaçando sobre jardins

e lagoas encantadas.

Os pirilampos confirmaram

que eles são os condutores 

das energias do natal.

Eu não ficaria surpreso

se as cegonhas realmente

entregassem bebês e

o Papai Noel voasse

em seu trenó com renas,

visto que na atmosfera 

deve mesmo haver 

grande magia, porque

os balões de gás querem

escapar das criancinhas

e desaparecer no azul

mais alto do céu;

as pipas dançam de alegria,

abraçadas pelas brisas

sopradas pela liberdade;

as folhas saltam das árvores

em um voo aventureiro,

de peripécias, antes de

finalmente beijarem a terra.

Por certo que o arco-íris

e a aurora boreal fazem

nossas almas se elevarem

emocionalmente e nos 

sentimos até angelicais.

Então, se você é humano

e sente que possui asas,

voe, por favor, voe longe!

Não tenha medo de perder

o chão das mesmices,

pois se você voar de verdade

jamais ficará sem chão,

muito pelo contrário,

você finalmente se sentirá 

vivo, leve, livre, pleno

e cantarolando ao pousar.

…E mesmo que isso tudo

não passe de fantasias,

sonhos, histórias de ninar,

comemore, encha o ar

de confetes, serpentinas,

de fogos de artifícios e

drones de luzes coloridas,

para vencer as sombras 

das guerras que pairam 

no ar…


Santo André SP Brasil. 

16 de dezembro de 2024.

sábado, 28 de setembro de 2024

A dança das borboletas
por O.Heinze 

Um duo de borboletas
dança de amarelo no ar
formando o símbolo DNA.
Sobem e descem alheias 
ao mundo, vivem no  limiar
da paixão sem cadeias
longe do chão do limitar
e perto das flores cheias
de néctar a perfumar.
E eu aqui sem asas
colado ao chão e sozinho.
Meu coração têm brasas 
igual coração de menino.
Meus olhos rodopiam
para lá e para cá 
e tão felizes copiam
a dança do acasalar.
Posso viver solitário 
mas não roubarei a flor
nem farei borboletário
para forçar um amor.
Amar é algo libertador
igual borboletas a dançar
faz voar, preencher de cor
um inexplicável adoçar. 

Santo André SP Brasil, 27/09/2024.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Coroa de Espinhos 

por O.Heinze 


E quem aceita a coroa de espinhos,

mesmo que feita em puro ouro,

incrustada de pedras preciosas 

e com a herança mais poderosa?


Pois quem a vestí-la será forte

de amor, verdade e eternidade,

mas não terá posses no mundo,

nem amigos por um segundo.


Talvez lhe tratem feito um rei,

lhe escutem em tudo que ensinar,

mas se irão acreditar, não sei,

talvez alguns seguirão seu andar.


Acredite você ou não, 

a coroa exige dor e perdão, 

para somente, então,

se ter a ressurreição. 


Passe o seu camelo

pelo buraco da agulha;

mude a montanha de lugar;

ande sobre o mar sem afundar.


Liberte o endemoninhado;

ressuscite o falecido; 

multiplique os pães;

resista às tentações. 


Cure aos desconhecidos; 

perdoe aquele que te condenar;

seja pregado na cruz infame;

creia no invisível do céu e ame.


Santo André SP Brasil.

23/09/2024.

sábado, 7 de setembro de 2024

Alma em flor

para Jordana 

por O.Heinze 


De qual maneira

adjetivar a tua alma?!

Talvez, Jordana seja 

a própria flor disfarçada 

em doçura de mulher,

a perfumar os horizontes;

a nortear homens perdidos 

do amor e da inocência. 

Jordana, essa essência 

da pureza e simplicidade,

alquimia que extasia

pessoas incrédulas

à procura da paz.

Somente a magia no ar

sabe da tua transparência:

misto de sofrer e amar;

de viver e sonhar.


Santo André - SP - Brasil,

07 de setembro de 2024.


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Abraçando os joelhos
por O.Heinze 

Ninguém rouba o meu chorar 
são lágrimas candentes pelas
dores e os prazeres de amar
que a emoção sabe fazê-las
nascer do céu do meu olhar.
São minhas benditas estrelas
a brilhar, brilhar, até sossegar…
E quem mais poderá tê-las?
Não são coisas de se comprar!
Ninguém jamais irá sabê-las!
Somente eu as sei criar,
e o momento de concedê-las
fazendo minh’alma desafogar.

Se eu choro
é para não ver alguém chorar
pois, não ignoro
a carência de se fazer sonhar. 
Então, eu moro
sozinho em meu soluçar.
Já não imploro
o amor que não podem dar.

Santo André, SP - Brasil, 27/8/2024.