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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Inferno disfarçado / por O.Heinze

Minha pretensão é mergulhar em tuas carnes geladas, 
na ânsia de então, alcançar tua alma enfeitiçada. 
E, por favor, não faças nada! 
Não grites, não chores, nem gozes, nem de risadas. 
Não finjas, não fales, nem gemas todos teus males. 
Não mexas, não sintas minhas queixas indistintas.
 Apenas olhes para mim, repares, cansei disso assim, por favor, sares! 
Despertes em teu coração, antes que ele pare! 
Voltes à razão, antes que nos separe! 
Só me deitei contigo, para sentir se eras comigo?! 
Penses, eu lhe peço: saias desse recesso. 
Tu jamais comprarás o Céu e adquirirás cântaros de mel... 
Estás te tornando mais uma estátua, 
dessas que vives zombando e te trazem mágoa. 
Agora me vou sabendo que te perdi. 
Aquele que voar, voou, quem ficar, ai de ti! 
O amor legítimo é raro e iluminador. 
Pagues o teu dízimo e compres a tua dor!
 
Santo André, 12/01/2020.

Eu Ludo / por O.Heinze

 

A vida é um jogo e eu sou um dado. 
Em dado momento, dado, em outro guardado. 
E que caminho longo este jogo conhecido, 
ao mesmo tempo, nele me acho tão perdido. 
Sou o dado branco sem número, jogado. 
Vou de casa em casa, sem rumo, sem casa. 
A vida é o quê? É um ludo, um dado, 
onde confinado tento tudo quadrado. 
Há casas especiais que me fazem andar, 
não, não são igrejas, essas jogam para o ar. 
Outras casas ruins me fazem voltar 
e ainda há muitas me mantendo no lugar. 
Este jogo tem começo e fim, 
muitas casas para estar. 
Luto, iludo, fico puto! 
Ah!!! Não quero mais brincar!
 
Santo André, 09/12/2019.

Amor pelo cinza / por O.Heinze


...e do nada a poesia pousa sobre o concreto insensível
 e igual poesia concreta ela se torna visível. 
Igual nunca, então, ousa deixar de ser discreta 
e se fazer possível mas isso a infecta. 
Nessa vida cousa um tanto desprezível 
e morte lhe injeta.

5 de dezembro de 2019

 

Deus nos perdoe / por O.Heinze

Deus não é para ser falado,

pois a boca mente, inventa, aumenta, diminui... 

Ele deve ser vivido, sentido, amado. 

Deus não precisa ser aprendido, 

Ele É Nato, Absoluto em cada ser.

 

28 de setembro de 2020.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Hoje: um estar... / por O.Heinze

Perguntei ao pássaro
o que esperar do amanhã?
E ele nada respondeu,
sequer conhacia esse advérbio.
E ontem, o anteontem,
tens lembranças boas?
Ao mes passado, onde passaras,
onde dormiras, onde acordaras?
Ele me olhou para além,
igual se eu fosse transparente.
Cantou, cantou, voou...
Pousou no galho à frente.
Em si toda alegria, vida!
Em mim o entusiasmo
em receber este presente:
de estar hoje feito o pássaro.
Volte alma, podes voltar!
Desça já desse galho!
Em tua luz me espalho,
por hoje basta de voar...

Santo André, 23/10/2019.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O amor... / por O.Heinze

O amor...

Dizem tanto do amor,

mas o amor é indizível.

Quem realmente o conheceu

nunca o soube explicar.

Mas porque trouxe a esta vida

um tanto da alma

que é imaculada, o sabe.

Quando isto acontece

a pessoa se sente um tanto tola,

não por estar amando,

mas por se sentir

puro e ingênuo por uns tempos,

somente por uns tempos sim,

porque a alma na sua sublimação,

não pode se expor tanto nesta energia baixa.

Esta pessoa se apercebe

da sua capacidade angelical.

Sim, podemos ser anjos ou demônios,

tudo é uma questão de escolha.

Talvez por isso mesmo

dizem que uma pessoa sem amor não tem alma

e outra pessoa chegar a irradiar luz.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Parábola da Borboleta / por O.Heinze

No deserto desta existência 
vive um arbusto fecundo, 
de uma generosidade pura, 
desinteressada e contínua... 
Certa feita, uma linda borboleta 
passou em seu voo tristemente, 
então, a planta fez desabrochar 
uma flor temporã exuberante,
rica em néctares e cores, 
para fazer vida à borboleta. 
Esta, atraída, pousou na flor, 
fazendo uma pétala cair, 
e assim acontecia em cada vez 
que a borboleta descia à flor, 
pois era um tanto indelicada, 
inconsequente e afobada, 
mas adorava sentir a doçura 
do coração da flor encantada. 
Um dia ela derrubou a última pétala 
e o coração da flor deitou.
Sem ter mais a flor para pousar,
a borboleta ficou sem chão 
e tudo em redor eram cactos e areão. 
Triste a borboleta voou sem caminhos, 
com sede de amor só e cansada,
morrendo sobre os seus espinhos.

O Encontro por / O.Heinze


Eis que todos queremos ser protagonizados nesta experiência de vida, pondo a cabeça mais alto para sermos mais vistos que os demais e assistirmos tudo de cima para baixo, mas... Se não passamos de um bando de zebras, apenas com listras diversas e que tão somente nos distinguimos aos olhos do Criador... Talvez se perdermos nossas listras que nos encarceram no orgulho, poderíamos ser portadores de asas de luz e então, abençoarmos do alto os que insistem em rastejar no egoísmo, na prepotência, no descaso, na ignorância?!... E pararíamos de digladiar por um poder mesquinho e insano. Mas dia virá que nos preencheremos de amor; compaixão; pureza; verdade e sublimação e nossa alma elevará e expandirá ao ponto de sentirmos Deus na essência. Ele adentrará nossa consciência e nos mostraremos por inteiro. Deus nos revelará o porque das mazelas da vida, então, jamais seremos os mesmos e o mundo se nos parecerá outro. Repararemos mais nas flores, animais, nuvens, marés e o passear do sol e da lua. Perceberemos o quanto estamos afastados da Criação e de nós mesmos. Entenderemos que se o planeta morrer antes da nossa evolução, bem, amargaremos uma falta de chão que parecerá pesadamente vazia e eterna.

Cotidiano de humano / por O.Heinze

Hoje um sol gigante
nasceu todo meu
logo me reconheceu
abriu um sorriso radiante
e seu abraço me aqueceu.


As nuvens não levantaram
no céu de azul irreal
não ouvi o velho pardal
mas ararinhas voaram
e seus gritos me alegraram.


A brisa soprou ar quente
balançando as plantas
borboletas... eram tantas...
agora vejo raramente
pairando por estas bandas.


Toda essa cidade grande
engoliu a mata em cores
no asfalto não nascem flores
na rua não passa elefante
nascem mais automotores.


Tudo quase já é concreto
com exceção do meu sonhar
que nada me poderia roubar
pois que é tão secreto
difícil até de eu achar.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Eu já fui rico / por O.Heinze

Eu já fui rico.
Havia escondido sob minhas terras tonelas e mais toneladas de ouro, prata e pedras das mais preciosas.
Mas piratas me saquearam quase tudo, os malditos!
Contudo, ainda possuía milhares de hectares de florestas litorâneas, onde um tipo de árvore muito especial possuía uma seiva vermelha feito sangue. Foi muito o sangue que fizeram dessas árvores, os tais corsários sem escrúpulos.
Haviam ainda sobre todas as minhas terras milhares de gentes nativas, que foram barbarizadas e aniquiladas por esses tais seres sem alma, vindos dos infernos.
Os tais navegantes ladrões não tinham limites. Na ânsia de enriquecerem ainda mais iam cometendo todo tipo de atrocidade. Essa estirpe do mal só fez crescer por aqui.
Começaram a roubar tribos de pessoas de cor de outro grande continente para serem vendidos e escravizados nos meus territórios santos.
Na somatória de tanto sacrilégio fui enfraquecendo, adoecendo ano após ano. Estou perto de desistir de tudo, pois muita coisa já dezimaram. Desviaram e poluiram meus rios. O extenso oceano que se me encosta está morto, sujo, sem vida.
O céu já sem estrelas é aquário de poluições, onde os perfumes já não tomam o ar, pois não há perfumes, não há ar.
E o que vejo atualmente ao olhar tanto progresso são:
a devastidão e devassidão.
Muitos esqueceram de mim, de quem eu sou. Então eu me reapresento. Meu nome é Brasil.

Acredite se quiser / por O.Heinze

Estava eu aqui pensando...
O ser mulher - acho - busca um homem quase que perfeito para ter uma união estável e feliz, seja em matrimônio, ou em parceria de vida.
Pois bem... Achei sempre ser eu um bom partido, afinal, meu currículo não é de se jogar fora:
Nome: Osvaldo Heinze
Altura: 1.70m.
Peso: 63kg.
Olhos: verdes.
Cabelos: castanhos grisalhos.
Escolaridade: ensino médio completo
Profissão: marceneiro.
Hobby: pintor artístico; escultor; desenhista; violonista; cantor; compositor; escritor; fotógrafo; ambientalista; jardineiro; corredor de rua, rotina de exercicios; por frutas nas árvores para os passarinhos e água doce para os colibrís; praticante da meditação. Entendo de moda, maquiagem e etiqueta.
Religião: Deus; respeitador de todas religiões, seitas etc.
Outras funções: dono de casa em todas as tarefas de limpeza da casa; lavar roupa; lavar louça; passar; cozinhar; manutenção de carro; manutenção da oficina; manutenção da casa em: hidráulica; elétrica, um tanto de eletrônica, pintura, jardinagem; compras de mercado e feira; idas ao banco; cuidar da cachorrinha de estimação; outras coisas que agora não lembro...
Demais considerações: sou educado, cortez, romântico, carinhoso, fraterno e pontual em horários. Choro assistindo filmes tristes. Adoro presentear com flores, bichinhos de pelúcia e deixar bilhetinhos ou mensagens de carinho. Ah... Quanto àquilo??? Não, não sou de agir feito um galo. Também não sou machista, racista ou preconceituoso. Sou fiel à mulher a quem amo e adoro beijar-lhe as mãos. Não bebo, fumo, nem jogo em jogos de azar. Sou lácteo vegetariano. Amo crianças, a paz e a Natureza. Vejo na mulher uma inspiração para a vida e sou seu fã incondicional.
Acreditem... Ao saberem de mim, muitas mulheres sequer começaram um romance comigo. Muito provavelmente acharam que eu estava mentindo, ou nem era deste planeta.
Outras, que chagaram a ficar por um tempo em uma relação, não suportaram a rotina com alguém assim tão certinho feito eu.
Bem... Só posso sentir por essas mulheres, pois poderão vir a sofrer nas mãos de malandros, desocupados, exploradores, violentos, ilusionistas, traidores, enganadores e outros tantos tipos dessa estirpe. Ou não, podem encontrar alguém que satisfaça seu querer plenamente, afinal, gosto não se discute.

Parábola da Borboleta / por O.Heinze

No deserto desta existência
vive um arbusto fecundo,
de uma generosidade pura,
desinteressada e contínua...
Certa feita, uma linda borboleta
passou em seu voo tristemente,
então, a planta fez desabrochar
uma flor temporã exuberante,
rica em néctares e cores,
para fazer vida à borboleta.
Esta, atraída, pousou na flor,
fazendo uma pétala cair,
e assim acontecia em cada vez
que a borboleta descia à flor,
pois era um tanto indelicada,
inconsequente e afobada,
mas adorava sentir a doçura
do coração da flor encantada.
Um dia ela derrubou a última pétala
e o coração da flor deitou.
Sem ter mais a flor para pousar
a borboleta ficou sem chão
e tudo em redor eram cactos e areião.
Triste a borboleta voou sem caminhos,
com sede de amor, só e cansada,
morrendo sobre os seus espinhos.


Santo André, 29 e 30 de junho de 2019.