Aqui você encontra quase toda minha vida que é a própria ARTE. Sou poeta escritor / artista plástico / músico violonista / compositor / cantor / marceneiro / adoro fotografar / Fã da natureza (ambientalista). Ajudem-me a fazer um mundo melhor...
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Pessoas se reúnem ou não
confraternizando.
Cada qual achando que sua alegria
é sentida pelas demais
ou a tristeza também.
Mas não, com certeza!
Cada ser sente unicamente,
numa contemplação íntima
a soma de mais um ano.
E algo fala ao coração
à alma, algo nos fala...
Mas não entendemos o dialeto
que na forma de emoção grita
para logo em seguida calar fundo.
E fora de nós músicas entoam,
fogos explodem, burburinho,
estando nós em festa ou não.
Mais uma vez é Natal.
E enquanto tanto acontece
parece que algo nos falta.
Parece que nossa alma velha
sente um quê de criança órfão.
Pois hoje é Natal... É Natal...
Que o presente nos seja o Amor...
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Gostaria neste Natal
de ganhar uma moradia.
De preferência numa ilha,
deserta e nos confins...
E quando estivesse por lá
eu poderia viver assim...
Daquilo que bem entendesse...
Usaria como moda: o nu;
como condução: uma jangada;
como programação: a paisagem
como dinheiro: o ouro do sol,
a prata da lua
e os brilhantes das estrelas...
A música seria ambiente;
a mansão de pau-a-pique;
a água de coco;
o palmito sem conserva;
a chuva sem acidez;
o céu sem barulho;
e para companhia: um amigo sumido,
que eu não dava atenção a tempos...
Eu mesmo!
E aí finalmente
sentiria o Espírito de Natal,
pois teria o melhor presente:
Eu, verdadeiramente...
sábado, 26 de novembro de 2011
Toda vez que olho no espelho
alguém dentro dele está a minha espera
alguém muito parecido comigo
mas que não conheço profundamente.
E ele também me olha fundo
tentando enxergar-me por dentro
ou além do que me há por fora.
Sempre é deste jeito
quando nos deparamos no espelho.
Às vezes falamos juntos ao mesmo tempo
e quebramos a solidão entre nós.
De certa forma nos damos bem.
Rimos e choramos das mesmas coisas
mas percebo que nunca nos mostramos inteiros
algo falta saber, sentimos que há mais...
Como se as lembranças houvessem apagado.
Pensei até em quebrar o espelho certa vez
para tentar ficar somente comigo
mas notei que seria inútil, ele sempre volta
seja lá no espelho que eu me olhar...
Penso que se ele não mais surgisse
no espelho da parede, ou da água
ou ainda das vitrines ou vidraças pelo mundo
quem sabe não o encontraria mais
na importância lá dentro de mim...
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
Existe toda cor de gente
expostas na loja Brasil.
Cada cor com seu valor
segundo avaliação própria
ou de pessoas do ramo.
Umas são consideradas caríssimas;
outras valem dentro da normalidade;
e há até classes menosprezadas.
Conheci uma pessoa simples
da qual guardo ótima lembrança.
Sua melanina tinha cor de açúcar,
não do açúcar refinado, branco,
açúcar mascavo, escuro.
O que mais recordo nela
é o branco do globo ocular
e os fortes dentes sorridentes,
parecidos com torrões de açúcar.
Éramos do mesmo colégio
e vivíamos fazendo esporte e música.
Eu às vezes doce, às vezes salgado,
mas ela... Sempre doce mascavo...
(Comemorando a Consciência Negra)
sábado, 12 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Itanhaém / foto de O.Heinze 2011
Oh barco / por O.Heinze
Ancorado solitário
na beira do lago
o barco espera por alguém...
Dias e dias se passam.
O barco boiando pacientemente
acariciando a água fria,
ora mansa, ora bravia...
Faz manhã, faz tarde, faz noite.
Faz sol, faz frio, açoite.
E o barco ali amarrado.
Passa longe um vulto penado...
Neste fim de mundo, no silêncio,
chora já o barco por dentro,
enchendo de água o fundo...
Grilos lhe cantam alegrias.
Voam fadas e pousam cotovias,
mas o barco não vê, tampouco ouve,
ele apenas antevê o submerso podre...
Gostaria tanto de lhe soltar...
Mas que jeito? Sou feito ar...
Porque esse barco preso sou eu
a um passo do mar todo meu...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
DUAS ÉPOCAS DE UMA MESMA FEIRA / por O.Heinze
Hoje é sábado, dia de ir à feira. Pego meu carrinho-de-feira velho e barulhento e saio para a rua. O dia é ensolarado, daqueles de céu totalmente azul. Vou subindo a ladeira de mais ou menos duzentos metros onde, há estacionados caminhões dos feirantes e carros dos fregueses. Um olhador de carros faz de conta que cuida deles enquanto suga profundamente seu cigarro e olha para o nada. Já estamos em 2011! Nos anos 1960 essa rua era de terra, não existiam olhadores e muito menos ladrões de carros. Depois a revestiram de paralelepípedos e chegaram os ladrões de automóveis e hoje ela está com asfalto novinho e sempre tem olhadores. São poucos caminhões e muitos carros. Quando eu era criança quase não havia carros, muito menos casas com garagens. Dezenas de caminhões da feira disputavam vagas por aqui lotando as ruas. Lembro que eu e meus amigos subíamos sobre as carrocerias deles para brincar, enquanto seus donos estavam lá na lida.
Estou a cinquenta metros da feira e o cheiro de fritura toma conta da atmosfera. Meu coração já está acelerado, o pulmão buscando mais ar por causa da subida forte. Ah que saudade daquele ar de antigamente. Pronto, cheguei! Eis a feira! Um circo a céu aberto. Lugar que adoro vir e interagir com os feirantes e todos os outros atores desse teatro fantástico. Nos dias de hoje essa feira tem dois quarteirões de comprimento, mas a quarenta e cinco anos atrás ou mais ela tinha seis. Aqui se vendia até animais vivos do tipo: galinhas, porcos, coelhos, cabritos, perus, etc. Hoje, tudo já está abatido e pronto para consumo. Naquela época havia três fileiras de barracas que vendiam de tudo e mais um pouco e elas eram enormes. Hoje são apenas duas fileiras e ainda rareadas. Com a modernização e aparição dos supermercados as feiras estão extinguindo, infelizmente. Logo aqui de cara, com seus odores marcantes, temos as bancas de peixes, frangos e miúdos de boi. Do outro lado ovos, cebolas e batatas. Vou cumprimentando em voz alta os conhecidos feirantes e também os que eu não tenho amizade, esses que chamam a atenção para a barraca deles, tentando me ganhar como novo freguês, A feira está cheia e é preciso ser malabarista para não trombar com ninguém, afinal, muita gente está no mundo da lua procurando o que precisa comprar. Há também cachorro de rua, feirante puxando carrinho de caixas, criança pequena escapando da mão da mãe. Um pedinte sentado no chão faz um gracejo e me estica a mão. O vendedor de frutas fala para a moça bonita que ela não paga nada se pegar de sua mercadoria. Passo pela banca de limões e freio! Duas comadres com seus carrinhos atravancam a passagem do povo, paradas no meio do fluxo em conversa alta e animada que de repente vira mexericos. Faço a volta e continuo dentro da massa de gente. O vozerio é alto e misturado com outros sons diversos. Eu desvio da vendedora ambulante de cafezinhos e coxinhas que tem uma só perna. Animada ele segue com a muleta que substitui a perna que lhe falta puxando seu carrinho cheio de isopores com produtos. Ufa! Cheguei à banca de laranjas, maças, entre outras frutas. Enquanto escolho as laranjas, troco conversas e brincadeiras com temas de futebol e samba com os ajudantes e o dono da banca, pago e vou para a próxima barraca. Cada feirante canta mais alto sobre seus produtos para chamar a atenção dos transeuntes, parecem tenores em plena ópera. O calor do sol é de rachar coquinho e fritar ovo no asfalto. Os cheiros se confundem: ora de frutas, ora de verduras, ora de frituras. Agora um perfume forte toma o ambiente todo e uma madame com seu cachorrinho a tira colo passa cheia de pose e queixo erguido. Seguindo a ela um moleque franzino ganhando para carregar pacientemente suas compras. Compro as bananas, depois a massa de pastel dos japoneses e agradeço enquanto levemente me curvo para frente e me despeço na língua deles. Parto. Pego uma propaganda política e compro uma raspadinha para tentar a sorte. Olho para o fim da feira as bancas de flores, cereais, condimentos, utensílios e bugigangas, mas hoje não vou levar nada dali. Paro na banca de verduras onde mais japonesas me atendem sempre sorridentes. Compro alface, chicória, salsinha, e mais um monte de coisas verdes e pago. Desejamo-nos boa semana e sorte. Sigo para a banca de legumes e no caminho encontro um conhecido. Falamos da política atual, opinamos, rimos e ou nos frustramos com assuntos do ontem, damos as mãos despedindo. Estaciono na banca de brinquedos de onde escapam bolhas de sabão e sons de apito que imita canário e adquiro uma lembrancinha para levar para uma criancinha muito querida. Alguns balões de gás tentam o tempo todo fugir para o céu aberto enquanto olhos perdidos de um menino de colo fixam neles. Vou em frente. Compro os legumes, depois os ovos e o carrinho lota. Ainda passo olhando a banca de roupas e depois a de sapatos. Penso em voltar para tomar um caldo-de-cana, mas já estou em cima da hora e pego de volta a rua de casa. Sinto-me feliz e vivo! Fazer parte deste espetáculo chamado feira-livre é mágico e divertidíssimo. Pena estar morrendo pouco a pouco.