Aqui você encontra quase toda minha vida que é a própria ARTE. Sou poeta escritor / artista plástico / músico violonista / compositor / cantor / marceneiro / adoro fotografar / Fã da natureza (ambientalista). Ajudem-me a fazer um mundo melhor...
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
É quase setembro
vivo por fora e por dentro
dessas coisas tidas por banais:
pássaros procurando amores
cantando cada vez mais
estufando suas cores;
insetos mergulhados no pólen
tocando gaitas de fole;
borboletas um tanto distraídas
pousando nas flores da vida;
enquanto um quê de amplidão
traz paz do céu para o chão...
É quase setembro
vivo no agora e no que lembro
dessas coisas tidas por banais:
árvores frutíferas em flores
enchendo de perfumes os quintais
e o coração de doces calores.
E dentro desse aberto templo
fico eu com o que contemplo,
sinto, aspiro e percebo;
mais o que nem percebo
dessa dádiva do bem
minha, de mais ninguém...
Santo André, 30/08/2011.
domingo, 24 de julho de 2011
Foto que fiz do parque onde caminho e corro.
wwwdeus@combr / por O.Heinze
Nós seres humanos
apesar dos muitos idiomas
e tantos dialetos usuais
não nos entendemos.
E Deus? Será que nos entende?
Não sei! Mas certamente
ele decifra o cantar do rio;
a comunicação silenciosa da flor;
a sensação de dor no animal;
o assovio do vendaval;
o farfalhar alegre das folhas;
o grito rouco das ondas;
a vociferação do vulcão.
E a nós, será que Ele decifra?
Pelos assovios de balas perdidas?
Pelo silêncio da radiação atômica?
Pela corrupção que promove a dor?
Pelas igrejas com entendimentos opostos?
Pela nossa satisfação nos vícios?
Pelo cantar que não cantamos?
Pela coisa que gritamos ser amor?...
domingo, 3 de julho de 2011
Minirosas - foto de O.Heinze
Até que a morte vos separe / por O.Heinze
...Na saúde e na doença
na alegria e na tristeza
amando-se e respeitando-se
até que a morte vos separe...
E eis que a morte chega!
Não a do corpo
mas a da paixão
quando a carne não se deseja
e do amor
quando o coração não vibra mais.
Essa é a tal morte
que aniquila o casamento.
Quanto ao corpo e a alma?
Precisam continuar vivendo
a infinita busca ilusória
da alma gêmea;
da relação eterna...
domingo, 26 de junho de 2011
Sabiás adoram mamões
bem-te-vis, bananas
sanhaços, laranjas
e eu maçãs.
Essas maduras do teu rosto
formando água no meu gosto
mas que eu não posso beliscar
tampouco experimentar.
Não posso estar não
voando em teu coração.
Sou extinto passarinho;
apenas um teu vizinho.
Não de quintal ou de rua;
de fitar a mesma lua;
nem sequer de quarteirão.
Sou vizinho de dimensão...
domingo, 19 de junho de 2011
O.Heinze no dia do voo na baixada santista.
O céu sob nossos pés / por O.Heinze
Seguimos em paz por estrada livre, própria de um dia de domingo sem feriado prolongado. Após uns 65 quilómetros chegamos ao litoral e estamos na base do morro do voo livre. Rumamos então para seu topo, por uma ruazinha que só passa um carro por vez. Às suas margens casas humildes e pessoas aparentemente desocupadas que nos olham sem muita surpresa, afinal, ainda somos apenas humanos com almas de humanos. Atingimos o cume do morro, estacionamos o carro e seguimos até o mirante a 175 metros de altura do nível do mar tranquilo, onde escorrem ondas em desenhos brancos. Navios estão colados nele, assim como ilhas e montanhas ao fundo. Mais na beirada há barcos menores e surfistas. Nas areias da praia pessoas, e também nos calçadões. Muitos prédios um ao lado do outro acompanham toda avenida principal que se perde de vista no horizonte. Toda essa paisagem parece ambiente de brinquedos que podemos manipular com as mãos ou pinças, pela impressão que a distância proporciona. Um céu azul de encher os olhos empresta seu espaço para nuvens de algodões gigantes, pássaros de grande sorte, o sol pleno e a mais pura aragem passearem a vontade. Os primeiros parapentes começam a ser montados no campo verde de decolagem, inflando-se e subindo no ar, fazendo nossos corações vibrarem diferentes. Voar pela primeira vez deve de ser emoção inenarrável e é isto que viemos fazer, voar a 200 metros de altura do solo. Para tanto, é preciso esquecer que se é humano; acreditar que quando seus pés não tem mais chão você pode planar; ser mais um pássaro; irmão do ar; morador do céu! Estamos voando e voar é ser anjo sem documento, moradia, nacionalidade, cor, idade, idealismo, nada que é deste mundo de gente. Os ventos nos sopram segredos que o mar lhes confiou; a mata é uma imensa colcha verdejante cobrindo a encosta silenciosa que parece adormecida. Vinte minutos de voo passam num piscar de olhos. Já estamos pousando na praia e é estranho: sentimo-nos diferente dos humanos que nos olham em redor. Não que eles mudaram em algo, mas nós que voamos ficamos noutra realidade que não a deles e queremos como que rapidamente voltar para o céu em busca da liberdade de lá. Voltamos de carona para o alto do morro. Agora por onde passamos a comunidade nos olha diferente, pois vamos com corpos de humanos e almas de pássaros. Pegamos nosso carro e descemos rumo à praia. Na base do morro estacionamos, trocamos nossos tênis por chinelos e saímos passeando pela orla, àquela mesma que nos parecia brinquedoteca lá do alto. Enquanto molhamos nossas pernas no raso do mar e respiramos a maresia do ar, olhamos para o pico do morro. Lá vemos pássaros e parapentes altos misturando-se no espaço aberto. Sentimos novamente a sensação do voo que palavra alguma definiria com precisão. Algo que os pássaros com almas de pássaros explicam com naturalidade quando contam ao cantar.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Almas sem pássaros / por O.Heinze
Um simples piado de pássaro
no vazio das pradarias
carrega toda eternidade
da ancestralidade.
Porém, há quem o troque
pela fração de segundo
do disparo da arma.
Um fogo maldito, curto,
no incêndio da pólvora,
mas quase interminável
quando da consciência da alma.
Pobres almas sem pássaros
mal se conseguem arrastar.
Que dirá levantar o voo
para ares dos anjos leves
que voam não pelas asas,
mas pela levitação no amor...
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Entre doze e treze e trinta / por O.Heinze
Vez em quando bate uma tristeza
sinto vontade de sentar e chorar
mas como não consigo chorar
não sento e passa a vontade.
Olho para o céu azul
e uma grande nuvem me chama
pois ela e eu estamos cheios de lágrimas
e energias afins se atraem.
Vou almoçar. Arroz, feijão e chuchu.
Meu filho pergunta do relógio na parede
se de ponta cabeça andaria ao contrário?!
A sobremesa é arroz doce.
Volto para o jardim e que alegria
passa voando uma bela borboleta.
Minha esposa foi quem a viu primeiro
estampa branca, rosa e preta.
Fico feliz em poder ver uma
antigamente se via inúmeras.
Como as borboletas não modificam
na aparência externa nem no voo
sinto-me voltar no tempo.
Retorno para a cozinha e na parede
o relógio está de ponta cabeça...
terça-feira, 10 de maio de 2011
Mikenam /por O.Heinze
À frente de mim
uma bela manequim
sem braços
e o reflexo meu
no vidro translucido
entre eu e a boneca.
E quê é mais vivo?
Eu, o manequim ou meu reflexo?
Talvez no eu negativo
e tão desconexo
o mais real e saudável
é meu reflexo impalpável
sobrepondo-se ao manequim
na busca de um sim;
um abraço mesmo que frio
devolvendo todo meu brio...

