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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

fotografia de O.Heinze

A borboleta e a sombra / por O.Heinze
Não ter que fazer da vida
é filosofar na borboleta colorida
voando num dia ensolarado
enquanto sua sombra esquecida
se arrasta no cimentado
talvez tentando reviver
o tempo de lagarta, passado!...
Ora, que bobagem a minha!
Borboletas não contam dias.
E suas sombras então?!
Nem imaginam quê são...
Se sequer um dia voarão...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Flores de Marte - Dissertação de escultura ecologicamente correta.

Sempre gostei de circo - Pena eu não ser um palhaço sério...

Levando a bicicleta para dar uma voltinha de O.Heinze


A rua da minha vida / por O.Heinze

Debruçado na janela da minha vida
fico lembrando minha rua preferida
e nela me vejo tão criança
repleto de terna esperança
e me assisto sorrindo e correndo
ou parado, chorando e sofrendo.
Brincando, pulando, gritando
ou escondido, quieto e sussurrando.
Até leio o pensamento do eu pequenino
de que quando for grande
será rico, famoso e importante
e se imaginando parece até me ver
adulto ali na janela do futuro.
Então digo para seu ser
que da maneira como é puro
já é rico, famoso e importante,
nem precisa esperar crescer,
eu é que preciso ser pequeno o bastante
para novamente minha criança merecer.

sábado, 2 de outubro de 2010

Chamo-me Fauna Flora / por O.Heinze

Não me convidem
para festas de humanos
quero outros bandos
tenho belos planos.
Prefiro rir com hienas
cantar com seriemas
chorar como os lobos
sou ambientalista, sou bobo.
Quero visitar vários ninhos
brincar com golfinhos
viajar com baleias
ser salmão nas corredeiras.
Estar na farra de maritacas
no desembestar das vacas
na peraltice de guaxinins
na trupe de pingüins.
Na solidão do peixe-boi
antes da extinção no que foi.
Imigrando com gansos
e em lagos mansos
flutuar com castores
nadar com todos nadadores.
E com liberdade voar
com todos os seres do ar.
Quero também me salgar
como os moradores do mar
e ainda entrar na terra
feito todo ser que se enterra
e então poder nascer de novo
da luz, do éter, do ovo...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O tapete mágico / por O.Heinze

Num dia de sete cores
deitei todo preguiçoso
num tapete de flores
sob jacarandá mimoso.

Talvez da primavera
eu não quisesse
o viço da hera
que tenra floresce

mas o que já é flor
você à perfumar
você com tua cor
atraindo meu voar.

Em ti então pousei
minha alma alada
e tanto, tanto amei
tua energia me dada

que explodi de paixão
acordando na verdade
do tapete no chão
do parque da cidade...
As lágrimas falam / por O.Heinze

Não tendo por que chorar
chorei para o amanhecer
talvez tentando dizer
do poder ser, poder estar...

Feliz, pois em mim havia
lágrimas de pura prata
escorrendo em cascata
pousando numa teia fria.

Tão só feito uma aranha
na teia da bendita vida
fios da alma incontida
onde a emoção me ganha.

É preciso saber morrer
para nascer de verdade
e viver com liberdade
para morrer de prazer.

Por isto choro assim
pois sou tudo e nada
sou essa teia molhada
sou criação sem fim...