Adeus amiga... / por O.Heinze
Tínhamos mais ou menos a mesma idade
quando viestes morar no meu bairro.
Éramos crianças e você por ser menina
já era mais alta, esguia e atraente.
Todos os dias te via de frente de casa,
pois era onde te fixastes por uns 40 anos...
Crescestes, floristes, virastes uma rainha
com teus mais de dez metros de altura
e copa abundante onde pássaros faziam ninhos
e insetos cantavam e dançavam entusiasmados
enquanto fartavam-se de pólen nas flores amarelas.
No outono, tuas minúsculas folhas lançadas por ti
pareciam confetes comemorando a vida em festa
e tua vida era tanta que tuas bases agigantaram
rompendo a calçada, o meio-fio e o muro forte,
obrigando tua retirada em tempo breve.
Foi estranho ver homens com máquinas potentes
cortarem teus anti-braços, braços e pontas dos pés
e depois te arrancarem de teu lar antigo,
não sei se para a morte ou terras distantes...
É difícil olhar e não te achar mais onde moravas,
só encontrar uma rua e um céu cheios de vazio.
É triste ter perdido tua preciosa companhia,
ver no teu lugar um remendo de calçada...
Aqui você encontra quase toda minha vida que é a própria ARTE. Sou poeta escritor / artista plástico / músico violonista / compositor / cantor / marceneiro / adoro fotografar / Fã da natureza (ambientalista). Ajudem-me a fazer um mundo melhor...
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O Perfumador de Flores / por O.Heinze
Eis minha vida
que ninguém conhece;
minha eterna lida
suave parecendo prece...
Não tenho nome;
nem tenho cor;
não passo fome;
vivo de flor...
Sou um designado:
o Perfumador de Flores;
vou nos jardins, vasos,
buquês de amores...
Porém, camélias,
dálias e margaridas,
preferem ser sérias,
um tanto contidas...
Transfiro, sendo assim,
o perfume que delas era,
para a rosa e o jasmim
fazerem primavera...
Ao sentires fragrância
numa flor ou no ar,
saiba que minha ânsia
vive por perfumar...
Eis minha vida
que ninguém conhece;
minha eterna lida
suave parecendo prece...
Não tenho nome;
nem tenho cor;
não passo fome;
vivo de flor...
Sou um designado:
o Perfumador de Flores;
vou nos jardins, vasos,
buquês de amores...
Porém, camélias,
dálias e margaridas,
preferem ser sérias,
um tanto contidas...
Transfiro, sendo assim,
o perfume que delas era,
para a rosa e o jasmim
fazerem primavera...
Ao sentires fragrância
numa flor ou no ar,
saiba que minha ânsia
vive por perfumar...
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Na banca de jornal / por O.Heinze
Olhando por toda banca
não me encontro em nada
nem na capa da revista santa
nem nas mais conceituadas
nem nas fofoqueiras ou pornôs
nem nas manchetes dos jornais
nem nos gibis internacionais
já dos tempos de meu avô.
Compro então uns dez pacotes
com três figurinhas em cada
encontrando reis do pagode
do funk etc. E eu? Nada!
Não me encontro na banca
nem dentro, nem na calçada
e uma pergunta tão franca
me faço na alma cansada:
Se a ilusão domina a tudo
onde a razão será usada?
Talvez na voz do mudo
na vida não enxergada...
Olhando por toda banca
não me encontro em nada
nem na capa da revista santa
nem nas mais conceituadas
nem nas fofoqueiras ou pornôs
nem nas manchetes dos jornais
nem nos gibis internacionais
já dos tempos de meu avô.
Compro então uns dez pacotes
com três figurinhas em cada
encontrando reis do pagode
do funk etc. E eu? Nada!
Não me encontro na banca
nem dentro, nem na calçada
e uma pergunta tão franca
me faço na alma cansada:
Se a ilusão domina a tudo
onde a razão será usada?
Talvez na voz do mudo
na vida não enxergada...
domingo, 31 de agosto de 2008
Astronauta do chão / por O.Heinze
O caminho acabou
o lago começou
e eu que nem percebi
continuei em frente
andando sobre as águas
como se fosse chão
ou ponte de tábuas...
Se pareço astronauta
pelos parques da Terra
é culpa de meu amor
que desconhece gravidade
no espaço da felicidade...
Quem me assistiu assim
achou ser milagre
alguém tão comum
com poder nenhum
ser leve igual ar
apenas por amar...
O caminho acabou
o lago começou
e eu que nem percebi
continuei em frente
andando sobre as águas
como se fosse chão
ou ponte de tábuas...
Se pareço astronauta
pelos parques da Terra
é culpa de meu amor
que desconhece gravidade
no espaço da felicidade...
Quem me assistiu assim
achou ser milagre
alguém tão comum
com poder nenhum
ser leve igual ar
apenas por amar...
Lábios verdes / por O.Heinze
Ela tinha os lábios verdes
não por batom ou frio
mas naturalmente verdes
verdes de esperança
verdes como botão de flor.
Certo dia seu desejo realizou:
o verde ruborizou, a flor abriu
um perfume virgem fugiu
o beija-flor fartou-se de néctar
e ela passou dançando
de um sonho para outro...
Ela tinha os lábios verdes
não por batom ou frio
mas naturalmente verdes
verdes de esperança
verdes como botão de flor.
Certo dia seu desejo realizou:
o verde ruborizou, a flor abriu
um perfume virgem fugiu
o beija-flor fartou-se de néctar
e ela passou dançando
de um sonho para outro...
domingo, 3 de agosto de 2008
Borboleta xadrez / por O.Heinze
Avistei certa vez
uma borboleta xadrez
subindo e descendo no ar
igual bandeira a voar
feliz como na vitória
com toda pompa e glória.
Ainda se bem me lembro
eu jogava em setembro
uma partida de xadrez
e foi isso que ela fez:
pousou no meu tabuleiro
como se fosse num jasmineiro
achando mesmo muito crível
ser aquilo sua flor compatível
e abrindo um sorriso brilhante
beijou e beijou a flor gigante...
Avistei certa vez
uma borboleta xadrez
subindo e descendo no ar
igual bandeira a voar
feliz como na vitória
com toda pompa e glória.
Ainda se bem me lembro
eu jogava em setembro
uma partida de xadrez
e foi isso que ela fez:
pousou no meu tabuleiro
como se fosse num jasmineiro
achando mesmo muito crível
ser aquilo sua flor compatível
e abrindo um sorriso brilhante
beijou e beijou a flor gigante...
sábado, 19 de julho de 2008
Eis a felicidade / por O.Heinze
Não é feriado nem domingo
e por esse asfalto cobalto
vou feliz feito um flamingo.
Sinto-me do chão andando alto
mais alto que o salto-alto
da nobre madame que vem vindo;
mais alto que um som contralto
de violino que vou ouvindo;
mais alto que o puro arauto
que enxerga um anjo lindo;
mais alto que o patinador
que rola, rala e sai sorrindo;
mais alto que o mergulhador
que vê o peixe-lua luzindo;
mais que o menino voador,
bicicleta e ET subindo...
Não é feriado nem domingo
e por esse asfalto cobalto
vou feliz feito um flamingo.
Sinto-me do chão andando alto
mais alto que o salto-alto
da nobre madame que vem vindo;
mais alto que um som contralto
de violino que vou ouvindo;
mais alto que o puro arauto
que enxerga um anjo lindo;
mais alto que o patinador
que rola, rala e sai sorrindo;
mais alto que o mergulhador
que vê o peixe-lua luzindo;
mais que o menino voador,
bicicleta e ET subindo...
sexta-feira, 11 de julho de 2008
FOME... OME... Ome... ome... / por O.Heinze
Temos fome por tudo:
nós, os outros;
etérea, material;
masoquista, salutar;
doce ou de sal;
por dentro, fora;
sentimentos lá atrás
e agora.
Loucamente
matamos por ela
e damos vida;
damos a vida;
danamos a vida
para tentar saciar
essa eterna ferida...
Fome: prisão!
Fazendo pesados
e esqueléticos;
lesados e atléticos.
Fazendo-nos animais;
pecadores normais;
pecadores capitais...
Sem ela seríamos anjos,
mesmo que sem asas.
Anjos negros, brancos,
vermelhos, pardos,
amarelos, invisíveis,
mas seríamos anjos,
anjos críveis...
Temos fome por tudo:
nós, os outros;
etérea, material;
masoquista, salutar;
doce ou de sal;
por dentro, fora;
sentimentos lá atrás
e agora.
Loucamente
matamos por ela
e damos vida;
damos a vida;
danamos a vida
para tentar saciar
essa eterna ferida...
Fome: prisão!
Fazendo pesados
e esqueléticos;
lesados e atléticos.
Fazendo-nos animais;
pecadores normais;
pecadores capitais...
Sem ela seríamos anjos,
mesmo que sem asas.
Anjos negros, brancos,
vermelhos, pardos,
amarelos, invisíveis,
mas seríamos anjos,
anjos críveis...
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Cisne negro / por O.Heinze
Em não podendo mais morar
nesta vestimenta humana
desejaria habitar no corpo
de um flutuante cisne negro,
para viver do silêncio
no lago tranqüilo espelhado;
na pacífica montanha adormecida;
no desprendido céu observador;
na mansuetude das aragens
vindas sopradas do norte,
tocando uma sinfonia morna,
inaudível para estes exteriores,
mas que faz valsar às almas
das tabuas, das águas na superfície,
e esta minha, agora mais branca
que a brancura da ternura,
inspirando-me, talvez, jamais acordar
de volta para a razão humana...
Em não podendo mais morar
nesta vestimenta humana
desejaria habitar no corpo
de um flutuante cisne negro,
para viver do silêncio
no lago tranqüilo espelhado;
na pacífica montanha adormecida;
no desprendido céu observador;
na mansuetude das aragens
vindas sopradas do norte,
tocando uma sinfonia morna,
inaudível para estes exteriores,
mas que faz valsar às almas
das tabuas, das águas na superfície,
e esta minha, agora mais branca
que a brancura da ternura,
inspirando-me, talvez, jamais acordar
de volta para a razão humana...
sábado, 14 de junho de 2008
Oitenta segundos... Uma eternidade... / por O.Heinze
No céu um sinaleiro
pairando igual colibri
amarelo... Vermelho!
Fazendo-me parar ali.
E no chão asfaltado
na faixa de pedestres
passando hipnotizados
lunáticos e terrestres...
Eu dentro do meu carro
flutuando no tempo
com meus olhos agarro
tudo que contemplo...
Medito ou sonho?
Tudo está tão bom...
E a paz que componho
é quebrada num fom!
O semáforo abrira
o colibri verdejou
o mundo me pedira
para voltar, então vou...
No céu um sinaleiro
pairando igual colibri
amarelo... Vermelho!
Fazendo-me parar ali.
E no chão asfaltado
na faixa de pedestres
passando hipnotizados
lunáticos e terrestres...
Eu dentro do meu carro
flutuando no tempo
com meus olhos agarro
tudo que contemplo...
Medito ou sonho?
Tudo está tão bom...
E a paz que componho
é quebrada num fom!
O semáforo abrira
o colibri verdejou
o mundo me pedira
para voltar, então vou...
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Ressurreição / por O.Heinze
As flores estampadas
neste jornal antigo
já estão desidratadas
pelo tempo de castigo.
Nem sei em pastel
qual cor mais triste
o cinza no céu
ou já no jornal
o amarelo que existe.
Eis que a chuva cresce.
Cubro-me com o jornal
que, penso, agradece
em absorver o temporal.
Quando acho um abrigo
e chacoalho o jornal
quem creria nisso???
Do jornal escorrido
caíram flores com viço...
As flores estampadas
neste jornal antigo
já estão desidratadas
pelo tempo de castigo.
Nem sei em pastel
qual cor mais triste
o cinza no céu
ou já no jornal
o amarelo que existe.
Eis que a chuva cresce.
Cubro-me com o jornal
que, penso, agradece
em absorver o temporal.
Quando acho um abrigo
e chacoalho o jornal
quem creria nisso???
Do jornal escorrido
caíram flores com viço...
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