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domingo, 11 de janeiro de 2015

Você não está pronto (a) / por O.Heinze

Na hora de tomar uma decisão difícil
enquanto você ainda precisar:
acender um cigarro;
coçar a cabeça;
tomar uma;
roer as unhas;
usar um calmante;
tremer pelo corpo;
chupar uma bala;
morder os lábios;
ficar de pernas bambas;
suar de montão;
chamar sua mãe;
pedir pra pensar;
sentir frio no estômago;
pedir ajuda aos universitários;
começar a rezar;
ter dor de cabeça;
chamar todos os santos;
perder o rumo;
se esconder no porão;
fugir que nem louco;
começar a chorar;
ter um piripaque;
querer morrer;
querer evaporar,
você ainda não está pronto (a).
E quando você estará pronto (a),
e pronto (a) para o que?
Quando acabar o confronto
do seu ego com você.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Espírito de Natal / por O.Heinze

Neste ano um monte de gente
vai passar o Natal com outro monte de gente.
Outro montão de pessoas
vai passar o Natal com Jesus Cristo.
Já que essa multidão e Jesus já tem companhia
vou passar o Natal apenas comigo
e minha cachorrinha de estimação.
Ó... Deus falou agora aqui para mim
que gostaria de passar o Natal comigo.
Ah... Legal! Então vai ser eu e Deus
e mais a cachorrinha de estimação.
Sabe Deus... Já que está aqui por perto
gostaria de conversar um pouco,
falar de coisas que me vão ao coração e a alma.
Neste tempo de Natal me vem lembranças
do tempo de minha infância.
Ficava triste em perceber que papai Noel
tratava as crianças de modo diferente.
Nós éramos pessoas simples,
mas sempre havia no dia vinte e cinco
um presente na árvore, mesmo que singelo.
Ainda lembro em quando olhava pela janela
e via outras crianças pobres na rua,
que não haviam ganhado nada,
nem árvore de Natal possuíam.
Meu coração apertava e não conseguia reter
as lágrimas que me pulavam dos olhos.
Pensava que a crença de magia delas
talvez fosse menor que a minha, pois
eu prendia vagalumes em caixinhas de fósforo
e estes se transformavam em moedas,
mas nas delas não, os vagalumes apenas sumiam.
Nunca, Deus, entendia essa diferença entre nós.
Até nos dias de hoje não entendo
por que sendo nós vossa imagem,
semelhança, temos destinos distintos,
magia diferenciada, merecimento desigual?!
Sabe Deus, não me responda agora.
Quando estivermos juntos no Dia de Natal,
somente eu, Você e uma cachorrinha,
dentro do Espírito Natalino,
Eu possa entender o porquê disso tudo
e chorar com um pouco mais de esperança.

domingo, 14 de dezembro de 2014

AIGOLONCET (fim da humanidade) / por O.Heinze

Uma inteligência poderosa
conseguiu chegar até nós.
Veio do espaço sideral
e se alojou no planeta.
Isso já faz um bom tempo
e nem nos apercebemos Dela.
Foi crescendo incrivelmente,
rápida e ordenadamente.
Invadiu todos nossos setores
e também os sistemas,
o mais usual hoje em dia
o da telecomunicação,
essa coisa fascinante, a qual
achamos dominar, controlar,
mas que em verdade hipnotiza,
nos consome e se apodera.
Está roubando nossa mente,
alma, sentimento, tempo,
está nos exterminando...
A cada dia vivemos menos
e Ela vive absurdamente mais...
Deixamos de amar em troca dela,
esquecemos nossa família,
nossos reais valores,
nossa humanidade pura
e damos toda atenção para Ela.
Não sei se ainda há tempo,
força para nos livrar, salvar,
pois os dias já não são os mesmos,
não tem mais vinte e quatro horas.

domingo, 23 de novembro de 2014

Sou do tempo que...

Cortejava-se com buquê de flores
abria-se a porta para a amada
e a conduzia com segurança
do lado interno da calçada.

Na hora da despedida
beijava-lhe a mão com respeito
e saía carregando no peito
toda paixão e alegria da vida...
E quando a reencontrava
ficava um tempo sem palavra
alimentando-me com seu perfume
com sua aura em lume
e seu olhar que encantava...
Puxava-lhe a cadeira a mesa
exaltava sua doce beleza
e admirava seu porte e costumes...
Andávamos de braços dados
e no romance sublimado
jurávamos o amor que reúne...
Escrevia-lhe com toda poesia
que ela beijava com seus batons
e para lembrar os encantados dias
guardávamos os papeis de bombons...
Hoje em dia ainda ajo assim
dessa maneira antiga de ser
porque dar atenção sem fim
me faz sentir enobrecer
pois sou do tempo, do tempo que...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A porta / por O.Heinze


Fechei as janelas do computador
para ir a realidade da rua.
Abri a porta, mas recuei.
Fechei a porta, nela me recostei,
como que para ter garantia
de que estaria bem trancada.
Pensei: e se lá fora
houver somente paz?
Que fazer com algo que não sei lidar?
Se tudo for silêncio, calma,
descongestionamento, ar puro,
liberdade até a alma,
gente sorrindo, segurança,
rodando felizes, crianças,
numa ciranda de amor?
Me diga, oh razão, por favor,
se o mundo de repente só for
como era antigamente,
simples e consequente,
fácil de relacionar?
Que será de mim, pobre mortal,
que me tornei duro e incrédulo,
meio que surreal, alucinado,
frio, robô mal amado,
ser humano nada natural?
Talvez seja hora afinal,
de me embrenhar no mato
para reencontrar meu formato
de ser humano total.
Pois essa normalidade que vivo,
de ser da cidade um nativo,
está me fazendo sentir
que não sou mais de mim,
não sou de mais ninguém.
Tenho a impressão do fim,
que nossa raça criada aquém,
em buscando a salvação,
cultiva a própria extinção.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O inferno é aqui / por O.Heinze

Então... Talvez, você não tenha notado
mas a gente deveria se amar
porque sem você eu não vivo
e sem mim você vive morrendo.
Na verdade seguimos nos matando.
Cada suspirar nosso, nos consome
corrói nossas células e planos de eternizar.
Deveríamos manter um ar melhor
mas nossa vaidade e ignorância não deixam.
Deveríamos manter o mundo natural
mas aqui nesta corrida pela vida
é cada um por si, o resto... Se dane!

Pensam: “que morra toda humanidade
desde que eu use o mundo a meu modo;
estou nem aí para meus descendentes
desde que eu goze do melhor.
Mato tudo que não deve ser morto
manipulo tudo que deveria ficar intocável
e me faço o mais poderoso.
Afinal, um dia, vou morrer duma vez
e tenho que usufruir tudo que dá
antes de ir, muito provavelmente
para a dimensão desértica das sombras”.

As pessoas se atropelam para sobreviver;
os países se massacram para sobreviver.
Triste humanidade, não percebe
não devemos chegar antes dos outros
mas sim chegarmos juntos, pois
o mundo é redondo, único
e temos que nos unir para vencermos
mas preferimos separar, enfraquecer.

Uma flor vinga sem cobrar nada
e dá toda sua vida de beleza.
Será que um dia iremos florir com graça
e poderemos morrer em paz?

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Minha tristeza é mais triste

Minha tristeza é mais triste
que um sonho que desiste;
que uma roseira sem rosa;
que cor de borboleta idosa
toda largada no chão,
feita assim, chuva sem razão.
Um piado perdido de filhote;
o eco do uivo de coiote.

E não é uma tristeza
de fora para comigo,
e sim, de dentro para contigo,
esse eu fraco lá fora
que poderia tudo na hora,
numa realização de coisas novas
vinda do mundo de gozos e provas.

Mas que continua aqui,
feita fruta madura caqui,
insistindo em ficar... Ficar...
Querendo ser colhida, sem deixar...

domingo, 21 de setembro de 2014

No meu céu / por O.Heinze






















 No meu céu, hoje
chovem chuvas e flores.
Estou doando cores
das minhas histórias gozadas
que fazem chover dores
e também dar risadas.
Neste céu meu
voam crentes e ateus
livres igual liberdade.
Seja quem for
criança ou pessoa de idade
se enche de amor
de felicidade.
Porque no meu céu
ah no meu céu...
vive humanidade.

domingo, 14 de setembro de 2014

 O namoro / por O.Heinze

...E lá estava ela
me esperando tranquila
no gramado do parque.
Em pé e totalmente desnuda,
sob um céu inteiro azul
e um sol de onze horas.

Emocionado me aproximei
e sem perder tempo
abracei-a com força,
com todo meu amor
e assim ficamos
por um longo tempo...

Depois a beijei com carinho
e me afastei lentamente
olhando-a de baixo ao alto
enquanto tentava, talvez saber,
o que ela sentia por mim...

Disse-lhe então que voltaria
para vê-la com folhas
no auge da primavera...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Santa Guerra / por O.Heinze

Talvez a bomba de maior explosão
era da mão contra o saco de papel
cheio de ar e já sem o pão.
Na guerra das crianças ou adolescentes
se via só arranhões inconsequentes
pelos tombos que jogavam ao chão
um bando de brincalhões contentes.
Seja no futebol de rua
no pega-pega, no mãe-da-rua
ou caçando insetos aleluia.
Contendas nas rodas de peões
bolas de barro, enlaces de pipas
trilhas de pólvora aos clarões
espadas feitas de ripa.
Sobre valentes cavalos-de-pau
fazendo caretas para parecer mal.
O calor maior da batalha
se dava no jogo de queimada
ou na luta pela medalha
na partida de xadrez intrincada.
Umas detonavam o quarto inteiro
durante a guerra de travesseiros.
O sangue somente aparecia
nas guerras de tomates
de amoras ou melancias
nos mais doces combates.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Se não fossem os pássaros / por O.Heinze








fotografia de O.Heinze












Se não fossem os pássaros
com seus cantares de liberdade
só ouviria a humanidade
ruídos, bombas e gritos
e alguns hits esquisitos
desfazendo a tranquilidade.
Mas no ar ainda há alegria
desses pássaros que nascem o dia
demonstrando como é que se faz
uma atmosfera cheia de paz.
Bem no fundo o homem não quer
ter paz nem passarinhos
ele quer uma coisa qualquer
que não espalhe mais ninhos.
Nem flores tampouco. As flores...
elas nem cantam nada
mas falam tudo caladas
na solenidade das dores
ou nas paixões em floradas.
Um dia todos saberão fluir
no silêncio mais profundo
e conseguirão discernir
entre o ser e o iludir
nessa vida do mundo.