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segunda-feira, 4 de abril de 2022

Flor de Miguel Arcanjo

A flor-de-são-miguel dá em cachos e suas flores violetas/azuladas, já maduras, vão caindo uma a uma separadamente, até a haste ficar sem flor.
Pois eu encontrei este cacho inteiro e ainda com todas as flores secas presas nesta formação, sobre minha mesa da marcenaria. Minha vizinha tem uma árvore dessa flor, mas fica a uns 30 metros de onde a encontrei e atrás de uma parede bem alta. Não consigo explicar este fenômeno, talvez um presente de Miguel Arcanjo?! 🙏

terça-feira, 15 de março de 2022

Parece ficção, mas é crônica

Parece ficção, mas é crônica. 
por O.Heinze 

Durante a infância 
não mensuramos 
o mundo dos adultos.
Sequer entendemos
que existem raças diferentes,
fronteiras e países. 
Que algumas pessoas 
se acham mais importantes
que todas as demais. 
Na guerra, então,
não assimilamos a violência 
de adultos matando adultos.
E adultos matando crianças?
Achamos que é mentira,
afinal, os adultos existem
para proteger as crianças,
para dar bons exemplos.
Eles já foram crianças também
e deveriam se lembrar.
Crianças do mundo inteiro
tem o mesmo sangue,
são da mesma família, 
chamada humanidade,
de sobrenome ingenuidade. 

"Seria possível ainda existir
este tempo assim insano?
Com seres sem almas,
que sequer vivem, pois,
são carcaças sem corações, 
movidos por cordames 
do sistema sanguinário e infernal,
que mata até a própria carne, 
para sentir o poder ignóbil."

"As mulheres 
personificam o amor.
As crianças 
glorificam a paz.
Os homens poderosos
adoecem o mundo."

Santo André, 15/03/2022.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Um Parafuso a menos / por O.Heinze

Vivo uma urgência em me completar

de algo que ainda não sei explicar. 

Busquei por coisas maravilhosas

na ânsia de preencher esta falta penosa,

mas ao dar-lhes as costas, ficaram para trás, 

pois do mundo não se leva nada, nem traz.

Sigo com esta sensação estranha, tipo, respirar uma vida inteira e não ter reserva de ar;

cultivar flores e mais flores que avivam e após seu glamour se desfazem num piscar.

Nada completa esta lacuna faminta 

de me fazer sentir a satisfação plena.

E pensar que sou feito da matéria

de estrelas desintegradas, pena,

não deveria me sentir disperso 

pois sou parte do universo,

mas a incógnita desta busca prossegue,

esta urgência em me completar

de algo que ainda não sei explicar. 

Já tive amor tão grande no coração,

paixão em erupção, ardente igual a vulcão, 

que derreteram em si mesmas, 

esfriaram e se tornaram rochas frias e crespas.

Tive a felicidade intensa que fugiu 

numa enxurrada de lágrimas amargas.

Quase fui engolido por mar e rio

e a morte pareceu uma pesada carga,

mas não preencheu o meu nada. 

Conheci igrejas suntuosas e imponentes,

de onde saí com menos de mim do que entrei.

Compreendo que as coisas do mundo passam, orei,

porque absolutamente tudo um dia acaba

e as coisas do espírito são intangíveis,

podem e não podem ser críveis. 

Incrível é a urgência em me completar

de algo que ainda não sei explicar,

pois posso dar a volta ao mundo

e tudo que trago na mente não me é oriundo.

O dinheiro não compra tudo!

Gastei mundos e fundos 

e nada completou o oco mudo

da parte que me falta, nem os Tundos.*

Sou mais um ruminador pastando no campo da ignorância humana;

voador sem asas, planando em minha fantasia insana;

submergido numa represa de conjecturas;

Enterrado em minhas raízes por esta procura,

que somente eu poderei um dia desvendar

e finalmente não sentir em mim o faltar

de algo que ainda não sei explicar.



*Tundos: Chefe de sacerdotes gentis, na África.  

Espécie de doutor, em escolas do Japão. 



Santo André, 29/12/2021.

Morrer é só um sonho / por O.Heinze

Morrer é só um sonho

por O.Heinze 


Morrer é uma maneira de mudar

para um novo experimentar. 

Igual barco que viveu a navegar

e cansa, afunda para vislumbrar 

lá ao fundo o seu novo lar.


É  fruta madura a se largar

da frondosa árvore da vida

e feliz sente ao despencar

o poder de ser incontida.

E ao chão se faz desmaiar

mas em contrapartida

seu núcleo renasce no pomar.


Morrer é um estado de sono

igual quando se vai dormir.

O cansaço é nosso dono

deixamos de aqui existir.

Na nova manhã iluminada

lentamente despertamos

com a vida renovada

sensação de que voamos.


Morrer é o fato de perder 

o ser que amamos

e seguimos sem entender:

se nos separamos

porque após tantos anos

ele ainda parece viver?!...


Santo André, janeiro de 2022.

Chove por dentro

A chuva que chora por ora

lavando os pecados 

de agora e outrora 

e chora mais na agonia

pelas lembranças da magia

quando houve vida e alegria

são passageiras

feitas as aves viageiras 

de menos um dia.


Às vezes, o tempo se atormenta 

em nuvens pesadas se arrebenta

engolindo tudo ao chão 

rasgando o céu com explosão

e sendo culpado ou não

uns e outros somem desta dimensão. 


Mas essa torrente não rega

o deserto da solidão 

dos olhos que ela escorrega

da pessoa em aflição. 

Então essa chuva somente goteja

nas várias flores já ceifadas

enfeitando o caixão que as leva

sobre a morte a ser sepultada.


Santo André, 8/1/2022.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Talvez a vida seja só uma ilusão?

Talvez a vida seja só uma ilusão?

por O.Heinze 


Brincar de super-herói é algo que faço desde criancinha. Sei que já não tenho idade para parecer um deles, mas, igual fazem as crianças, crio um mundo possível para minha alegria, independente de estar cronologicamente certo ou errado com a minha idade. Ser feliz é não seguir padrões, normas e críticas, pois na felicidade não existe essa coisa de tempo.

A criança se imagina adulta, rica, no circo, nas nuvens. Conversa com amiguinhos invisíveis, tipo, fadas, duendes, bichos de pelúcia, com vida própria, enfim, com o que lhes agrada e faz a vida passar muito melhor.

Eu converso com flores, pássaros, cachorros, gatos etc. Falo muito com Deus e sinto meu eu melhor com isto. 

Às vezes sou palhaço, super-herói, o mar, a flor, o vento, a saudade, o amor, um pirata, ator, cantor, andarilho, monge, mago… Posso ser o que eu quiser, desde que seja uma brincadeira sadia e divertida.

Por causa da rigidez do mundo não nos permitimos ser livres em fantasias incríveis e inocentes, que, nos fariam mais bem que um psicanalista.

As pessoas são viciadas em tanta coisa prejudicial e brincar elas tem vergonha. Existe tempo para se brincar? Não! 

Claro que o adulto tem responsabilidades, mas há espaço para tudo na vida humana. Só que nos colocamos nas idades do "agora pode". Agora posso isto e aquilo, e na idade seguinte já não posso mais. Uns dizem: tô novo pra isso, ou, tô velho pra isso. 

A vida é atemporal! Creiam!

Se você tiver uma cabeça enferrujada, vai ficar duro num sofá ou cadeira de escritório etc.

Velho para mim é aquela pessoa que nunca quis ser novo.

Temos crianças que tocam uma sonata com seis anos e idosos de 100 anos que correm e nadam ainda. 

O tempo é criação mental, ele não existe em você, mas se você quiser pensar igual a maioria, então ele vai pesar em teu corpo e alma e você não vai poder mais voar.

Ser feliz é gratuito! Aproveite sua vida.


Santo André, 20/12/2021.


domingo, 28 de novembro de 2021

Tempo sem cores

Tempo sem cores


...E onde está, onde está 

o tempo que se perdeu?...

Que se perdeu da paz 

dos meus olhos descansados,

no planar da ave lá tão alta, 

vivenciando a liberdade comigo,

do poder silenciar, respirar fundo 

e voar, voar, voar…

Volte bom tempo, volte…

Trazendo o perfume perdido

que adentrava a janela da casa,

talvez vindo de um sonho mágico,

das flores distraídas do campo,

que dançavam a valsa primaveril,

ao doce balançar da brisa morna.

Ah… Lazer nas horas idas,

retorne… Quero lembrar quão é bom

esquecer de si e ser criança,

poder rir até faltar o ar, doer a garganta,

ficar todo impregnado da terra, 

do aroma do mato, da fruta colhida, 

do suor e melaço da cana.

Execute novamente, natureza orquestral,

todas as melodias na mata exuberante:

do burburinho da nascente

contando a história de um rio gigantesco,

com peixes e juncos, cantos de calmaria 

torvelinho e quedas d'água;

dos coros de pássaros, insetos, folhas;

uivos de mamíferos e galhos ao vento.

Sim, houve uma época de sol benigno, atravessando copas de árvores sem donos, alcançando o chão de limo virgem,

e o riacho correndo puro entre as pedras.

Tempo… Tempo das boas coisas… 

Me explique por favor!

Onde está tu? Pois ainda estás aqui!

Que fizeram de ti? Por que lhe encobrem 

com tanta fumaça, mentira, miséria?

Lhe escondem atrás de concretos, morros

e grades? Para quê lhe queimam inteiro?

Entorpecem com drogas e utopias;

envenenam com tamanha cobiça; 

lhe afogam em rios de esgotos

e oceanos de plásticos?

Arrancam de ti as crianças, as cores,

os sorrisos e passeios, os encontros.

Para que matam a tua vida, por diversão?

Perdão, tempo das coisas do bem,

por você ainda estar em algum lugar,

mas nós, tão incrivelmente humanos, 

não termos coragem para te reencontrar.

Estamos fugindo de você, 

para além dos confins! 

Queremos ir a Marte.

Para fazer mais o quê?

Já morávamos lá.

Só eu sei

Só eu sei

por O.Heinze 


Só eu sei 

das minhas lágrimas de criança 

quando fui injustiçado, ironizado,

por àqueles que deveriam

bem cuidar, fazer aliança.


Lembro bem, na puberdade,

tanto bullying que sofri,

piadas com meus hormônios,

se eu era menina ou menino?

Seres maledicentes, demônios,

que eram e são minha gente,

deveriam me ser homônimos, 

moralmente docente.


Então, cheguei a mocidade.

Viva! Agora sou dono de mim.

Mas qual, podre liberdade!

Quase consegui o meu fim,

tentando encontrar o tal fundo,

onde a felicidade

é igual para todo mundo.


E prossegui sobrevivendo,

servindo de muro de arrimo,

segurando o peso dos outros,

a vergonha alheia de cretinos.


Prossegue o contrassenso:

sou um anjo em casa

que não faz milagres.

Paro e penso:

Por favor,Justiça,

me consagre.

sábado, 2 de outubro de 2021

Anjo da Morte /por O.Heinze

Anjo da Morte

por O.Heinze 


Houve um tempo

que não entendias a ti

te achavas uma inimiga

não querias ver-te, ouvir-te

sequer pronunciar-te!

De tantas e tantas flores

que exaltei aromas e cores

tu jamais tomastes parte

pois és inodora, incolor

dizem-na rainha da dor.

Clamei por inúmeros anjos

aureolados em luzes 

alados e complacentes

para me protegerem

pois a queria distante. 

Chamam-na de Morte. 

Anjo da Morte!

Hoje quero-te próxima!

Entendo agora quem és.

Não lha temo mais.

Medo tenho eu somente

em deixar de amar a vida

neste mundo de terra

ou em mundo invisível.

Medo ainda da guerra

que mata o sonho tangível. 

Medo da desigualdade

da falta de humanidade

que fomenta o crime

provoca a sede, a fome

e associam ao teu nome.

Medo da humanidade

deixar de humanizar

da criança não sorrir

do idoso não ter paz

da flor não mais florir

a razão ser incapaz. 

Quantas vezes gritei:

melhor que isto é morrer!

Pois foram tantos hospitais

tratamentos infernais

coisas de mim roubadas 

paixões esfaceladas.

Mas tu não levastes a mim

apenas rondavas, alertavas 

que tudo teria um tempo...

Que eu cuidasse

muito bem do meu ser

me enxergasse

e vivesse sem tanto morrer.


Santo André, 01/10/2021.


domingo, 25 de julho de 2021

Flor de Luz

Flor de Luz

por O.Heinze 

para Dedé Lima 


Pobre desses homens sem visão,

não enxergam esses teus olhos

incontidos e apaixonados,

por onde escapa a alma radiante

e o amor intenso do coração puro.

Homens tolos, querem conquistar

a flor, sem sequer germinar tua semente.

Esquecem de fazer o mais importante:

amar da flor o perfume, a formosura, 

o brilho, a suavidade, a essência.

Não se dão conta de conhecer 

teus espinhos e tuas raízes. 

Enfim, de regar com amor tua natureza, 

cuidar de ti inteira, com proximidade,

atenção e respeito, para somente então,

merecer teu florir e teu adocicar.


Santo André, 16/07/2021.

terça-feira, 13 de julho de 2021

E voa...

E voa…

por O.Heinze 


O pássaro quebra a casca

ganha penas e voa...

A lagarta adormece

acorda com asas e voa…

A folha amadurece

solta do galho e voa…

A pedra escorrega

despenca no abismo e voa…

O perfume da flor

escapa no ar e voa…

O olhar no horizonte 

fica perdido e voa…

A voz gritada na montanha

faz eco e voa…

A água evaporada

forma a nuvem e voa…

A fumaça da queimada

asfixia e voa…

A estrela cadente 

risca a noite e voa…

A carta ainda não lida

escapa da mão e voa…

A pedra direcionada

sai da funda e voa..

A palavra mal falada

sai da boca e voa…

A arraia dentro d'água 

sem pressa, passa e voa…

E o tempo não passa

ou dispara e voa…

A mente sai do presente

vai noutros tempos e voa...

A nuvem pesada

vira chuva e voa…

O rio cai da montanha

em cachoeira e voa…

O arco-íris aparece

colore o céu e voa…

O maré explode 

contra a rocha e voa…

A criança solta a pipa 

e junto com ela voa…

Igualmente o aviãozinho

feito de papel, jogado, e voa…

A bolha de sabão colorida

leve, livre, frágil, que voa…

A lua encantada

aparece no céu e voa...

A vida que do nada

abandona o corpo e voa…

A Terra frente ao Universo

é  grão de areia e voa...


Santo André, 15/06/2021.





domingo, 11 de julho de 2021

O Jardineiro solitário



O jardineiro solitário. 

por O.Heinze 

para Ana Pedro.


Em cada pétala 

lágrimas de luz

cor que me seduz

certeira seta lá 


no coração. 

Se pudesse eu arrancar

teu perfume e matar

toda esta paixão


que me consome.

Mas nem sei quem és 

onde vivem teus pés 

sequer sei teu nome?!


Cola em minha alma

tua alma santa

minha sede é tanta

me devolva a calma.


25/06/2021.