Aqui você encontra quase toda minha vida que é a própria ARTE. Sou poeta escritor / artista plástico / músico violonista / compositor / cantor / marceneiro / adoro fotografar / Fã da natureza (ambientalista). Ajudem-me a fazer um mundo melhor...
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segunda-feira, 4 de abril de 2022
Flor de Miguel Arcanjo
terça-feira, 15 de março de 2022
Parece ficção, mas é crônica
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
Um Parafuso a menos / por O.Heinze
Vivo uma urgência em me completar
de algo que ainda não sei explicar.
Busquei por coisas maravilhosas
na ânsia de preencher esta falta penosa,
mas ao dar-lhes as costas, ficaram para trás,
pois do mundo não se leva nada, nem traz.
Sigo com esta sensação estranha, tipo, respirar uma vida inteira e não ter reserva de ar;
cultivar flores e mais flores que avivam e após seu glamour se desfazem num piscar.
Nada completa esta lacuna faminta
de me fazer sentir a satisfação plena.
E pensar que sou feito da matéria
de estrelas desintegradas, pena,
não deveria me sentir disperso
pois sou parte do universo,
mas a incógnita desta busca prossegue,
esta urgência em me completar
de algo que ainda não sei explicar.
Já tive amor tão grande no coração,
paixão em erupção, ardente igual a vulcão,
que derreteram em si mesmas,
esfriaram e se tornaram rochas frias e crespas.
Tive a felicidade intensa que fugiu
numa enxurrada de lágrimas amargas.
Quase fui engolido por mar e rio
e a morte pareceu uma pesada carga,
mas não preencheu o meu nada.
Conheci igrejas suntuosas e imponentes,
de onde saí com menos de mim do que entrei.
Compreendo que as coisas do mundo passam, orei,
porque absolutamente tudo um dia acaba
e as coisas do espírito são intangíveis,
podem e não podem ser críveis.
Incrível é a urgência em me completar
de algo que ainda não sei explicar,
pois posso dar a volta ao mundo
e tudo que trago na mente não me é oriundo.
O dinheiro não compra tudo!
Gastei mundos e fundos
e nada completou o oco mudo
da parte que me falta, nem os Tundos.*
Sou mais um ruminador pastando no campo da ignorância humana;
voador sem asas, planando em minha fantasia insana;
submergido numa represa de conjecturas;
Enterrado em minhas raízes por esta procura,
que somente eu poderei um dia desvendar
e finalmente não sentir em mim o faltar
de algo que ainda não sei explicar.
*Tundos: Chefe de sacerdotes gentis, na África.
Espécie de doutor, em escolas do Japão.
Santo André, 29/12/2021.
Morrer é só um sonho / por O.Heinze
Morrer é só um sonho
por O.Heinze
Morrer é uma maneira de mudar
para um novo experimentar.
Igual barco que viveu a navegar
e cansa, afunda para vislumbrar
lá ao fundo o seu novo lar.
É fruta madura a se largar
da frondosa árvore da vida
e feliz sente ao despencar
o poder de ser incontida.
E ao chão se faz desmaiar
mas em contrapartida
seu núcleo renasce no pomar.
Morrer é um estado de sono
igual quando se vai dormir.
O cansaço é nosso dono
deixamos de aqui existir.
Na nova manhã iluminada
lentamente despertamos
com a vida renovada
sensação de que voamos.
Morrer é o fato de perder
o ser que amamos
e seguimos sem entender:
se nos separamos
porque após tantos anos
ele ainda parece viver?!...
Santo André, janeiro de 2022.
Chove por dentro
A chuva que chora por ora
lavando os pecados
de agora e outrora
e chora mais na agonia
pelas lembranças da magia
quando houve vida e alegria
são passageiras
feitas as aves viageiras
de menos um dia.
Às vezes, o tempo se atormenta
em nuvens pesadas se arrebenta
engolindo tudo ao chão
rasgando o céu com explosão
e sendo culpado ou não
uns e outros somem desta dimensão.
Mas essa torrente não rega
o deserto da solidão
dos olhos que ela escorrega
da pessoa em aflição.
Então essa chuva somente goteja
nas várias flores já ceifadas
enfeitando o caixão que as leva
sobre a morte a ser sepultada.
Santo André, 8/1/2022.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Talvez a vida seja só uma ilusão?
Talvez a vida seja só uma ilusão?
por O.Heinze
Brincar de super-herói é algo que faço desde criancinha. Sei que já não tenho idade para parecer um deles, mas, igual fazem as crianças, crio um mundo possível para minha alegria, independente de estar cronologicamente certo ou errado com a minha idade. Ser feliz é não seguir padrões, normas e críticas, pois na felicidade não existe essa coisa de tempo.
A criança se imagina adulta, rica, no circo, nas nuvens. Conversa com amiguinhos invisíveis, tipo, fadas, duendes, bichos de pelúcia, com vida própria, enfim, com o que lhes agrada e faz a vida passar muito melhor.
Eu converso com flores, pássaros, cachorros, gatos etc. Falo muito com Deus e sinto meu eu melhor com isto.
Às vezes sou palhaço, super-herói, o mar, a flor, o vento, a saudade, o amor, um pirata, ator, cantor, andarilho, monge, mago… Posso ser o que eu quiser, desde que seja uma brincadeira sadia e divertida.
Por causa da rigidez do mundo não nos permitimos ser livres em fantasias incríveis e inocentes, que, nos fariam mais bem que um psicanalista.
As pessoas são viciadas em tanta coisa prejudicial e brincar elas tem vergonha. Existe tempo para se brincar? Não!
Claro que o adulto tem responsabilidades, mas há espaço para tudo na vida humana. Só que nos colocamos nas idades do "agora pode". Agora posso isto e aquilo, e na idade seguinte já não posso mais. Uns dizem: tô novo pra isso, ou, tô velho pra isso.
A vida é atemporal! Creiam!
Se você tiver uma cabeça enferrujada, vai ficar duro num sofá ou cadeira de escritório etc.
Velho para mim é aquela pessoa que nunca quis ser novo.
Temos crianças que tocam uma sonata com seis anos e idosos de 100 anos que correm e nadam ainda.
O tempo é criação mental, ele não existe em você, mas se você quiser pensar igual a maioria, então ele vai pesar em teu corpo e alma e você não vai poder mais voar.
Ser feliz é gratuito! Aproveite sua vida.
Santo André, 20/12/2021.
domingo, 28 de novembro de 2021
Tempo sem cores
Tempo sem cores
...E onde está, onde está
o tempo que se perdeu?...
Que se perdeu da paz
dos meus olhos descansados,
no planar da ave lá tão alta,
vivenciando a liberdade comigo,
do poder silenciar, respirar fundo
e voar, voar, voar…
Volte bom tempo, volte…
Trazendo o perfume perdido
que adentrava a janela da casa,
talvez vindo de um sonho mágico,
das flores distraídas do campo,
que dançavam a valsa primaveril,
ao doce balançar da brisa morna.
Ah… Lazer nas horas idas,
retorne… Quero lembrar quão é bom
esquecer de si e ser criança,
poder rir até faltar o ar, doer a garganta,
ficar todo impregnado da terra,
do aroma do mato, da fruta colhida,
do suor e melaço da cana.
Execute novamente, natureza orquestral,
todas as melodias na mata exuberante:
do burburinho da nascente
contando a história de um rio gigantesco,
com peixes e juncos, cantos de calmaria
torvelinho e quedas d'água;
dos coros de pássaros, insetos, folhas;
uivos de mamíferos e galhos ao vento.
Sim, houve uma época de sol benigno, atravessando copas de árvores sem donos, alcançando o chão de limo virgem,
e o riacho correndo puro entre as pedras.
Tempo… Tempo das boas coisas…
Me explique por favor!
Onde está tu? Pois ainda estás aqui!
Que fizeram de ti? Por que lhe encobrem
com tanta fumaça, mentira, miséria?
Lhe escondem atrás de concretos, morros
e grades? Para quê lhe queimam inteiro?
Entorpecem com drogas e utopias;
envenenam com tamanha cobiça;
lhe afogam em rios de esgotos
e oceanos de plásticos?
Arrancam de ti as crianças, as cores,
os sorrisos e passeios, os encontros.
Para que matam a tua vida, por diversão?
Perdão, tempo das coisas do bem,
por você ainda estar em algum lugar,
mas nós, tão incrivelmente humanos,
não termos coragem para te reencontrar.
Estamos fugindo de você,
para além dos confins!
Queremos ir a Marte.
Para fazer mais o quê?
Já morávamos lá.
Só eu sei
Só eu sei
por O.Heinze
Só eu sei
das minhas lágrimas de criança
quando fui injustiçado, ironizado,
por àqueles que deveriam
bem cuidar, fazer aliança.
Lembro bem, na puberdade,
tanto bullying que sofri,
piadas com meus hormônios,
se eu era menina ou menino?
Seres maledicentes, demônios,
que eram e são minha gente,
deveriam me ser homônimos,
moralmente docente.
Então, cheguei a mocidade.
Viva! Agora sou dono de mim.
Mas qual, podre liberdade!
Quase consegui o meu fim,
tentando encontrar o tal fundo,
onde a felicidade
é igual para todo mundo.
E prossegui sobrevivendo,
servindo de muro de arrimo,
segurando o peso dos outros,
a vergonha alheia de cretinos.
Prossegue o contrassenso:
sou um anjo em casa
que não faz milagres.
Paro e penso:
Por favor,Justiça,
me consagre.
sábado, 2 de outubro de 2021
Anjo da Morte /por O.Heinze
Anjo da Morte
por O.Heinze
Houve um tempo
que não entendias a ti
te achavas uma inimiga
não querias ver-te, ouvir-te
sequer pronunciar-te!
De tantas e tantas flores
que exaltei aromas e cores
tu jamais tomastes parte
pois és inodora, incolor
dizem-na rainha da dor.
Clamei por inúmeros anjos
aureolados em luzes
alados e complacentes
para me protegerem
pois a queria distante.
Chamam-na de Morte.
Anjo da Morte!
Hoje quero-te próxima!
Entendo agora quem és.
Não lha temo mais.
Medo tenho eu somente
em deixar de amar a vida
neste mundo de terra
ou em mundo invisível.
Medo ainda da guerra
que mata o sonho tangível.
Medo da desigualdade
da falta de humanidade
que fomenta o crime
provoca a sede, a fome
e associam ao teu nome.
Medo da humanidade
deixar de humanizar
da criança não sorrir
do idoso não ter paz
da flor não mais florir
a razão ser incapaz.
Quantas vezes gritei:
melhor que isto é morrer!
Pois foram tantos hospitais
tratamentos infernais
coisas de mim roubadas
paixões esfaceladas.
Mas tu não levastes a mim
apenas rondavas, alertavas
que tudo teria um tempo...
Que eu cuidasse
muito bem do meu ser
me enxergasse
e vivesse sem tanto morrer.
Santo André, 01/10/2021.
domingo, 25 de julho de 2021
Flor de Luz
Flor de Luz
por O.Heinze
para Dedé Lima
Pobre desses homens sem visão,
não enxergam esses teus olhos
incontidos e apaixonados,
por onde escapa a alma radiante
e o amor intenso do coração puro.
Homens tolos, querem conquistar
a flor, sem sequer germinar tua semente.
Esquecem de fazer o mais importante:
amar da flor o perfume, a formosura,
o brilho, a suavidade, a essência.
Não se dão conta de conhecer
teus espinhos e tuas raízes.
Enfim, de regar com amor tua natureza,
cuidar de ti inteira, com proximidade,
atenção e respeito, para somente então,
merecer teu florir e teu adocicar.
Santo André, 16/07/2021.
terça-feira, 13 de julho de 2021
E voa...
E voa…
por O.Heinze
O pássaro quebra a casca
ganha penas e voa...
A lagarta adormece
acorda com asas e voa…
A folha amadurece
solta do galho e voa…
A pedra escorrega
despenca no abismo e voa…
O perfume da flor
escapa no ar e voa…
O olhar no horizonte
fica perdido e voa…
A voz gritada na montanha
faz eco e voa…
A água evaporada
forma a nuvem e voa…
A fumaça da queimada
asfixia e voa…
A estrela cadente
risca a noite e voa…
A carta ainda não lida
escapa da mão e voa…
A pedra direcionada
sai da funda e voa..
A palavra mal falada
sai da boca e voa…
A arraia dentro d'água
sem pressa, passa e voa…
E o tempo não passa
ou dispara e voa…
A mente sai do presente
vai noutros tempos e voa...
A nuvem pesada
vira chuva e voa…
O rio cai da montanha
em cachoeira e voa…
O arco-íris aparece
colore o céu e voa…
O maré explode
contra a rocha e voa…
A criança solta a pipa
e junto com ela voa…
Igualmente o aviãozinho
feito de papel, jogado, e voa…
A bolha de sabão colorida
leve, livre, frágil, que voa…
A lua encantada
aparece no céu e voa...
A vida que do nada
abandona o corpo e voa…
A Terra frente ao Universo
é grão de areia e voa...
Santo André, 15/06/2021.
domingo, 11 de julho de 2021
O Jardineiro solitário
O jardineiro solitário.
por O.Heinze
para Ana Pedro.
Em cada pétala
lágrimas de luz
cor que me seduz
certeira seta lá
no coração.
Se pudesse eu arrancar
teu perfume e matar
toda esta paixão
que me consome.
Mas nem sei quem és
onde vivem teus pés
sequer sei teu nome?!
Cola em minha alma
tua alma santa
minha sede é tanta
me devolva a calma.
25/06/2021.