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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Almas sem pássaros / por O.Heinze


Um simples piado de pássaro

no vazio das pradarias

carrega toda eternidade

da ancestralidade.

Porém, há quem o troque

pela fração de segundo

do disparo da arma.

Um fogo maldito, curto,

no incêndio da pólvora,

mas quase interminável

quando da consciência da alma.

Pobres almas sem pássaros

mal se conseguem arrastar.

Que dirá levantar o voo

para ares dos anjos leves

que voam não pelas asas,

mas pela levitação no amor...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Entre doze e treze e trinta / por O.Heinze


Vez em quando bate uma tristeza

sinto vontade de sentar e chorar

mas como não consigo chorar

não sento e passa a vontade.

Olho para o céu azul

e uma grande nuvem me chama

pois ela e eu estamos cheios de lágrimas

e energias afins se atraem.

Vou almoçar. Arroz, feijão e chuchu.

Meu filho pergunta do relógio na parede

se de ponta cabeça andaria ao contrário?!

A sobremesa é arroz doce.

Volto para o jardim e que alegria

passa voando uma bela borboleta.

Minha esposa foi quem a viu primeiro

estampa branca, rosa e preta.

Fico feliz em poder ver uma

antigamente se via inúmeras.

Como as borboletas não modificam

na aparência externa nem no voo

sinto-me voltar no tempo.

Retorno para a cozinha e na parede

o relógio está de ponta cabeça...

terça-feira, 10 de maio de 2011

O.Heinze no passado

Flor diferente de hibisco que encontrei num dia de domingo.

Mikenam /por O.Heinze


À frente de mim

uma bela manequim

sem braços

e o reflexo meu

no vidro translucido

entre eu e a boneca.

E quê é mais vivo?

Eu, o manequim ou meu reflexo?

Talvez no eu negativo

e tão desconexo

o mais real e saudável

é meu reflexo impalpável

sobrepondo-se ao manequim

na busca de um sim;

um abraço mesmo que frio

devolvendo todo meu brio...

domingo, 10 de abril de 2011

A sala / foto de O.Heinze

Bem... / por O.Heinze

Éramos apenas
eu invisível na sala
e à minha frente
uma cadeira magra e tubular
outra tubular mais gorda
um guarda-chuva secando
uma janela aberta
com chance de ser olhada.
Havia também uma televisão
desligada e cinza
um aparelho de som sem som
e um relógio pequeno de mesa
fazendo tic-tac, mas sem entretanto
ser gratuito, pois comia uma pilha.
Um teto branco sem moscas
com clarabóia sem sol
uma parede salmão sem água
um chão frio de piso frio
ah... e uma porta escancarada.
Sem dizer uma palavra
uma estante repleta de livros
e bibelôs de todo tipo
telefone sem fio, câmera
computador, porta canetas
capa de óculos, poeira
vaso de flores e ar.
Um sofá me fazia companhia
e o outro me abraçava.
Os quadros da parede
me olhavam curiosos
enquanto a janela me chamava
chamava e chamava
Levantei-me, fui até a tal,
e olhei para além dela o mundo
que continuava igual e igual
o ontem e o amanhã.

sábado, 26 de março de 2011

Passatempo / por O.Heinze

Foi tão bom
que nem vi o tempo passar.
Bem... É hora de ir.
Voltar para detrás dessas nuvens
brancas e enormes.
Juro que é verdade!
Para além desses algodões imensos
há muito mais que céu azul.
Existe um campo de flores
de todos os tipos possíveis
tanto na tua ciência como em outras
e uma moldura gigantesca e dourada
que após ultrapassada
não mostra mais nada daqui.
Mas é o melhor lugar
pois que se tinge a vida
da qual você sempre buscou...
Fomos longe hoje, não?!
O que não traz um cochilo
sobre uma revista de colorir?!

Santo André, 25/03/2011.

domingo, 20 de março de 2011

Saudade da praia e do cabelo comprido

De dentro para fora / por O.Heinze

Esta pessoa
que me mostro por fora
não sou eu.
É apenas uma capa velha
que suporta inteira
chuva, sol, vento, poeira
e preconceitos e enganos
de outras capas de humanos.

Agora, lá dentro de mim
no mais fundo dos confins
eu cresço e vivo.
E é tão longe onde estou
que me privo
e raramente lá vou.

Acho que é por isto
que eu não me acho.
Acho que é por isto
que uso apenas o capacho
este eu lá fora ateu
que tanto esculacho
pois está longe de ser eu...

domingo, 13 de março de 2011

Coração cristalino / por O.Heinze


Meu ducto

não precisa via

vou alto por mim mesmo

porque estou leve.

Não carrego pedras

atiro apenas sonhos.

Se me respeitam ou não

não sei e nem quero

não uso bola de cristal.

Tenho um coração cristalino

que me faz querer dançar

lá na minha alma

comigo mesmo ou contigo

harmoniosamente e totalmente

fazendo-me tão só viver...

domingo, 6 de março de 2011

Água de beijo / por O.Heinze

Também sou andorinha
ansioso por chuva.
Fico voando baixo
cantarolando feliz
esperando chover
não gotas de água
mas longos beijos
quando você chegar.

Quero um temporal deles
fazendo meu coração
relampear seguidamente
e quase me afogar
nas doces águas
que só dos beijos
nasce em torrentes...