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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Fazendo Arte

Fazendo Arte  

por O.Heinze 


Ajeitei “doze girassóis” recém colhidos, 

em uma jarra transparente com água,

sobre uma mesa simples e antiga,

onde as horas escorrem no tempo,

para o passado e para a história,

é “a persistência da memória”.


Lembrei-me daquele jardim eterno,

com todos os tipos de plantas 

e uma “ponte sobre uma lagoa

de lírios de água”.

Onde andará a “mulher com sombrinha”,

que encantava as flores, o sol,

e o seu filho na tenra infância,

após um século e meio de existência?


Preferiram ter partido no “navio borboleta”

empurrado pelas asas da imaginação,

ou estariam sentados “no café” em Paris,

sob “a noite estrelada” em espirais no azul?

“O grito” com que os chamei não ecoou,

pois não tive resposta das águas calmas,

só uma “impressão, nascer do sol”

sobre o mar ladeando o porto.


Lembrei de algumas amigas e amigos:

Um em particular apelidado “o pensador”,

estava sempre filosofando; a amiga “pietá”,

pois vivia tendo compaixão por nós; 

a “moça com brinco de pérola”, sempre

misteriosa; e também a “mulata/mujer”, 

moça simples e honrada.


Um cheiro de pão adentrou minha janela 

fazendo eu voltar para uma realidade

que não envelhece, a da “santa ceia”,

reprodução de obra prima, na parede,

onde o Cristo se mantém sempre vivo,

e assim também, os seus apóstolos. 


Convidei para vir em casa, conhecidos

nada adeptos ao pão para o lanche,

pois somos “os comedores de batatas”.

Então, pedimos batatas delivery.

Enquanto aguardávamos, eu, “o velho

guitarrista”, tocava, e eles cantavam…

Ao soar da campainha, abrimos a porta,  

e surpresos, quase caímos para trás! 

A entregadora tinha aparência familiar. 

Perguntei: Qual é o seu nome mocinha?

Ela meio que sorrindo disse: 

“Monalisa”, senhor!


Santo André SP Brasil 

26 de julho de 2026.


As palavras entre aspas, são títulos ou traduções de títulos de obras de pintores e escultores famosos do mundo. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Um Sonho tangível

Um sonho tangível 
por O.Heinze 

Esta noite durante meu sono
encontrei com uma mulher
angelical, perfumada e amistosa,
que me abraçou com tanto carinho.
Eu não reconheci a fisionomia dela,
mas sabia que a conhecia tanto…
Ela exclamou segurando meus ombros:
“Nossa, como você está perfumado!”
Isso me surpreendeu, afinal, eu não 
tenho o hábito de usar perfume, 
e não sentia a fragrância em mim.
Mas ela aspirou outra vez, bem de perto,
na altura do meu ombro e repetiu:
“Realmente, que perfume você tem!”
E pensei: estaríamos eu e ela “no céu?”
digo, em outra dimensão, pois aquilo ali
não parecia ser só um sonho comum.

(Dizem, as pessoas espiritualizadas,
que nossa alma é dotada de essências:
de personalidade e de aroma;
de luz e ainda de melodia própria. 
Que quanto maior o amor e pureza,
mais a alma contém esses predicados.)

Eu não recordava o seguimento do sonho,
mas depois de duas horas, já acordado,
eu lembrei desse encontro marcante
e repleto de amizade, carinho e respeito.
Um reavivamento entre duas almas,
em um tempo ínfimo na Eternidade.

(O que mais me marcou nessa 
experimentação de vida onírica, 
foi o contraste entre dormir em 
uma realidade sonhadora tangível 
e acordar em uma vida surreal.)

Santo André SP Brasil. 
22/07/2026.

sábado, 18 de julho de 2026

Ágape

Ágape
por O.Heinze 

Deixe que eu morra de amor 
assim, só eu e Deus,
sem guerra, sangue, ou dor,
pois morrer de amor puro não dói. 

Amar em silêncio é o que mais faço,
e é onde eu realizo minhas vibrações 
mais autênticas e santificadas; 
e desejos enlevados e glorificados.

Aí eu conto para Deus em voz alta, 
e logo depois fico meio sem graça, 
pois noto que Deus já havia ouvido 
meus pensamentos de amor. 

Digo a Ele então, que eu precisava 
verbalizar, materializar o que 
eu havia desejado, e fundamentar
essa energia própria d'Ele…

e também porque o vento carece 
de palavras livres e de amor, 
para tocar outras almas,
e abraçar o mundo com o céu. 

Santo André SP Brasil. 
18 de julho de 2026.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Antigamente era melhor

Antigamente era melhor 
por O.Heinze 

Sentia-me nublado por dentro
tamanha era a chuva por fora.
Ansiava encontrar meu centro
assim que ela fosse embora.

Sai da grande sala da tristeza 
pois o barulho da chuva parou.
Tomei o elevador do arco-íris 
e desci no andar da beleza
onde uma nuvem me carregou.

Mas ali não havia tanta paz
volta e meia passava um avião.
Saltei daquela nuvem fugaz
entrei no elevador do arco-íris 
e voltei para o mundo do chão. 

Que bom que um galo cantou
despertando-me daquele sonho.
Mas o mundo não me acordou
e sigo em um cotidiano medonho.

Pois o arco-íris têm breves cores
não pinta as coisas da cidade.
E onde estão as paixões e amores
que tinham cores de felicidade?

Santo André SP Brasil. 
13 de julho de 2026.
Imagens de IA




sexta-feira, 10 de julho de 2026

Porta Estreita e Porta Larga

Porta Estreita e Porta Larga 

por O.Heinze 

Eis que temos uma escolha a fazer,

quando surge à frente duas portas distintas:

uma à direita, estreita e singela;

outra à esquerda, larga e bela!

Logo após a Porta estreita, segue uma trilha tão

limitada quanto a passagem, mal se vê o que a 

ladeia. 

Quase ninguém ali está 

desejando experimentá-la.

Já a Porta larga, mesmo antes de atravessá-la, se 

enxerga uma via ampla, 

com atrativos, onde poderá se conseguir 

todo tipo de facilidades e prazeres.

Em uma fila gigantesca, cada pessoa

anseia por sua vez de adentrá-la.

O que ninguém sabe na fila da vida é: 

para onde levará cada caminho?

O que se poderá vivenciar em seu curso?

Quais as consequências dessa escolha?

O tempo revelará, talvez seja assim:

o Caminho Largo vai se afunilando 

quanto mais avante se decidir por ele;

mas o Caminho Estreito vai expandindo,

à medida que se persistir em vivê-lo. 

Na chegada final, o prêmio para cada 

participante será um estado reflexivo

dentro da própria experiência:

da Porta Larga sentirá toda desilusão;

da Porta Estreita, pura consciência.

Santo André SP Brasil. 

10 de julho de 2026.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Então precisei de Deus

Então precisei de Deus 
por O.Heinze 

Então precisei de Deus
e andei para bem longe
até uma grande paisagem
aberta ao mar e ao céu.
Talvez eu quisesse
Deus somente para mim.
Gritei a plenos pulmões 
da minha solidão e dor.
Queria que ele me visse
apesar de eu ser pequeno
e sentisse minha tristeza
assistisse minha falência
perdoasse minha alma
e me carregasse com Ele.

Uma tormenta aconteceu e
um mar abriu dentro de mim
algo saiu do coração aflito
subindo até os meus olhos 
e desaguando por meu rosto.

Deus nada me falou.
O mar fechou calmamente.
Meu céu nunca foi tão lindo.

Resolvi regressar à vida.
Me sentia leve e livre
calmo e esperançoso
amado e perdoado
fortalecido e renovado
esclarecido e realizado
pois agora eu sentia Deus
no infinito do meu ser
na plenitude do meu eu.

Santo André SP Brasil. 
06 de julho de 2026.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Voando ao acaso

Voando ao acaso

por O.Heinze 


Nem sempre haverá borboletas 

apesar das flores abertas ao dia.

As borboletas também somem

para outros mundos, às vezes.

Então as flores morrem todas

por causa da solidão no céu. 


Eu não sou flor, ou borboleta.

Não perfumo, tampouco voo.

Vez e outra eu sumo 

me escondo do mundo

e pergunto para mim próprio 

será que deram falta de mim?


Eis que as borboletas

encontram meu esconderijo

pousam em minhas mãos

revestidas de milagres 

e o campo volta a florir.


Santo André SP Brasil. 

01 de julho de 2026.

Fotografia: O.Heinze 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Antes que a morte separe


Antes que a morte separe 
por O.Heinze 

Uma roseira maravilhosa
criava sua poesia através 
de suas inúmeras rosas
em cada ramo umas dez.

Um dia, com muita ousadia 
uma pessoa levou dela
um galho com uma poesia
e na floreira da sua janela
o plantou com euforia.

Então a poesia despetalou 
sem o amor da mãe roseira
mas o pequeno galho vingou
para alegrar a triste floreira.

Na primeira primavera
a pequena roseira floriu
uma única poesia que era
a mais bela que já se viu.

A pessoa que a plantou
sentiu tamanha alegria
e em suas mãos a tomou
aspirando a doce poesia
da fragrância que formou.

Na segunda primavera
a roseira deu outra flor
com uma poesia quimera
e um aroma de pura dor.

Pois a pessoa da janela
não demonstrava atenção 
não falava mais com ela
nem lhe dava a benção.

Na primavera terceira
surgiu um poema sem cor
pois o botão da roseira
não abriu por falta de amor.

Que a vida seja assim:
uma paixão que não pare
um amor que viva sem fim
antes que a morte separe. 

Santo André SP Brasil. 
20 e 21 de junho de 2026.

Fotos de IA.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O santo e o opróbrio

O santo e o opróbrio 
por O.Heinze 

Solidão é faltar consigo mesmo
por isso eu me divido em dois:
um fala para fora, não a esmo
e o outro ouve para dentro, pois

preciso amar o próximo 
como amo a mim próprio 
então carrego este paradoxo
sou o santo do meu opróbrio.

Às vezes dentro de um lar
mora tanta gente separada
cada um está em um lugar
menos na união desejada.

Eu moro comigo e com Deus
é uma união que deu certo.
Pior seria viver sem meu eu
e sem sentir Deus por perto.

Pior ainda é olhar no espelho
e não reconhecer seu reflexo 
ficar envergonhado, vermelho
em um sentimento desconexo. 

Se me ouvirem falando sozinho 
podem achar que estou variando
mas estou falando com o vizinho
este meu outro eu me escutando. 

Santo André SP Brasil. 
18/06/2026.