por O.Heinze
Tudo ficou tão lógico e óbvio quando me pus
a filosofar sobre meu corpo físico carnal
e estava agradecendo aos “meus” órgãos
pela realização da vida que fazem em mim.
Por alguns instantes me senti fora
desse corpo complexo e auto suficiente,
onde eu vivo desde a concepção,
e percebi com admiração e júbilo
um universo inteligente e sincronizado,
realizando o milagre da existência física,
para que todos os órgãos trabalhem
em harmonia e incansavelmente,
mantendo essa máquina orgânica viva,
saudável, equilibrada e exata em suas
funções, sistemas, tecidos, em cada célula,
molécula e átomo.
Me senti desnecessário para aquele corpo.
Entendi que minha única utilidade nele
é de hidratá-lo, alimentá-lo e levá-lo
por bons caminhos e mentalidade sadia,
pois sei que corpos com morte cerebral
continuam vivendo com auxílio de máquinas,
sem, no entanto, ter locomoção própria.
Talvez eu seja o disco rígido, a memória
instalada dentro desse computador atual,
a transmitir vontades, para o mesmo agir.
Me percebi sendo um alienígena na Terra
usando um corpo emprestado pela vida,
para que pudesse viver neste belo mundo.
Me reconheci insignificante em comparação
com a grandiosidade de realização de vida
nesse invólucro carnal humano autônomo.
Entendi que a vida é muito mais que esta.
É preciso um Ser inigualável, de capacidade
de onipotência, onisciência e onipresença
para criar um corpo carnal absoluto
e perfeito
e ainda ligar a ele uma consciência
inteligente vinda de uma outra realidade.
Minha consciência me lembrou das vezes
em que me descuidei do trato do corpo.
Senti vergonha por isso, pelo mal que fiz
ao corpo que me faz experimentar esta vida.
Santo André SP Brasil.
13 de outubro de 2026.
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