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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Eu não sou de mim

Eu não sou de mim

por O.Heinze 


Tudo ficou tão lógico e óbvio quando me pus 

a filosofar sobre meu corpo físico carnal

e estava agradecendo aos “meus” órgãos

pela realização da vida que fazem em mim.


Por alguns instantes me senti fora

desse corpo complexo e auto suficiente,

onde eu vivo desde a concepção, 

e percebi com admiração e júbilo 

um universo inteligente e sincronizado,

realizando o milagre da existência física, 

para que todos os órgãos trabalhem 

em harmonia e incansavelmente,

mantendo essa máquina orgânica viva,

saudável, equilibrada e exata em suas

funções, sistemas, tecidos, em cada célula, 

molécula e átomo. 


Me senti desnecessário para aquele corpo.

Entendi que minha única utilidade nele

é de hidratá-lo, alimentá-lo e levá-lo 

por bons caminhos e mentalidade sadia,

pois sei que corpos com morte cerebral 

continuam vivendo com auxílio de máquinas,

sem, no entanto, ter locomoção própria. 


Talvez eu seja o disco rígido, a memória

instalada dentro desse computador atual,

a transmitir vontades, para o mesmo agir.

Me percebi sendo um alienígena na Terra

usando um corpo emprestado pela vida,

para que pudesse viver neste belo mundo.


Me reconheci insignificante em comparação 

com a grandiosidade de realização de vida

nesse invólucro carnal humano autônomo. 

Entendi que a vida é muito mais que esta.

É preciso um Ser inigualável, de capacidade  

de onipotência, onisciência e onipresença

para criar um corpo carnal absoluto 

e perfeito 

e ainda ligar a ele uma consciência 

inteligente vinda de uma outra realidade. 


Minha consciência me lembrou das vezes

em que me descuidei do trato do corpo. 

Senti vergonha por isso, pelo mal que fiz

ao corpo que me faz experimentar esta vida.


Santo André SP Brasil. 

13 de outubro de 2026.


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